Suíça tem abrigos nucleares para toda a população e Japão adota outro modelo de proteção

2026/01/16 07:52
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Suíça – Vários países do mundo possuem abrigos nucleares, construções robustas geralmente subterrâneas, projetadas para acomodar grupos de pessoas diante de um ataque ou de uma explosão catastrófica. A Suíça, porém, é o único país que dispõe de abrigos capazes de acomodar toda a sua população. Mas e o Japão, também conta com esse tipo de estrutura?

No caso da Suíça, a existência de abrigos para todos é uma exigência prevista na Lei de Proteção Civil, aprovada em outubro de 1963. Desde então, todos os edifícios devem contar com um abrigo atômico.

São mais de 370 mil abrigos para uma população de 8,8 milhões de pessoas, o que garante que cada cidadão tenha um local seguro em caso de emergência, publicaram a Swiss Info e a Ideal Sales.

O país mais próximo da Suíça nesse tipo de infraestrutura é a Finlândia. Ainda assim, outras nações europeias ficam muito atrás quando comparadas ao modelo suíço. Na Áustria, a cobertura é de cerca de 30%, mas os abrigos geralmente não possuem ventilação adequada. Já na Alemanha, o total de abrigos não ultrapassa 3% da população.

Em países como China, Coreia do Sul, Singapura, Índia e outras nações, a cobertura não passa de 50%. Em Israel, por exemplo, existem abrigos para cerca de dois terços da população, mas muitas dessas estruturas consistem apenas em proteções de concreto com aberturas, não protegendo contra chuva radioativa.

No túnel de Sonnenberg, construído em 1976 em Lucerna, na Suíça, seria possível abrigar até 20.000 pessoas. O local, no entanto, foi abandonado depois que se constatou que suas portas espessas não fechavam de forma totalmente hermética.

Apesar de a hipótese de um ataque atômico parecer distante, a Suíça mantém sua política de segurança. Caso não ocorra uma explosão nuclear, esses abrigos também podem ser utilizados em situações de conflitos armados, ataques terroristas, acidentes químicos ou catástrofes naturais.

Essas estruturas precisam estar próximas das residências e contar com filtros capazes de purificar o ar e proteger as pessoas. Mesmo os abrigos mais antigos passam por inspeções periódicas para garantir sua funcionalidade.

Como é no Japão

No Japão, o que existe são “instalações de evacuação” destinadas a situações de ataque armado, conforme previsto em lei, além das “instalações de evacuação emergencial temporária”, usadas para proteção por curtos períodos contra ondas de choque, estilhaços e impactos indiretos. Essas estruturas incluem prédios robustos de concreto e também áreas subterrâneas, como estações de metrô, shoppings e porões.

Essas instalações não são consideradas “bunkers” nem abrigos fortemente reforçados para resistir a ataques ou explosões nucleares. Segundo dados de abril de 2025, o país conta com 102.141 instalações de evacuação e 61.142 instalações de evacuação emergencial temporária. Destas, 4.233 são subterrâneas ou possuem áreas acessíveis no subsolo.

Em Tóquio, há 821 instalações subterrâneas classificadas como evacuação emergencial temporária. Gifu possui 301, Ishikawa conta com 211, Toyama tem 157 e Aichi registra 168. Ainda assim, o próprio governo japonês não apresenta essas estruturas como “à prova de ataque nuclear”.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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