Polícia do Japão vai tornar teste para motoristas idosos mais rigoroso

Tóquio – A Agência Nacional de Polícia do Japão (ANP) revisará o teste obrigatório de habilidades de direção aplicado a motoristas com 75 anos ou mais que cometeram determinadas infrações de trânsito. A decisão vem após um estudo da polícia constatar que esses condutores são mais propensos a se envolver em acidentes.
De acordo com a Agência, o índice de acidentes provocados por motoristas que fizeram o teste de habilidades foi 2,8 vezes maior do que o registrado entre aqueles que não estavam sujeitos a ele, publicou a Jiji Press.
Como o teste parece não estar funcionando de forma eficaz, a Agência decidiu reexaminar o conteúdo aplicado aos motoristas mais velhos. Para isso, criará um painel de especialistas para discutir possíveis reformas e compilar um relatório já em agosto.
Um funcionário da ANP disse que a revisão do sistema busca garantir a identificação precisa de motoristas que possam representar um risco à segurança no trânsito.
Teste iniciou em 2022
O teste de habilidades de direção começou a ser aplicado em 2022, com o objetivo de avaliar o declínio das funções físicas entre motoristas idosos.
O exame é obrigatório para motoristas com 75 anos ou mais que tenham cometido determinadas infrações de trânsito, como avançar o sinal vermelho ou dirigir em excesso de velocidade, nos três anos anteriores ao aniversário que antecede o vencimento da carteira de habilitação.
Esses motoristas não poderão renovar o documento caso não sejam aprovados no teste prático de direção, que analisa a capacidade de seguir a sinalização, como placas e semáforos, e de operar o volante e os freios.
Em geral, pelo menos 10% dos motoristas que renovam suas carteiras de habilitação estão sujeitos ao teste. No ano passado, 156.513 condutores fizeram o exame, e 93% deles foram aprovados.
Para definir se o teste continuava eficaz, a polícia fez uma pesquisa de acompanhamento, monitorando acidentes e infrações por dois anos. Foram analisadas 5.270 pessoas que passaram no teste entre maio e agosto de 2023 e outras 8.233 que participaram do curso de treinamento para motoristas idosos sem histórico das infrações que tornam o exame obrigatório.
A pesquisa mostrou que ocorreram 83 acidentes entre os participantes do teste e 47 entre aqueles que fizeram o curso de treinamento.
Com base nisso, a polícia concluiu que o índice de acidentes entre os que passaram pelo teste foi 2,8 vezes maior do que entre os que participaram do curso de treinamento.
O índice foi 4,5 vezes maior entre motoristas com idades entre 75 e 79 anos. O índice de infrações de trânsito também foi cerca de duas vezes maior entre os participantes do teste.
A causa mais comum dos acidentes foi a observação inadequada à frente, à esquerda e à direita. O estudo encontrou uma correlação entre esses acidentes e itens que geram mais pontos de penalidade no teste prático de direção, incluindo deixar de parar em uma placa de pare.
Agora, a Agência quer tornar o teste mais rigoroso, com a revisão dos critérios de pontuação ou a inclusão de novos itens a serem avaliados. O painel também deve considerar medidas destinadas a reduzir acidentes causados pelo acionamento equivocado do acelerador em vez do freio, um tipo de acidente comum entre motoristas idosos.
Foto: Canva







































