Plástico bolha vira ferramenta científica em pesquisa japonesa

2026/01/16 08:18
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Tóquio - O plástico bolha é usado para proteger objetos contra impactos e também é divertido para quem gosta de estourá-lo. Mas uma equipe de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Shibaura e de outras entidades encontrou outro uso para o produto: avaliar a condição de tubulações.

Quem explica a nova utilidade do irresistível plástico bolha é o professor de dinâmica mecânica Naoki Hosoya. Ele também se divertia estourando as bolhas do material quando percebeu que os estalos periódicos e agradáveis deixavam um eco persistente e poderiam fornecer uma resposta segura, econômica e simples para o que ele procurava, segundo o Asahi.

Hosoya busca maneiras de inspecionar tubulações por meio da acústica, método que consiste em emitir um som próximo à tubulação que precisa ser avaliada e, em seguida, analisar as reverberações.

Ultimamente, o pesquisador tem se mantido ocupado tentando criar tecnologias para detectar quando superfícies de concreto estão descascando e se há rachaduras em peças de aeronaves.

Para obter os resultados desejados, Hosoya e sua equipe utilizam emissores de laser, alto-falantes e até pólvora para gerar sons durante inspeções em tubulações. Dependendo do caso, alguns métodos podem custar até 10 milhões de ienes.

Foi então que, ao estourar plástico bolha, o pesquisador observou que o material poderia ser usado nessas análises, já que é acessível, dispensa o uso de eletricidade e é conveniente para ambientes confinados.

Antes de utilizar o material, a equipe de Hosoya realizou testes, medindo o volume dos estalos, suas frequências e outras características de quatro tipos diferentes de plástico bolha.

Os testes parecem ter sido divertidos, já que a equipe obteve quase 1.000 estalos usando pinças para estourar as bolhas.

O que os pesquisadores notaram foi que o estouro das bolhas produzia sons curtos, fortes e estáveis, inclusive com tons agudos que só puderam ser captados por aparelhos específicos.

Eles também realizaram um experimento para detectar um objeto colocado dentro de um tubo de cloreto de polivinila. O mais interessante é que conseguiram determinar a distância até o objeto com uma taxa de precisão de 2%. Isso equivale a uma margem de erro de apenas 2 centímetros quando o objeto está a 1 metro de distância.

Hosoya explicou que o objetivo do uso do plástico bolha é realizar inspeções de baixo custo e da maneira mais simples possível.

Obviamente, o método não é tão preciso quanto o uso de alto-falantes e outras ferramentas especializadas, mas atende às necessidades dos pesquisadores na condução de inspeções amplas.

O pesquisador considerou: "O plástico-bolha está prontamente disponível e todos sabem o que é. Ficaria feliz se as pessoas se interessassem, pensando que coisas assim podem ser objeto de pesquisa."

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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