Negociações salariais no Japão buscam aumento acima de 5%

Tóquio – Tradicionalmente, as negociações salariais entre empresas e sindicatos trabalhistas ocorrem durante a primavera. E neste ano terão muito o que negociar, já que os salários reais do Japão em 2025 caíram 1,3% em relação ao ano anterior. É o quarto ano consecutivo de queda, aumentando o peso dos preços dos produtos sobre o orçamento das famílias. Veja como funcionam as negociações salariais no Japão.
Segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, os salários nominais, ou a média dos rendimentos mensais em dinheiro por trabalhador, incluindo o salário base e o pagamento de horas extras, aumentaram 2,3% no ano passado, para 355.919 ienes (US$ 2.260), subindo pelo quinto ano consecutivo, publicou a Kyodo.
O problema é que os preços ao consumidor aumentaram 3,7% no ano passado, pesando sobre os salários que haviam sido ajustados pela inflação.
Nas negociações trabalhistas e patronais de 2025, as grandes empresas aceitaram aumentar os salários de seus trabalhadores na média de 5,39%, segundo a Federação de Negócios do Japão (Keidanren).
Neste ano de 2026, as negociações visarão um aumento acima de 5%. O Banco do Japão deverá monitorar os resultados das negociações, já que salários e preços mais altos são fatores fundamentais em suas decisões de política monetária.
Entenda como funciona
As negociações salariais são chamadas de “shunto”, ou ofensiva salarial de primavera, ocorrendo entre fevereiro e março. No ano passado, foi acordado o aumento médio de 5,25%, o maior em 30 anos.
Apesar de os salários nominais terem aumentado, os salários reais (ajustados pela inflação) sofreram queda. E o principal desafio é encontrar um bom termo para que as pequenas e médias empresas também concedam aumentos aos seus funcionários.
O sistema de negociação do Japão é um pouco diferente do que existe em outros países, pois é baseado em sindicatos de empresas. A Confederação Sindical Japonesa (Rengo) representa 7 milhões de trabalhadores e apresenta sua meta de aumento. Quem responde pelas empresas é a Keidanren.
Os líderes de Rengo e Keidanren se reúnem para apresentar suas propostas. Em seguida, sindicatos individuais apresentam suas demandas às suas empresas. Em março geralmente ocorre o chamado “yamaba”, ou o pico, quando as grandes corporações como Toyota e Hitachi, por exemplo, anunciam suas respostas às reivindicações.
O impacto das negociações “shunto” influencia não apenas o setor privado, mas também os salários do funcionalismo público e o ajuste do salário mínimo nacional.
Foto: Canva








































