Japão rejeita rumores de que esteja promovendo imigração da África

Kanagawa – O governo japonês designou quatro cidades do país como “cidades-irmãs” de localidades em nações da África. A decisão foi comunicada durante a Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento da África (TICAD) 2025, realizada recentemente em Yokohama (Kanagawa). Mas a iniciativa está gerando conflito de informações.
A designação coube à Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), responsável por programas de cooperação em países em desenvolvimento.
- A cidade de Nagai (Yamagata) fica ligada à Tanzânia.
- Kisarazu (Chiba) à Nigéria.
- Sanjo (Niigata) a Gana.
- Imabari (Ehime) a Moçambique.
O Japão busca fortalecer o intercâmbio com esses países, conectando oficialmente municípios que já mantêm relações com as nações africanas. A meta é promover o intercâmbio de recursos humanos em ambos os sentidos, formando profissionais que possam atuar como ponte com a África.
O governo japonês também espera que a designação contribua para um aumento populacional nas cidades envolvidas, como parte dos esforços de revitalização regional.
Funcionários do Ministério das Relações Exteriores do Japão destacam que, até 2050, a população africana deverá representar cerca de um quarto da população mundial, sendo essencial que o Japão incorpore a vitalidade do continente.
Conferência
A TICAD, criada em 1993 e voltada ao desenvolvimento da África, chegou à sua nona edição neste ano, reunindo representantes de 49 nações africanas.
O primeiro-ministro Shigeru Ishiba comentou: “Esta se tornou uma oportunidade crucial para definir a parceria entre o Japão e a África nos próximos 30 anos”. O premiê acrescentou ainda que “o Japão vai tomar emprestada a sabedoria da África”.
Problemas
Críticos argumentam que a iniciativa pode criar enclaves étnicos, enquanto defensores a consideram uma tábua de salvação para regiões rurais em declínio.
Na quarta-feira (27), o governo japonês negou que a designação de cidades irmãs vise promover a imigração da África, publicou o Japan Today.
As prefeituras das cidades receberam telefonemas e e-mails de protesto, com pessoas alegando que o plano do governo aumentará o número de imigrantes, o que pioraria a ordem pública.
O Ministério das Relações Exteriores informou na segunda-feira (25) que Tóquio "não tem planos de tomar medidas para promover a aceitação de imigrantes ou emitir vistos especiais para residentes de países africanos".
Após o anúncio, o governo nigeriano precisou corrigir nesta semana uma informação divulgada na sexta-feira (22), de que o Japão "criaria uma categoria especial de visto para jovens nigerianos altamente qualificados, inovadores e talentosos que desejam se mudar para Kisarazu para viver e trabalhar".
Mas não demorou muito para, no Google Maps, a prefeitura de Kisarazu aparecer temporariamente como "a prefeitura nigeriana".
Uma mídia da Tanzânia noticiou que Nagai havia sido “consagrada em homenagem à Tanzânia" e que o Japão "concedeu" a cidade à nação africana.
O prefeito de Kisarazu, Yoshikuni Watanabe, criticou a JICA e o Ministério das Relações Exteriores por "preparações insuficientes".
A próxima TICAD será realizada na África, em 2028.
Foto: Reprodução
Primeiro-ministro Shiberu Ishiba durante a TICAD







































