Imóveis onde moradores morreram são vendidos com desconto no Japão

Tóquio – Uma empresa japonesa com sede em Tóquio se especializou em imóveis onde ocorreram mortes. A Marks Life administra a Jobutsu Fudosan, serviço iniciado em abril de 2019 e voltado para imóveis onde foram registradas mortes solitárias ou suicídios, publicou o Friday Digital.
O presidente da empresa, Koji Hanahara, afirma que as vendas estão indo bem. A empresa tem filiais em vários pontos do Japão, como Yokohama, Sendai, Chiba, Saitama, Nagoya, Osaka e Fukuoka, entre outras. Curiosamente, pelo perfil do serviço, a Jobutsu Fudosan recebe indicações de locais onde ocorreram mortes até mesmo de outras imobiliárias.
Ele explica que o preço de venda desses imóveis varia conforme a forma como o antigo residente morreu. Em caso de morte solitária, o valor do imóvel costuma ficar cerca de 10% abaixo do mercado. Se houve suicídio, a queda é de aproximadamente 20%. Já quando o imóvel foi palco de homicídio, o preço pode cair pela metade.
Existem alguns cuidados que a Jobutsu Fudosan toma para preparar o imóvel. No caso de mortes solitárias, por exemplo, em geral o falecimento só é descoberto depois de muitos dias por vizinhos ou parentes, e o odor gerado pela decomposição toma conta do ambiente.
Para lidar com isso, a Jobutsu Fudosan contrata uma empresa especializada para fazer a limpeza e reparar o piso, que pode ficar marcado pelos fluidos da decomposição. Como esse tipo de situação se torna um grande peso para o proprietário do imóvel e para os familiares, a empresa compra o local no estado em que se encontra e cuida de sua preparação para a revenda.
Apesar de ser um negócio, o serviço também organiza todos os pertences deixados pelo antigo morador e chama um monge para realizar uma cerimônia no local onde ocorreu o falecimento.
A morte solitária é um fenômeno que se tornou comum no Japão. Ela ocorre quando o residente de um imóvel morre sem ter alguém por perto. Em alguns casos, o falecimento só é notado depois de oito dias ou mais, dependendo do contato que a pessoa mantinha com vizinhos e familiares.
Uma estimativa sobre mortes isoladas, divulgada pelo Gabinete do Governo, revelou que em 2025 ocorreram 22.222 casos, aumento de 366 mortes em relação ao ano anterior. A estatística apontou que oito em cada dez vítimas eram homens.
O Instituto Nacional de Pesquisa sobre População e Seguridade Social informou que a proporção de domicílios unipessoais deve subir de 38,0%, registrada em 2020, para 44,3% em 2050.
Foto: Canva








































