Hamamatsu Matsuri 2025: Céu, Ruas e 130 anos de amizade Japão‑Brasil

HAMAMATSU, Japão (maio 2025) — O Hamamatsu Matsuri encerrou sua edição de 2025 registrando 2,5 milhões de visitantes em três dias, segundo a organização. Com 452 anos de história, o festival manteve a tradição das batalhas diurnas de pipas gigantes nas dunas de Nakatajima e dos desfiles noturnos de carros alegóricos (daisha) que iluminam o centro da cidade.
Pipas nipo‑brasileiras no céu de Nakatajima
Nesta edição, a comunidade brasileira participou pela primeira vez com duas pipas comemorativas confeccionadas pela Prefeitura de Hamamatsu: uma de 360 cm × 360 cm (6 tatames, 4 kg) e outra de 200 cm × 200 cm (4 tatames). Os modelos exibiam o selo dos 130 anos de amizade, o logotipo “Brasil” da Embratur e o brasão municipal. Com apoio de veteranos japoneses, 15 brasileiros da região oeste da província aprenderam as técnicas de empinar esses enormes artefatos.
A vibração foi imediata: em vez do tradicional canto “Oisho!”, ouviu‑se um revezamento de “Brasil! Brasil!” e “Japão! Japão!” — coro que ganhou o reforço do prefeito de Hamamatsu, Sr. Yusuke Nakano, que puxou as cordas da pipa nipo‑brasileira ao lado dos participantes.
Desfile multicultural no centro
À noite, o centro de Hamamatsu recebeu um desfile precedido por fanfarras estudantis e encerrado pela Banda do Corpo de Bombeiros. O bloco brasileiro reuniu cerca de 80 integrantes — Conselho de Cidadãos, empresários, estudantes e grupos de samba e capoeira — que percorreram as avenidas Kajimachi‑dōri e Hirokōji‑dōri sob aplausos do público.
O evento incluiu ainda o retorno, após 110 anos, do grupo comunitário de Shinmei‑chō, reforçando o elo entre passado e presente do festival.
O cônsul‑geral do Brasil em Hamamatsu, Aldemo Garcia, resumiu o clima: “Foi uma experiência impressionante. Estamos muito gratos por esta amizade duradoura entre nossos países
Assista aqui o momento que as pipas subiram e desceram: https://youtube.com/shorts/4EyST4DA8Rc?feature=share
https://youtube.com/shorts/p_HfVCDlvSE?feature=share
Brasil no Céu de Hamamatsu : Entrevista com Adriana Sugino
Moradora de Hamamatsu há 13 anos, coordenadora do IIEC e integrante do Conselho de Cidadãos; ajudou a organizar o bloco brasileiro.

Conte como foi erguer a pipa comemorativa (aprox. 3 × 3 m) em Nakatajima: que sensações você teve e quais foram os maiores desafios?
“Foi uma sensação de alegria e satisfação ter uma pipa brasileira comemorando os 130 anos. Japoneses e brasileiros vibraram juntos num festival que atraiu mais de dois milhões de pessoas. A pipa subiu — e, como dizem, quando a pipa sobe é sinal de coisa boa.
Os desafios foram grandes: a pipa é cara, mas a prefeitura doou e seguiu todos os rituais de fabricação. Também precisávamos de brasileiros dispostos; muitos nem conheciam o festival. O consulado correu atrás de participantes e patrocínio, e vários japoneses e brasileiros trabalharam duro. No fim, ver a festa linda, todos aplaudindo, compensou tudo.”

Como foi desfilar, ao lado da Banda do Corpo de Bombeiros como foi essa experiência?
“Foi nossa primeira vez desfilando na cidade; não tivemos muito tempo de planejar e nem ensaiar. A banda dos bombeiros, crianças, capoeira, baianas, escolas — todo mundo junto. Mesmo rápido, os japoneses aplaudiram muito. A alegria brasileira contagiou e ficou na mesma sintonia dos japoneses. Organizar só com voluntários foi cansativo, mas resultou numa festa pioneira e muito bonita.”

O que mais a surpreendeu ou emocionou ao vivenciar essas duas tradições japonesas representando o Brasil?
“Hamamatsu é multicultural, mas a receptividade japonesa superou tudo: muitos vieram conversar, contar que tinham parentes no Brasil e agradecer o desfile. Senti felicidade mútua: nós fazemos nossa parte, os japoneses também. Durante os três dias ouvi muitos parabéns, e isso foi muito positivo.”
O que representar o Brasil nos 130 anos de amizade Japão‑Brasil significou para você, e que mensagem deixaria a quem deseja participar de eventos culturais no Japão?
“Poucos brasileiros participam, e o festival acontece todo ano. Eu comecei porque uma amiga japonesa me convidou. Agora que muitos querem morar aqui, participar ajuda a entender a cultura, facilita nossa vida e cria amizades. Esta comemoração marcou a primeira participação forte dos brasileiros. A pipa deve ficar no Museu das Pipas, para não esquecermos essa festa. Quanto mais brasileiros entrarem nesses eventos, mais aprenderão japonês, farão amigos e enriquecerão a convivência.”














































