Governadora defende taxa de coleta de lixo doméstico nos 23 distritos de Tóquio

Tóquio – Os moradores dos 23 distritos de Tóquio poderão passar a pagar pela coleta de lixo, a depender da decisão da governadora Yuriko Koike. Ela defendeu a introdução de taxas para o descarte de resíduos domésticos, embora reconheça que a decisão final caberá a cada distrito.
Koike afirmou que fornecerá dados sobre os benefícios e exemplos de implementações bem-sucedidas para incentivar a mudança. Atualmente, 29 municípios na região de Tama, no oeste da capital, cobram pelo descarte do lixo queimável, enquanto os 23 distritos cobram apenas por itens de grandes proporções, como ocorre em outras cidades do Japão, segundo publicaram o Japan Times e o Japan Daily.
A gestão do lixo doméstico é uma responsabilidade dos municípios, e não do governo da província, o que faz com que cada região tenha suas próprias regras.
Um dos argumentos em favor da cobrança é que os aterros sanitários podem atingir suas capacidades máximas. A cobrança pela coleta, na visão dos defensores da medida, incentivaria os moradores a reduzir a quantidade de lixo produzido.
Um dos municípios que já cobra pela coleta é Musashino, no oeste de Tóquio. Lá, os moradores pagam por sacos de lixo designados pela prefeitura, com preços que variam de 100 ienes a 800 ienes por 10 sacos, dependendo do tamanho.
Yuriko Koike disse em uma entrevista sobre o assunto que muitas pessoas se surpreendem ao saber que os distritos ainda não cobram pela coleta de lixo. Segundo ela, na região de Tama a medida provocou queda na geração de resíduos.
Dados do Ministério do Meio Ambiente indicam que 67% dos municípios em todo o país cobravam pela coleta de resíduos até 2022.
A ilha artificial de Yumenoshima, no distrito de Koto, funcionava como aterro sanitário, mas atingiu sua capacidade total em 1966. Outros aterros devem chegar ao limite em cerca de 50 anos.
Os resíduos de residências e empresas em Tóquio destinados a aterros diminuíram até 2009, graças a maiores esforços voltados à reciclagem, mas estagnaram desde então, de acordo com o governo metropolitano.
A maior parte do lixo enviada aos aterros vem dos 23 distritos. A maioria dos municípios da região de Tama conseguiu eliminar o envio de resíduos a aterros desde 2018 como resultado da cobrança pela coleta e do incentivo à reciclagem.
Nem todos os moradores, porém, concordam com a proposta. Um residente reclamou em uma postagem na internet que Tóquio deveria cobrir esses custos com os impostos arrecadados. “A prefeitura deve acabar com o desperdício de dinheiro público em projetos amplamente rejeitados pela população”, escreveu na postagem do Japan Daily.
No Yahoo News, outro comentou: “É um fardo enorme para os aposentados que não conseguem aumentar sua renda. Sou de uma família sem filhos e mesmo pagando muitos impostos, recebemos poucos serviços do governo local. Em breve seremos cobrados como pedestres só por andar na calçada.” Já outro internauta questionou: “Para que estamos pagando impostos?”
Foto: Canva







































