França endurece regras contra produtos feitos para durar pouco

2026/07/10 13:00
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França – Sabe aquele produto que tem vida útil bem curta, que quando quebra praticamente não tem conserto? Pois a França decidiu acabar com essa prática. O país está combatendo a chamada “obsolescência programada”, que consiste em produtos fabricados deliberadamente com vida útil limitada.

Apesar de a prática ser considerada crime desde 2015, a França ampliou nos últimos anos os instrumentos para forçar fabricantes a produzir itens mais duráveis, noticiou o The Carbon Closet.

A principal mudança agora é a adoção do índice de durabilidade, que começou a substituir o índice de reparabilidade em 2025 para produtos como televisores e máquinas de lavar. A nova classificação leva em conta não apenas a facilidade de conserto, mas também a confiabilidade, a robustez e a resistência dos produtos.

Quando uma empresa fabrica um produto para se desgastar, ficar ultrapassado ou até perder funcionalidades antes do necessário, a prática é chamada de obsolescência programada. Isso se dá com o uso de materiais de baixa qualidade ou, no caso do mundo digital, impondo atualizações de software e limitações de compatibilidade.

Com a limitação da vida útil dos produtos, ocorre um aumento do consumo e, consequentemente, do acúmulo de lixo. No caso de eletrônicos, há quatro anos foram geradas mais de 62 milhões de toneladas de lixo no mundo, sendo que menos de um quarto do total foi reciclado, de acordo com as Nações Unidas.

Outro setor que sofre grande rotatividade de produtos é o da moda, que vive de tendências. Os materiais de baixa qualidade forçam os consumidores a comprar novos itens com maior frequência. Os itens descartados aumentam o volume dos aterros sanitários ou lixões.

O que a França busca agora é que haja o “direito ao reparo”. Os eletrônicos exibem desde 2021 uma nota de índice de reparabilidade, para que o consumidor tenha ciência das possibilidades de o aparelho ser consertado.

Enquanto o consumidor ganha mais poder de escolha, as empresas passam a projetar produtos mais duráveis e reparáveis.

Ao mesmo tempo, a União Europeia também busca diminuir os resíduos, ampliando a legislação e a sustentabilidade dos produtos nos países-membros.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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