Falta de chuva leva cidades do Japão a pedir economia de água

Tóquio – O Japão enfrenta uma situação de escassez hídrica em várias regiões devido à falta de chuva, levando o governo central, províncias e municípios a adotar restrições de captação e a pedir economia de água à população.
O problema atinge sistemas de abastecimento e bacias hidrográficas em regiões como Aichi, Mie, Nara, Tottori, Shimane, Tokushima, Kagawa, Fukuoka e Saga. Outras províncias, como Hyogo e Kochi, também adotaram medidas neste mês, com mudanças posteriores de acordo com o volume das chuvas e a recuperação dos reservatórios. Em várias cidades, as autoridades já pedem diretamente aos moradores que reduzam o consumo de água.
É importante destacar que "restrição de captação" não significa necessariamente "racionamento de água". Na maior parte desses locais, as autoridades estão reduzindo a quantidade retirada de rios ou reservatórios, recorrendo a fontes alternativas e pedindo economia para evitar que a situação chegue ao ponto de provocar cortes no abastecimento doméstico.
O Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo criou em 6 de agosto uma "Sala de Informações sobre Escassez Hídrica" (渇水情報連絡室) para reforçar a coleta e o compartilhamento de informações sobre a situação em todo o país.
O órgão justificou a medida pela tendência de pouca chuva, principalmente no leste e no oeste do Japão, e pediu a colaboração da população para economizar água nas regiões afetadas.
A Agência Meteorológica do Japão (JMA) também vem registrando volumes de chuva muito abaixo do normal em várias regiões.
A Japan Water Agency (https://www.water.go.jp/honsya/honsya/index.html) mantém uma página específica para acompanhar a seca iniciada em agosto de 2026, com informações sobre sistemas das bacias dos rios Tone e Ara, em Kanto; Toyokawa e Kiso, em Chubu; Yodo, em Kansai; Yoshino, em Shikoku; e Chikugo, em Kyushu.
Principais regiões afetadas
Aichi
Aichi é uma das províncias que merece atenção. Em 21 de agosto, o Toyokawa Yosui iniciou a primeira fase de restrição, com redução de 5% para abastecimento público, agricultura e indústria.
O sistema utiliza, entre outras fontes, os reservatórios Ure e Oshima, cujos níveis vêm sendo acompanhados diariamente pelas autoridades.
Toyohashi publicou um pedido direto à população, afirmando que o volume de chuvas está abaixo do normal e que a situação das fontes do Toyokawa Yosui piorou. O município pede que os moradores utilizem a água com cuidado enquanto durar a restrição.
No Aichi Yosui, as medidas de economia foram reforçadas em 26 de agosto. A redução passou para 20% no uso agrícola, 10% no abastecimento público e 20% no uso industrial.
No caso da água destinada ao abastecimento público e à indústria, entretanto, a redução efetiva continua em 0% porque o sistema está recorrendo a outras fontes para compensar a diminuição da água proveniente do reservatório Makio.
Mie
A região de Hokusei, em Mie, vem sofrendo com baixos volumes de precipitação desde 2025. O Mie Yosui voltou a enfrentar medidas de economia, que foram reforçadas em 14 de agosto.
Atualmente, as reduções são de 30% para água agrícola, 20% para abastecimento público e 30% para uso industrial.
Yokkaichi também pediu à população das áreas atendidas pelo Mie Yosui que continue economizando água. A prefeitura ressalta que não há, por enquanto, problema no abastecimento residencial porque dispõe de outras fontes, mas considera necessário reduzir preventivamente o consumo.
Kinki: Hyogo e Nara
O Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo criou em 7 de agosto uma sede regional de combate à seca para Kinki.
Na bacia do rio Kako, em Hyogo, as autoridades iniciaram medidas voluntárias de economia depois que o nível do Kako River Weir apresentou queda e havia previsão de que ficasse abaixo de 90%.
Na bacia do Yodo, o reservatório Muro, que abastece principalmente áreas de Nara, também levou as autoridades a adotar medidas voluntárias de economia depois que seu nível se aproximou de 75%.
As medidas não significam que toda Hyogo ou toda Nara esteja enfrentando restrições de água, pois são ações relacionadas a determinadas bacias e sistemas de abastecimento.
Tottori
A situação no oeste de Tottori continua sendo acompanhada com atenção. O Ministério da Infraestrutura da região de Chugoku mantém medidas na bacia do rio Hino.
As restrições de captação chegaram a 20% no início de agosto. Depois das chuvas, foram temporariamente suspensas em 12 de agosto, mas, como a vazão do rio voltou a diminuir, as autoridades retomaram as restrições no dia 15, inicialmente em 10%.
Em 21 de agosto, diante da continuidade da seca, a restrição foi elevada para 15% para abastecimento público, indústria e agricultura.
A situação está relacionada também à forte queda no nível do reservatório Sugesawa, localizado na mesma bacia.
A região afetada compreende principalmente o oeste da província, incluindo a área de Yonago. Trata-se de uma restrição de captação no sistema hídrico, e não de racionamento doméstico.
Shimane
Na bacia do rio Hii, o reservatório Obara caiu abaixo de 50% de sua capacidade, levando à primeira fase formal de ajuste por seca.
Izumo informou em 12 de agosto que o volume de água que normalmente deve ser garantido em um dos pontos de controle estava sendo reduzido em 60%. Na prática, a vazão garantida passou para aproximadamente 40% do volume normal.
O pedido municipal é especialmente dirigido ao uso agrícola. Izumo também abriu apoio financeiro para agricultores adquirirem ou alugarem bombas, perfurarem poços e transportarem água.
Até o momento, não há indicação de racionamento residencial em Izumo.
Em outra região de Shimane, ligada aos reservatórios Fube e Yamasa, também foram adotadas restrições de 10% para água destinada a usos urbanos.
Tokushima
A bacia do rio Yoshino entrou em sucessivas fases de restrição devido à falta de água.
Em 19 de agosto, a redução chegou a 50% no sistema do Yoshino, atingindo, entre outros usos, água destinada à região de Tokushima.
Com a queda contínua do reservatório Sameura, uma nova etapa de restrições foi programada para começar em 28 de agosto, elevando para 60% a redução da água correspondente às cotas sujeitas ao controle.
Na bacia do rio Naka, entretanto, a situação melhorou depois das chuvas, e as restrições foram retiradas em 17 de agosto. A província informa que, atualmente, não há situação de seca nesse sistema.
Kagawa tem uma das situações mais graves
Kagawa apresenta uma das situações mais graves entre as regiões afetadas.
O Kagawa Yosui entrou nesta sexta-feira (28) na quarta fase de restrição de captação devido à forte queda do nível do reservatório Sameura.
A primeira fase começou em 3 de agosto, com redução de 20%. Em 10 de agosto, a restrição aumentou para 35% e, em 19 de agosto, chegou a 50%.
A partir das 9h desta sexta-feira, a redução foi elevada para 60%, nível que não era adotado no sistema havia 18 anos.
A situação do reservatório Sameura piorou rapidamente. Em 20 de agosto, estava com 34,1% de sua capacidade destinada ao uso da água, enquanto a média histórica para a data era de 79,9%. Às 17h de quinta-feira (27), o nível havia caído para 22,4%.
A província criou uma sede de combate à seca e está pedindo à população que economize água, inclusive diminuindo o tempo do banho, fechando as torneiras enquanto a água não estiver sendo utilizada e reaproveitando a água da banheira para lavar roupas ou fazer limpeza.
As autoridades também adotaram medidas no sistema de distribuição, incluindo a redução da pressão da água em partes de Takamatsu e Marugame, mantendo, porém, níveis que não devem prejudicar o cotidiano dos moradores.
Para compensar parte da redução proveniente do Sameura, as autoridades também estão utilizando água armazenada no reservatório regulador Hozan, em Mitoyo.
Fukuoka
O sistema do rio Chikugo voltou a apresentar problemas depois de uma melhora temporária, e vários municípios estão pedindo formalmente economia de água.
Asakura criou uma sede municipal de combate à seca em 12 de agosto e, no dia seguinte, divulgou orientações à população, pedindo economia.
Dazaifu criou em 20 de agosto uma "Sede de Promoção da Economia de Água". Segundo a prefeitura, depois do fim da estação chuvosa, houve poucos episódios de chuva significativa, provocando uma forte queda no nível dos reservatórios ligados ao sistema utilizado pela região metropolitana de Fukuoka.
Chikushino também pede redução voluntária do consumo. Em 17 de agosto, os reservatórios Egawa e Terauchi estavam juntos com 45,2% da capacidade.
Considerando os reservatórios Egawa, Terauchi, Chikugo Ozeki, Gousho e Oyama, o nível conjunto estava em 56,6%.
A prefeitura ressalta que ainda não há restrição no fornecimento de água.
A situação preocupa a região metropolitana de Fukuoka porque os 17 municípios que a compõem dependem do rio Chikugo para aproximadamente um terço da água utilizada no abastecimento.
Saga
Em Saga, o governo provincial também está pedindo uso cuidadoso da água.
Em 11 de agosto, os 13 principais reservatórios administrados pela província estavam, em conjunto, com 77,1% da capacidade, abaixo da média de 88,9% registrada no mesmo período nos dez anos anteriores.
A situação é mais concreta em Imari. A cidade criou em 12 de agosto uma sede de combate à seca do departamento municipal de água e esgoto e pediu oficialmente à população que colabore com a economia de água.
Situação pode mudar rapidamente com as chuvas
A situação varia de acordo com cada bacia e pode melhorar ou voltar a se agravar em poucos dias.
Em Kochi, por exemplo, as medidas voluntárias de economia de água na bacia do rio Kagami foram retiradas em 17 de agosto depois que as chuvas elevaram o nível do reservatório. No entanto, com a continuidade da pouca chuva, a economia voluntária voltou a ser adotada em 24 de agosto, com redução de cerca de 40% para a água destinada à agricultura.
Na bacia do rio Naka, em Tokushima, as restrições foram retiradas em 17 de agosto e não haviam sido retomadas até a última atualização.
Apesar das melhorias pontuais em algumas regiões, o governo central continua acompanhando a situação nacional. O Ministério da Infraestrutura mantém um portal com informações sobre escassez hídrica em todo o país e pede que os moradores das regiões com pouca chuva colaborem com a economia de água.
Foto: Canva






































