Estudo mostra que viuvez afeta homens e mulheres de formas diferentes no Japão

2026/07/04 07:32
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Tóquio – Uma pesquisa da Universidade de Chiba revelou que mulheres idosas tendem a registrar aumento da felicidade e da satisfação com a vida anos após a morte do cônjuge, enquanto homens idosos viúvos apresentam risco duas vezes maior de desenvolver demência.

O estudo, publicado na revista ScienceDirect, envolveu outras instituições além da Universidade de Chiba e analisou a situação de homens e mulheres com 65 anos ou mais que eram casados em 2013, noticiou o jornal The Asahi.

Os pesquisadores se basearam nos resultados de questionários e em dados do sistema público de seguro de cuidados de longa duração para dividir cerca de 60 mil participantes em três grupos: sem perda do cônjuge; perda entre 2013 e 2015; e perda entre 2015 e 2016.

Entre os resultados obtidos, a análise de 37 indicadores mostrou que os homens idosos tiveram risco 1,9 vez maior de morrer entre três e quatro anos após o falecimento da esposa, e 2,3 vezes maior de desenvolver demência entre quatro e seis anos após a perda da companheira.

Os homens também apresentaram probabilidade 2,9 vezes maior de receber cuidados públicos de longa duração em um período de quatro a seis anos após a viuvez.

Entre as viúvas, o risco de demência aumentou 1,4 vez no período de três a quatro anos após a perda do companheiro. Os pesquisadores notaram ainda que elas apresentaram probabilidade 1,6 vez maior de receber cuidados de saúde entre três e quatro anos após a morte do cônjuge.

O estudo revelou que os homens tiveram maior risco de sofrer depressão e de apresentar sentimentos de desesperança um ano após a morte da companheira, enquanto entre as mulheres não foi identificado aumento semelhante.

Curiosamente, a pesquisa notou que as viúvas apresentaram aumento de 1,3 vez no bem-estar e de 1,1 vez na satisfação com a vida entre três e quatro anos depois do falecimento do marido.

Com relação à vida social, as viúvas tiveram probabilidade 3,1 vezes maior de se tornarem sedentárias um ano após a morte do esposo.

Os viúvos apresentaram probabilidade 10% menor de receber apoio de outras pessoas.

Para Kenjiro Kawaguchi, um dos autores do estudo, uma possível explicação é que muitos homens idosos no Japão viveram centrados no trabalho, enquanto as mulheres idosas assumiram o papel de cuidadoras, além de serem responsáveis pelas tarefas domésticas e outras atividades.

Com base nisso, Kawaguchi afirma que a perda de uma esposa nessas condições pode ser particularmente difícil para os viúvos, o que revela a necessidade de medidas de apoio específicas por gênero para pessoas que perderam seus cônjuges.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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