Estudo mostra que viuvez afeta homens e mulheres de formas diferentes no Japão

Tóquio – Uma pesquisa da Universidade de Chiba revelou que mulheres idosas tendem a registrar aumento da felicidade e da satisfação com a vida anos após a morte do cônjuge, enquanto homens idosos viúvos apresentam risco duas vezes maior de desenvolver demência.
O estudo, publicado na revista ScienceDirect, envolveu outras instituições além da Universidade de Chiba e analisou a situação de homens e mulheres com 65 anos ou mais que eram casados em 2013, noticiou o jornal The Asahi.
Os pesquisadores se basearam nos resultados de questionários e em dados do sistema público de seguro de cuidados de longa duração para dividir cerca de 60 mil participantes em três grupos: sem perda do cônjuge; perda entre 2013 e 2015; e perda entre 2015 e 2016.
Entre os resultados obtidos, a análise de 37 indicadores mostrou que os homens idosos tiveram risco 1,9 vez maior de morrer entre três e quatro anos após o falecimento da esposa, e 2,3 vezes maior de desenvolver demência entre quatro e seis anos após a perda da companheira.
Os homens também apresentaram probabilidade 2,9 vezes maior de receber cuidados públicos de longa duração em um período de quatro a seis anos após a viuvez.
Entre as viúvas, o risco de demência aumentou 1,4 vez no período de três a quatro anos após a perda do companheiro. Os pesquisadores notaram ainda que elas apresentaram probabilidade 1,6 vez maior de receber cuidados de saúde entre três e quatro anos após a morte do cônjuge.
O estudo revelou que os homens tiveram maior risco de sofrer depressão e de apresentar sentimentos de desesperança um ano após a morte da companheira, enquanto entre as mulheres não foi identificado aumento semelhante.
Curiosamente, a pesquisa notou que as viúvas apresentaram aumento de 1,3 vez no bem-estar e de 1,1 vez na satisfação com a vida entre três e quatro anos depois do falecimento do marido.
Com relação à vida social, as viúvas tiveram probabilidade 3,1 vezes maior de se tornarem sedentárias um ano após a morte do esposo.
Os viúvos apresentaram probabilidade 10% menor de receber apoio de outras pessoas.
Para Kenjiro Kawaguchi, um dos autores do estudo, uma possível explicação é que muitos homens idosos no Japão viveram centrados no trabalho, enquanto as mulheres idosas assumiram o papel de cuidadoras, além de serem responsáveis pelas tarefas domésticas e outras atividades.
Com base nisso, Kawaguchi afirma que a perda de uma esposa nessas condições pode ser particularmente difícil para os viúvos, o que revela a necessidade de medidas de apoio específicas por gênero para pessoas que perderam seus cônjuges.
Foto: Canva







































