Pesquisa mostra como homens e mulheres veem o adultério no Japão

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Tóquio – Uma pesquisa feita pela Rize Clinic com pessoas de 20 a 40 anos de idade revelou que 25% delas eram casadas e admitiram ter cometido adultério: 38,5% eram homens e 18,1%, mulheres. E entre solteiros, 21,7% eram mulheres e 12,9%, homens. Mas o que é considerado traição no Japão?

No país existem dois termos para traição: uwaki (traição), o mais casual e usado para encontros cursos e sem maiores consequências, e furin (caso extraconjugal), sendo que este tem um peso moral e jurídico maior, noticiou o Japan Today.  

Entre os entrevistados pela Rize Clinic, varia bastante o que cada um pensa sobre o assunto. Uma mulher de 35 anos disse: “Não me importo se ele dormir com outra, mas se tiver sentimentos por ela, acabou”. Outra, de 29 anos, comentou: “Qualquer contato desnecessário com outra mulher é traição.”

Um rapaz de 32 anos respondeu: “Se ela beijar outro cara, terminou. Beijo é só com quem você realmente se importa. O resto é só prazer.” Outro ainda disse: “Se não somos casados, ainda me considero solteiro. O que faço com outros é problema meu.”

Casamento sem sexo

O cotidiano na vida de casais é cheia de altos e baixos e são necessários vários cuidados para a manutenção do relacionamento. Mas quando falta o sexo no dia a dia, tudo pode complicar. Alguns dos motivos mais citados são dormir junto com os filhos, impotência masculina entre outros.

Uma mulher casada, de 42 anos, confessou: “Meu marido não conseguia manter a ereção. Passou a dar mais atenção às atrizes pornô do que a mim, e nosso casamento virou assexuado.”

No ano passado, a Associação Japonesa de Planejamento Familiar divulgou que 48,3% das pessoas que entrevistou confessaram estar em um relacionamento sem sexo. O levantamento da entidade revelou que 80% dos homens japoneses têm interesse em sexo, enquanto 40% das mulheres afirmaram não ter interesse algum.

Para 24% dos homens entrevistados, o problema está na “falta de interesse da parceira”, e 22,6% das mulheres disseram que “dá muito trabalho”.

Os comentários mostram bem como cada um encara uma situação, que deveria ser a mais natural possível. Uma mulher, de 33 anos, disse: “Claro que dá trabalho! Tenho emprego integral e cuido da casa, então por que deveria fazer sexo se não ganho nada com isso?”

Já um homem na faixa dos 40 anos, comentou: “Não temos filhos. Depois de alguns anos, minha esposa perdeu o interesse. Disse para eu procurar fora se fosse tão importante assim.”

Diferenças de libido

As pesquisas revelaram ainda que a diferença de libido pode prejudicar o bom relacionamento do casal. Um homem de 65 anos de idade confessou: “Você transa com sua esposa, mas quando ela vira mãe, perde o interesse. Sei que não é verdade, mas é difícil aceitar quando te dizem a vida toda que ter uma amante só para sexo é normal.”

Já uma mulher de 31 anos reclamou de não encontrar alguém no mesmo pique que ela: “É raro achar um namorado que ouça e aprenda o que você quer.”

No final, muitos confessaram que buscam sexo em soapland, espécie de banho público onde mulheres “lavam” o corpo de homens, ou então vão a outros estabelecimentos semelhanes. O que é mais interessante é que não contam como traição, já que se trata de um “serviço pago” com o objetivo de satisfazer uma necessidade física.

Os comentários que justificam essas escapadelas merecem atenção. Uma jovem de 30 anos comparou sexo como o cuidado com o cabelo ou as unhas. “Posso fazer sozinha, mas às vezes quero um tratamento profissional.”

Um homem de 39 anos reclamou que namorar sai caro e a última que teve era péssima na cama. “Então usei um serviço (de prostitutas) porque queria sexo de verdade”, disse. Uma mulher de 45 anos, casada, confessou que em um host club ela recebe a atenção e o carinho que nunca recebeu do marido.

Segundo a lei

No Código Civil do Japão, artigo 770, se a pessoa tem provas de adultério, ela pode pedir o divórcio. Mas nem sempre uma das partes do casal leva o caso para a justiça. A justificativa mais comum para isso é o dinheiro e os filhos. 

Uma mulher de 52 anos justificou que pagou metade da casa, mas não consegue mantê-la sozinha. “Enquanto ele pagar a parte dele, não me importo com o que faz”, diz. Já um homem de 38 anos, diz que se levar o divórcio adiante, não verá mais seus filhos. “Então fico assim”, resume.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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