Entenda o novo problema financeiro do Japão chamado ‘pobreza NISA’

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Tóquio – O mercado de investimentos no Japão está contando com mais investidores jovens. O valor médio mensal aplicado por pessoas na faixa dos 20 anos no sistema NISA chegou a 34.432 ienes. No entanto, surgiu um problema chamado “Pobreza NISA”. Entenda do que se trata.

O tema foi debatido em uma sessão do Parlamento japonês na terça-feira (10). A frase se refere a pessoas que, levadas pela ansiedade em relação ao futuro, priorizam os investimentos no NISA de tal forma que chegam a cortar despesas do cotidiano, ficando com dificuldades financeiras, publicou o News on Japan.

Quando a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, soube do fato, ficou chocada e disse que as pessoas precisam receber educação financeira adequada e objetiva, além de orientação para o planejamento de vida.

A Agência de Serviços Financeiros (FSA) do Japão informou que 70% dos usuários do NISA em 2024 ganhavam menos de 5 milhões de ienes por ano. Mais precisamente, 39,7% ganham menos de 3 milhões de ienes; 27,7% recebem entre 3 milhões e menos de 5 milhões de ienes; e 67,4% têm renda anual abaixo de 5 milhões de ienes.

Pesquisa da SMBC Consumer Finance aponta que o valor médio mensal investido por pessoas na faixa dos 20 anos subiu de 23.589 ienes em 2024 para 29.678 ienes em 2026, um aumento de cerca de 6.000 ienes. Ao mesmo tempo, caiu a média mensal de gastos pessoais, passando de 37.096 ienes em 2024 para 32.159 ienes em 2026.

Para fugir da “Pobreza NISA”, a planejadora financeira Nanako Tsukagoshi diz que o melhor é economizar cerca de 10% a 15% da renda anual primeiro e, em seguida, investir apenas a parcela que permaneceu sem uso por vários anos, incluindo o dinheiro reservado para despesas inesperadas.

Entenda como funciona o NISA

O Nippon Individual Savings Account (NISA) é um sistema criado pelo governo do Japão para incentivar o investimento entre pessoas físicas, oferecendo vantagens fiscais. Ele funciona como uma conta de investimento isenta de impostos sobre ganhos.

O principal benefício é que lucros obtidos com investimentos dentro do NISA não são tributados. Em uma conta normal, ganhos com ações, fundos ou ETFs costumam pagar cerca de 20% de imposto. No NISA, esse imposto é zero dentro de certos limites.

Desde 2024, o sistema foi reformulado e ficou mais simples e vantajoso. Hoje ele é dividido em dois tipos que podem ser usados ao mesmo tempo.

O primeiro é o Tsumitate NISA, voltado para investimentos de longo prazo e aportes mensais. Ele permite investir em fundos selecionados, geralmente mais estáveis e diversificados. Existe um limite anual de investimento, e os ganhos ficam isentos por tempo indefinido dentro do programa.

O segundo é o NISA de crescimento, que permite investir em ações individuais, ETFs e outros ativos com mais liberdade. Também há um limite anual, mas ele é maior que o do Tsumitate. Esse tipo é mais indicado para quem quer montar uma carteira mais ativa.

Outro ponto importante é o limite total ao longo da vida. Existe um teto máximo acumulado que a pessoa pode investir dentro do NISA. Depois de atingir esse valor, novos aportes precisam ser feitos fora do sistema, em contas tributadas.

A pessoa abre uma conta NISA em uma corretora ou banco no Japão, escolhe os ativos disponíveis dentro das regras do programa e começa a investir. Não há necessidade de declarar imposto sobre os ganhos obtidos dentro dessa conta, desde que respeitados os limites.

O objetivo do governo é estimular a população a investir em vez de manter dinheiro parado em poupança, algo bastante comum no Japão. Com isso, busca fortalecer o mercado financeiro e ajudar as pessoas a construir patrimônio ao longo do tempo.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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