Polícia alerta sobre risco de táxis ilegais no Japão após morte em corrida

2025/10/27 17:12
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Tóquio – A polícia da província de Wakayama faz um alerta aos passageiros que, em alguma ocasião, possam embarcar em um “táxi ilegal”. Uma mulher morreu durante uma corrida em um veículo sem licença, dirigido por um homem de nacionalidade chinesa, segundo o portal Kuruma News.

O motorista, de 26 anos, foi preso no dia 20 de outubro em Nishinari, na cidade de Osaka, sob suspeita de violar a Lei de Punição de Acidentes de Trânsito (negligência com resultado de morte) e a Lei de Transporte Rodoviário (transporte remunerado sem autorização).

Segundo as investigações, o suspeito dirigia uma van particular em 30 de setembro em Wakayama, transportando sete turistas chineses até a região de Nachikatsuura. Durante o trajeto, na Rota Nacional 168, na altura da cidade de Shingu, o veículo invadiu a pista contrária e colidiu de frente com um caminhão de grande porte.

No impacto, uma passageira chinesa de 60 anos morreu. O motorista sofreu fraturas no tornozelo direito e no fêmur e, após receber alta hospitalar, foi preso. A polícia considera que ele causou o acidente fatal enquanto realizava transporte de passageiros sem licença, prática conhecida no Japão como “shiro-taku” (táxi branco).

Casos de táxi branco têm aumentado em várias partes do país, mas este é o primeiro acidente fatal oficialmente reconhecido como resultado direto dessa atividade ilegal.

Como funciona

No Japão, o transporte de passageiros mediante pagamento é controlado pelo Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo (MLIT) e exige autorização formal.

Empresas de táxi e de ônibus precisam apresentar planos de operação e obter uma licença específica para realizar transporte remunerado.

A expressão “shiro-taku”, que significa literalmente “táxi branco”, é usada para descrever quem transporta passageiros cobrando tarifa sem possuir licença oficial.

Essa prática é considerada crime e pode resultar em até três anos de prisão, multa de até 3 milhões de ienes (cerca de 100 mil reais) ou ambos.

Táxis brancos em pontos turísticos

Ao ser preso, o motorista negou parcialmente as acusações e alegou: “Não recebi pagamento, então não achei que fosse considerado um táxi branco.”

No entanto, os investigadores descobriram que o valor da corrida havia sido pago antecipadamente, o que reforça a suspeita de que o homem atuava regularmente como motorista ilegal.

A polícia alertou que táxis sem licença operam principalmente em pontos turísticos e aeroportos, atendendo turistas estrangeiros que desconhecem as regras locais.

Outro caso semelhante ocorreu em agosto, quando um homem chinês foi preso em flagrante em Yatsushiro (Kumamoto), próximo ao porto que recebe navios de cruzeiro internacional. Ele dirigia um micro-ônibus com sete turistas chineses e havia negociado o valor da corrida por meio de redes sociais.

Segundo as autoridades, além de prejudicar empresas de transporte regularizadas, os táxis brancos e ônibus brancos representam risco de acidentes, pois seus motoristas geralmente não possuem a licença especial exigida para conduzir passageiros, conhecida como “segunda categoria” (Class 2).

Em julho, um motorista paquistanês que dirigia um táxi branco na estrada Fuji Subaru Line, que liga o Monte Fuji ao Lago Kawaguchi, invadiu a pista contrária e colidiu de frente com um ônibus de turismo. O motorista foi preso, e cinco passageiros norte-americanos ficaram feridos.

Dificuldade em comprovar a ilegalidade

Uma das maiores dificuldades das autoridades é comprovar a ilegalidade do transporte, já que é necessário apresentar provas concretas de que houve pagamento.

Motoristas flagrados costumam alegar que apenas deram carona a amigos ou familiares, ou que não receberam dinheiro diretamente. Em muitos casos, as transações são realizadas por aplicativos estrangeiros de pagamento online, o que dificulta a identificação.

Além disso, veículos usados como táxi branco não possuem seguro para transporte de passageiros, o que pode gerar graves disputas judiciais por indenização em caso de acidente.

Especialistas defendem revisões na legislação e punições mais severas para facilitar a detecção e a responsabilização de motoristas que atuam sem autorização, protegendo tanto os passageiros quanto o setor de transporte formal.

Foto: Banco de Imagens

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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