Copa do Mundo 2026 enfrenta problemas críticos antes de a bola rolar

Tóquio – A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, enfrenta uma série de desafios antes do início das partidas. Questões envolvendo a venda de ingressos, logística, custos para o público e decisões organizacionais já geram debates entre autoridades, torcedores e especialistas. Veja o que se sabe até agora:
Ingressos
Diversos veículos internacionais destacam que os preços dos ingressos estão entre os mais altos já registrados na história do torneio. Na plataforma oficial, entradas para a final chegam a cerca de US$ 8.680 nas categorias mais elevadas.
No mercado de revenda, os valores podem subir ainda mais, impulsionados pela alta demanda e pelo modelo de precificação adotado. Especialistas apontam que os preços atuais estão muito acima dos praticados em edições anteriores, o que tem levantado críticas sobre o acesso do público ao evento, publicaram o Goal e o Hypebeast.
Outro ponto questionado é o modelo de precificação dinâmica, no qual os valores variam conforme a demanda. A Fifa nega o uso desse termo, mas admite trabalhar com preços variáveis. Diferentemente da Copa do Mundo do Catar, onde a revenda era mais restrita, nesta edição a entidade passou a atuar diretamente nesse mercado, cobrando taxas que somam cerca de 30% por transação, divididas entre vendedor e comprador, segundo RealGM Soccer.
Esse cenário também levou à formação de um mercado secundário instável. Em jogos de menor apelo, a procura não acompanha os preços elevados, o que pode pressionar revendedores a reduzir valores para evitar prejuízos.
Um trem caro
A organização do torneio e as cidades-sede enfrentam questões financeiras importantes. Parte dos custos operacionais foi ajustada, o que aumentou a pressão sobre governos locais para cobrir despesas com segurança, mobilidade e estrutura para torcedores.
Em New Jersey, onde fica o MetLife Stadium, autoridades anunciaram aumento significativo nas tarifas de trem durante os dias de jogos. O trajeto entre a Penn Station e o estádio pode chegar a US$ 150 ida e volta, frente ao preço normal de US$ 12,90. A medida gerou críticas de torcedores e moradores, que consideram o valor excessivo para um percurso curto, segundo o The Guardian.
Especialistas alertam que preços elevados no transporte podem desestimular o público e reduzir o impacto econômico positivo esperado para a região.
Mais um problema
A relação entre a organização do torneio e as cidades-sede tem sido marcada por tensões. O aumento de custos e a necessidade de investimentos adicionais colocam em dúvida o equilíbrio financeiro do evento para algumas localidades.
“O modelo de preços atual pode ter um efeito inibidor. Tarifas elevadas tendem a afastar torcedores e reduzir os benefícios econômicos e o legado regional”, afirmou Heimo Schirgi, ligado à organização do torneio.
A Fifa, por sua vez, afirma que os ajustes não comprometem a segurança nem a qualidade do evento e prevê mobilizar milhares de profissionais para a operação.
Com jogos distribuídos em 16 cidades nos três países, a logística será complexa. Em algumas sedes dos Estados Unidos, há preocupações com a capacidade do transporte público para atender o volume esperado de torcedores.
Mapa da desigualdade
Outro aspecto observado é a diferença na forma como cada cidade e país-sede trata o público.
No México, há regras mais rígidas para a revenda de ingressos, limitando os preços ao valor original ou abaixo dele, o que busca conter a especulação. Já nos Estados Unidos e no Canadá, o mercado é mais liberal, permitindo maior variação nos valores.
Algumas cidades adotaram medidas para facilitar o acesso. Houston e Kansas City indicaram que pretendem manter tarifas de transporte mais acessíveis. A Filadélfia anunciou transporte público gratuito na saída dos jogos.
Por outro lado, regiões da Costa Leste dos Estados Unidos concentram críticas devido aos custos elevados, especialmente em transporte e serviços ligados ao evento. Em Massachusetts, por exemplo, autoridades locais discutem a necessidade de cobertura antecipada de despesas operacionais para garantir a realização dos jogos.
Contexto internacional e impacto no público
Fatores externos também influenciam o ambiente do torneio. Questões políticas, regras de imigração e o cenário internacional podem afetar o fluxo de torcedores, especialmente estrangeiros.
Além disso, preocupações com segurança em algumas regiões e o custo elevado da viagem completa, incluindo ingressos, transporte e hospedagem, têm impacto direto na decisão do público de acompanhar os jogos presencialmente.
Recorde histórico
A expectativa é de que o torneio gere receitas recordes para a Fifa, impulsionadas principalmente por direitos de transmissão, patrocínios e venda de ingressos.
Ao mesmo tempo, cresce o debate sobre o equilíbrio entre rentabilidade e acessibilidade. Para críticos, o aumento dos custos pode afastar parte do público tradicional e transformar a experiência em algo restrito a uma parcela menor de torcedores.
Quando o deslocamento custa mais do que o próprio ingresso, o evento deixa de ser apenas uma celebração esportiva e passa a refletir também as barreiras econômicas de acesso ao espetáculo.
Quer assistir aos jogos pessoalmente?
Apesar de todos os problemas, os brasileiros que vivem no Japão e que desejam acompanhar os jogos precisarão tirar visto.
Para entrar nos EUA é preciso o visto de turismo B-2. O governo norte-americano anunciou um sistema de processamento prioritário para torcedores que já tenham adquirido ingressos. Mesmo assim, o brasileiro precisará cumprir os requisitos consulares, segundo a Wise.
Brasileiros precisam de visto para ir para o Canadá, como é o caso do Visitor Visa, que permite entrar como turista. Quem já possui visto canadense nos últimos 10 anos pode solicitar a Autorização Eletrônica de Viagem (eTA), que é um recurso simplificado que torna o processo mais prático.
Para entrar no México os brasileiros precisam de visto de turista. O governo mexicano anunciou a retomada do visto eletrônico (e-Visa) para brasileiros, o que deve permitir a solicitação online, sem a necessidade de ir a um consulado.
No site do governo do México consta que quem possui visto válido ou vigente do Canadá, EUA, Japão, Reino Unido e Irlanda do Norte, ou documento que comprove residência nestes países, pode solicitar entrada no México sem necessidade de portar o visto eletrônico, desde que seja como turista. Informações neste link.
No site do Ministério das Relações Exteriores tem a lista dos países que possuem consulados e embaixadas no Japão. Mais informações podem ser conferidas aqui.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Lance de jogo entre Brasil e Colômbia nas Eliminatórias da Copa do Mundo






































