Colapso de geleira pode ter provocado inundação que matou 160 no Nepal

2026/08/27 08:10
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Nepal – Uma inundação repentina que atingiu a região da fronteira do Nepal com o Tibete na quarta-feira (26) deixou ao menos 160 mortos e centenas de desaparecidos. Do total de mortos, 157 foram registrados no Nepal e três no Tibete, segundo as informações mais recentes divulgadas pelas autoridades.

No Nepal, 403 pessoas eram consideradas desaparecidas, incluindo 341 estrangeiros, de acordo com autoridades do país. Um levantamento anterior do Conselho de Turismo do Nepal apontava 384 viajantes sem contato, sendo 291 estrangeiros e 93 nepaleses, publicou a Jovem Pan.

Várias imagens publicadas nas redes sociais mostram um enorme volume de água, lama, pedras e outros materiais descendo pelos rios e arrastando casas na região de Rasuwa. Equipes de resgate continuam procurando sobreviventes e desaparecidos.

A inundação atingiu duramente Syabrubesi, conhecido ponto de partida para a trilha de Langtang, uma das regiões frequentadas por turistas no Nepal. A área também é utilizada por peregrinos que seguem em direção ao Monte Kailash e ao Lago Mansarovar, no Tibete.

O Exército do Nepal mobilizou seis helicópteros, enquanto outras oito aeronaves foram disponibilizadas por empresas privadas, totalizando 14 helicópteros empregados nas operações de busca, resgate e assistência às vítimas. Moradores de áreas próximas aos rios foram orientados pelas autoridades a procurar locais seguros.

Uma das principais hipóteses investigadas é que uma avalanche de gelo e rochas provocada pelo colapso de parte de uma geleira tenha atingido o rio Lhende Khola, afluente do Bhote Koshi, desencadeando a inundação.

O Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), com sede em Katmandu, informou que análises preliminares indicam que um grande volume de gelo e rochas pode ter atingido o rio, provocando uma súbita onda de água, sedimentos e grandes blocos de pedra. A sequência exata dos acontecimentos, porém, ainda está sendo investigada.

Imagens de satélite da Planet Labs indicam que uma grande quantidade de neve havia derretido nas 24 horas anteriores ao desastre, segundo o cientista Dan Shugar, professor associado da Universidade de Calgary, no Canadá. Ele observou que algumas geleiras que apareciam cobertas de neve no dia anterior apresentavam principalmente gelo exposto depois do desastre, o que pode indicar temperaturas elevadas na região.

As Nações Unidas já haviam alertado, em 2023, que o Nepal perdeu quase um terço de seu gelo em pouco mais de 30 anos. Segundo a ONU, o derretimento das geleiras no país também ocorreu 65% mais rapidamente na última década do que na década anterior.

Vikram Gupta, especialista em geologia de engenharia e professor da Universidade de Sikkim, na Índia, afirmou, com base nas imagens de satélite, que uma parte significativa da extremidade da geleira desmoronou, provavelmente carregando também grande quantidade de rochas e sedimentos.

O deslizamento ocorreu na região do rio Lhende, cerca de 20 quilômetros a nordeste da passagem fronteiriça de Rasuwagadhi. A enorme quantidade de água e detritos avançou pelo sistema dos rios Bhote Koshi e Trishuli. Em Galchhi, o nível do rio Trishuli chegou a subir cerca de nove metros em apenas 30 minutos.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, convocou reuniões de emergência com autoridades responsáveis pela gestão de desastres e determinou a mobilização dos órgãos de segurança, equipes médicas e de resgate para atuar nas regiões atingidas.

No lado do Tibete, administrado pela China, a inundação também atingiu a região de Gyirong. As autoridades chinesas confirmaram pelo menos três mortes e informaram que 265 pessoas estavam desaparecidas.

O presidente chinês, Xi Jinping, determinou operações intensivas de busca e resgate, atendimento aos feridos e medidas para evitar novos desastres na região.

Foto: Reprodução/WION

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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