Trump afirma que ação na Venezuela não abre precedente para China invadir Taiwan

Estados Unidos – Ao capturar o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, os Estados Unidos também enviaram um recado direto à China, em uma demonstração de que Washington considera a América Latina parte de sua esfera de influência estratégica, segundo a Reuters.
Há anos, o governo chinês vem ampliando sua presença na América Latina como parte de sua estratégia diante de seu principal rival geopolítico, os Estados Unidos. Essa atuação inclui estações de rastreamento de satélites na Argentina, investimentos portuários no Peru e apoio econômico contínuo ao governo venezuelano.
Durante a operação que resultou na captura de Maduro, na madrugada de 3 de janeiro, forças americanas desativaram rapidamente os sistemas de defesa aérea da Venezuela, fornecidos pela China e pela Rússia. Além disso, o presidente Donald Trump afirmou que entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo, originalmente destinados a portos chineses, passarão a ser enviados aos Estados Unidos.
A China reagiu por meio de sua embaixada em Washington, protestando contra o que classificou como “atos unilaterais, ilegais e de intimidação” por parte dos EUA. O porta-voz da embaixada, Liu Pengyu, declarou: "A China e os países da América Latina e do Caribe mantêm intercâmbios e cooperação amigáveis. Não importa como a situação evolua, continuaremos a ser um amigo e parceiro."
Um integrante da administração Trump afirmou, sob condição de anonimato, que Pequim deveria se preocupar com sua posição no hemisfério ocidental, acrescentando que parceiros regionais já sabem que a China não teria capacidade de protegê-los em um cenário de confronto.
Em outro momento, Trump afirmou que a entrada de forças americanas na Venezuela não cria qualquer paralelo com a situação envolvendo a China e Taiwan, ilha democrática que o governo chinês considera parte inseparável de seu território.
Em entrevista ao The New York Times, o presidente dos Estados Unidos disse que “cabe ao” presidente chinês Xi Jinping decidir quais ações a China adotará em relação a Taiwan. Segundo Trump, a ilha não representa uma ameaça direta à China da mesma forma que o governo de Maduro representaria um risco à segurança dos Estados Unidos.
Trump acrescentou que acredita que Xi Jinping não iniciaria uma invasão a Taiwan durante seu mandato, que termina em 2029. "Ele pode fazer isso depois que tivermos um presidente diferente, mas não acho que ele vá fazer isso comigo como presidente", afirmou.
A China considera Taiwan uma província rebelde pertencente ao território chinês, enquanto o governo taiwanês rejeita as reivindicações de Pequim. Liu Pengyu resumiu a posição chinesa da seguinte forma: "A questão de Taiwan é puramente um assunto interno da China, e como resolvê-la é uma questão puramente dentro dos direitos soberanos da China."
Os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas formais com Taiwan, mas são o principal apoiador internacional da ilha e, por lei, devem fornecer meios para sua autodefesa. A questão de Taiwan permanece como um dos principais pontos de atrito nas relações entre Washington e Pequim.
Venezuela
A referência feita por Trump diz respeito à operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela no dia 3 deste mês. A ação teve início nas primeiras horas da manhã, com explosões e ataques a instalações militares em Caracas e em outras áreas do norte do país.
Tropas de elite, incluindo integrantes da Delta Force, participaram da incursão que culminou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados para Nova York, onde enfrentam acusações federais por narcoterrorismo e conspiração ligada ao tráfico internacional de drogas.
Após a operação, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como presidente interina, enquanto o governo americano passou a defender uma transição política com a realização de eleições livres no país.
Foto: Canva








































