Pesquisa no Japão usa IA para reconstruir imagens mentais

Tóquio - O avanço da inteligência artificial (IA) é cada vez maior, e pesquisadores no Japão já estudam formas de usar essa tecnologia para reconstruir imagens mentais a partir da atividade cerebral. Mas isso não significa que a IA consiga ler pensamentos. O assunto exige algumas explicações. Acompanhe.
Pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Quântica (QST), do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação e Comunicação (NICT) e da Universidade de Osaka publicaram um estudo em 2023 sobre a reconstrução de imagens mentais a partir de sinais cerebrais medidos por ressonância magnética funcional (fMRI), publicou a agência Kyodo.
O experimento funcionou da seguinte maneira: os participantes visualizaram 1.200 imagens de objetos e paisagens, enquanto seus sinais cerebrais eram medidos por fMRI. Em seguida, a relação entre a atividade cerebral e as imagens vistas foi analisada e quantificada. Essas informações foram usadas para treinar um sistema capaz de relacionar padrões de atividade cerebral com características visuais das imagens.
Uma das imagens usadas no experimento foi a de um leopardo. Na reconstrução feita com apoio da IA, apareceram algumas características do animal, como boca, orelhas e o padrão de manchas da pelagem.
A tecnologia é conhecida como decodificação cerebral e permite visualizar, de forma aproximada, conteúdos perceptivos com base na atividade cerebral. Segundo a Kyodo, ela poderá ter aplicações futuras nas áreas médica e de bem-estar.
O QST esclareceu que o resultado obtido não é uma imagem idêntica à que os voluntários imaginaram, mas uma reconstrução capaz de captar algumas características do objeto ou da cena. Em outras palavras, a IA não produziu uma fotografia fiel do pensamento, e sim uma representação aproximada baseada em traços relevantes.
É importante lembrar que a IA não leu livremente o cérebro dos voluntários. O processo dependeu de treinamento prévio com dados de fMRI e imagens conhecidas. Os participantes não tiveram pensamentos aleatórios lidos pelo sistema. Eles haviam visto imagens antes e foram orientados a imaginá-las durante o exame.
Portanto, a IA ainda não produz uma foto exata daquilo que uma pessoa imaginou, nem é capaz de ler pensamentos de forma livre.
Os pesquisadores acreditam que a tecnologia poderá ser usada no futuro no desenvolvimento de dispositivos de comunicação e em estudos sobre os mecanismos cerebrais ligados a alucinações e sonhos.
O pesquisador Kei Majima, do QST, afirmou que os seres humanos já usaram microscópios e outros dispositivos para observar mundos invisíveis a olho nu, mas ainda não haviam conseguido entrar na mente de uma pessoa. Segundo ele, esta é a primeira vez que humanos conseguem observar o interior da mente de outra pessoa.
A descoberta foi publicada na edição online da revista científica internacional Neural Networks.
Foto: Canva







































