
Tóquio – Um levantamento feito pela Japan Automobile Federation (JAF) revelou que mais de 40% dos motoristas não param em faixas de pedestre em vias sem semáforo.
A “Pesquisa Nacional sobre a Situação de Parada Temporária de Veículos durante a Travessia de Pedestres em Faixas sem Semáforo” foi feita em agosto do ano passado, envolvendo 6.226 veículos que passaram por faixas de pedestres em locais sem semáforo em todo o país, segundo o site da JAF.
Para realizar o levantamento, a JAF escolheu dois locais por província com faixa de pedestre e sem semáforo, num total de 94 pontos em todo o Japão. Os pedestres eram funcionários da JAF, os quais realizaram 50 travessias da faixa, totalizando 100 por província.
O número de veículos que pararam temporariamente quando pedestres tentavam atravessar foi de 3.528, ou 56,7%, registrando a maior taxa de respeito à lei de trânsito da história. Houve um aumento de 3,7 pontos percentuais em comparação com a pesquisa do ano anterior e a taxa de veículos que pararam aumentou em 35 províncias.
Mas outros 43,3% dos motoristas não pararam para pedestres atravessando a faixa e passaram pelo local.
As províncias que apresentaram as maiores taxas de parada dos veículos foram: Nagano (88%), Gifu (78%), Fukuoka (77,7%), Kumamoto (77,4%), Miyazaki (76,5%), Fukushima (74,5%) e Shiga (72,9%).
As que tiveram as taxas mais baixas foram: Yamaguchi (34,3%), Osaka (35,5%), Fukui (35,8%), Okinawa (36,9%), Hokkaido (38,1%), Oita (38,6%).
A JAF lembra que como a pesquisa analisou a situação em apenas dois locais por província, os números podem não ser idênticos em todos os municípios da mesma província.
O que diz a lei?
Na legislação japonesa, o pedestre tem prioridade ao atravessar a faixa de segurança. E quando houver alguém atravessando a via na faixa de pedestre, os veículos devem parar temporária e imediatamente antes da faixa, sem impedir a passagem das pessoas.
O motorista também tem o dever de reduzir a velocidade para ser capaz de parar o veículo antes da faixa, a menos que não haja pedestres atravessando.
Mas os pedestres também devem comunicar a intenção de atravessar ao motorista e evitar travessias forçadas ou perigosas. Essa a comunicação entre o pedestre e o motorista é baseada em gestos claros e contato visual. Embora a lei garanta a preferência ao pedestre, a JAF e as autoridades policiais incentivam ações específicas para garantir que o motorista perceba a intenção de travessia, especialmente em faixas sem semáforo.
As formas mais recomendadas são:
Levantar a mão: Este é o método mais clássico e ensinado desde a infância nas escolas japonesas. O pedestre levanta a mão ou a mantém levemente erguida para sinalizar que deseja iniciar a travessia.
Contato visual (Eye contact): Olhar diretamente para o motorista para confirmar que ele viu você e está reduzindo a velocidade.
Aceno leve: Em alguns casos, um pequeno gesto com a mão à frente do corpo também é utilizado.
Bandeiras amarelas: Em muitas faixas próximas a escolas, existem suportes com pequenas bandeiras amarelas. As crianças (e às vezes idosos) seguram a bandeira enquanto atravessam para aumentar a visibilidade e depois a colocam no suporte do outro lado da via.
Agradecimento: Embora não seja obrigatório, é um costume cultural muito forte no Japão que o pedestre faça uma pequena reverência (curvando a cabeça) após o carro parar ou ao terminar a travessia, como sinal de agradecimento pela cortesia e segurança.
Existem outros pontos a considerar: os veículos não devem realizar ultrapassagens ou passagens laterais a menos de 30 metros da faixa de pedestres. É preciso levar em conta que se o veículo à frente está parado em uma faixa de pedestre, existe a possibilidade de que ele esteja dando prioridade à travessia de um pedestre.
Existem sinais de trânsito e marcações no solo antes das faixas de pedestres, com a JAF pedindo aos motoristas que dirijam com atenção.
Foto: Canva








































