Juros sobem no Japão: saiba como a decisão afeta seu bolso e prestações

Tóquio – O Banco do Japão decidiu no dia 16 de junho elevar sua taxa básica de curto prazo para cerca de 1,0%. Na prática, isso significa que os bancos podem passar a pagar mais caro para captar dinheiro e, por isso, também podem cobrar mais caro em financiamentos, empréstimos e crédito.
O vice-governador do banco central japonês, Shinichi Uchida, comentou na reunião que definiu o aumento: "No futuro, existe a possibilidade de que o aumento dos preços se propague para uma ampla gama de itens no nível do consumidor. Há o risco de que os preços subam acima da meta de estabilidade de preços de 2%."
A taxa básica de juros é uma taxa de curto prazo definida pelo banco central para estabilizar a economia e os preços.
Para quem poupa, a decisão pode melhorar um pouco o rendimento. Mas, para quem deve, financia ou depende de crédito, o impacto pode pesar. Veja alguns possíveis efeitos.
Quem está pagando financiamento de imóvel com juros variáveis, por exemplo, pode sentir aumento nas prestações caso os bancos repassem parte dessa alta. A parcela pode subir aos poucos. Já quem tem contrato com taxa fixa, em regra, não deve ter mudança na prestação por causa dessa decisão.
No Japão, alguns financiamentos imobiliários também têm travas ou períodos de revisão, então o aumento pode não aparecer imediatamente.
Veja um exemplo: em um financiamento de 30 milhões de ienes por 35 anos, uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa do financiamento poderia aumentar a prestação em algo perto de 3.000 a 4.000 ienes por mês. Se a taxa subisse 1 ponto percentual, o impacto poderia passar de 10.000 ienes mensais. Cada contrato, porém, tem regras próprias.
Quem financiou a compra de carro, usa cartão de crédito ou paga eletrodomésticos parcelados também pode ser afetado. Em valores menores, o impacto mensal pode parecer discreto, mas aumenta o total pago ao longo do tempo.
Empresas e estabelecimentos comerciais que pegam empréstimo para estoque, reforma, compra de equipamentos, aluguel de ponto ou capital de giro podem ter de pagar mais juros. No caso de pequenos negócios de estrangeiros, isso pode apertar o caixa.
Os empresários podem reagir de diferentes formas: aumentar preços de produtos ou serviços, adiar investimentos, reduzir contratações ou cortar horas extras.
Os trabalhadores podem sentir a mudança indiretamente, tanto pelo possível aumento de custos quanto pelas decisões das empresas. Por outro lado, se a alta dos juros ajudar a controlar a inflação e estabilizar o iene, pode haver alívio gradual no custo de importados, energia e alimentos.
A decisão também pode influenciar o câmbio do iene, afetando remessas para o Brasil.
Foto: Canva







































