Japão mudará cobrança de medicamentos com receita e pacientes pagarão mais a partir de 2027

2026/09/03 08:42
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Tóquio – Pacientes no Japão poderão pagar mais por determinados medicamentos prescritos por médicos a partir de março de 2027. A mudança atingirá remédios de uso médico que possuem equivalentes vendidos sem receita nas farmácias e drogarias, os chamados medicamentos OTC. Em alguns casos, o valor desembolsado pelo paciente poderá praticamente dobrar, dependendo da porcentagem de coparticipação no seguro de saúde.

O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar prepara a implantação de um novo sistema para os chamados OTC類似薬, ou medicamentos de uso médico semelhantes aos OTC. A medida não significa que os medicamentos vendidos diretamente nas farmácias passarão a ser mais caros ou mais baratos. A alteração será aplicada a determinados medicamentos prescritos e atualmente cobertos pelo seguro público de saúde.

A previsão é que inicialmente sejam abrangidos 77 princípios ativos, correspondentes a cerca de 1.100 medicamentos. Segundo o Ministério da Saúde, são remédios considerados altamente substituíveis por produtos OTC, utilizados para problemas como rinite, dor e azia no estômago, constipação, febre, dores, sintomas de resfriado, dores lombares e nos ombros, micose, aftas, coceira e ressecamento da pele.

Atualmente, quando um medicamento é coberto pelo seguro público de saúde, o paciente normalmente arca com 10%, 20% ou 30% do valor, dependendo da idade, renda e outras condições.

Com o novo sistema, a lógica será diferente. Um quarto do preço do medicamento, equivalente a 25%, será retirado da cobertura do seguro e cobrado integralmente do paciente como uma "tarifa especial". Os 75% restantes continuarão cobertos pelo seguro, sobre os quais será aplicada a coparticipação normal de 10%, 20% ou 30%.

Isso significa que o impacto financeiro no bolso do consumidor será maior do que pode parecer à primeira vista.

Para uma pessoa cuja coparticipação é de 30%, por exemplo, atualmente um medicamento de ¥ 1.000 resulta, de maneira simplificada, em um desembolso de ¥ 300.

A partir do novo sistema, ¥ 250, correspondentes a 25% do preço, serão pagos integralmente pelo paciente. Sobre os ¥ 750 restantes, a pessoa continuará pagando 30%, ou ¥ 225. Nesse exemplo, o desembolso passaria de ¥ 300 para ¥ 475.

Na prática, portanto, um paciente que atualmente arca com 30% do preço passará a desembolsar o equivalente a 47,5% do valor do medicamento abrangido pela nova regra.

O impacto proporcional será ainda maior para quem possui coparticipação menor. Uma pessoa que atualmente paga 20% passará a arcar, na prática, com 40% do preço desses medicamentos. Para quem atualmente paga 10%, o desembolso correspondente ao medicamento passará a 32,5%.

Em um medicamento de ¥ 1.000, por exemplo, o resultado seria de ¥ 325 para quem possui coparticipação de 10%, ¥ 400 para quem paga 20% e ¥ 475 para quem paga 30%.

O próprio Ministério da Saúde apresentou exemplos para pacientes com coparticipação de 30%. No caso de um analgésico e antitérmico para cinco dias, o desembolso estimado referente ao medicamento passa de ¥ 45 para ¥ 72. Para um expectorante de cinco dias, também sobe de ¥ 45 para ¥ 72. Já um laxante para 30 dias passa de ¥ 360 para ¥ 570, enquanto um antialérgico para 30 dias aumenta de ¥ 540 para ¥ 855.

Esses valores referem-se somente ao custo do medicamento. Taxas de consulta médica, atendimento e serviços da farmácia continuam sendo cobradas separadamente e não fazem parte desses cálculos. O valor efetivamente pago também poderá variar de acordo com o preço de cada medicamento.

Por que o governo quer mudar o sistema?

Segundo o Ministério da Saúde, um dos objetivos é tornar mais equilibrada a situação entre quem procura um médico e recebe um medicamento semelhante a um OTC com cobertura do seguro e quem compra diretamente um medicamento OTC, pagando seu valor integral.

Outra finalidade é reduzir os gastos do seguro público e conter o aumento das contribuições pagas pelos segurados, principalmente pela população em idade ativa. O Ministério estima que somente a revisão envolvendo os medicamentos semelhantes aos OTC poderá representar uma redução média de cerca de ¥ 400 por ano nas contribuições de seguro por segurado.

Ministério quer evitar imposto sobre a nova cobrança

É neste ponto que entra a nova proposta tributária divulgada nesta semana.

Como os 25% cobrados como tarifa especial ficarão fora da cobertura normal do seguro, surgiu a possibilidade de incidência do imposto sobre o consumo de 10%. Esse imposto já é aplicado a algumas cobranças especiais realizadas fora da cobertura do seguro.

O Ministério da Saúde solicitou, porém, que a nova tarifa dos medicamentos semelhantes aos OTC seja permanentemente isenta do imposto sobre o consumo. Segundo a Jiji Press, o Ministério pretende confirmar o tratamento tributário com as autoridades fiscais antes da implantação do sistema.

Se a isenção não existisse, um medicamento de ¥ 1.000 teria uma tarifa especial de ¥ 250 e mais ¥ 25 de imposto sobre essa parcela. No exemplo de um paciente com coparticipação de 30%, o desembolso chegaria a ¥ 500, em vez dos ¥ 475 previstos com a isenção.

Portanto, a proposta de isenção de imposto não representa uma redução em relação ao que os pacientes pagam atualmente. Ela pretende impedir que a nova cobrança prevista para 2027 fique ainda mais pesada.

Exceções estão sendo preparadas

O governo também prevê medidas para evitar a cobrança adicional em determinadas situações. Entre os grupos considerados estão crianças, pacientes com câncer ou doenças raras, pessoas com determinadas doenças crônicas, pacientes de baixa renda, hospitalizados e pessoas para as quais o médico considere necessária a utilização prolongada do medicamento. Os critérios detalhados ainda estão sendo definidos.

O Ministério da Saúde formou uma comissão técnica para discutir justamente quais pacientes e tratamentos devem ficar livres da tarifa adicional. A reforma continua em discussão no Conselho de Seguro Médico, que tem reunião nesta quinta-feira (3) para analisar novamente a implementação do sistema.

A implantação está prevista para março de 2027. O Ministério já informou também que, após analisar os resultados da primeira etapa, poderá discutir a ampliação do número de medicamentos abrangidos e até mesmo um eventual aumento da tarifa especial nos anos seguintes.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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