Reduflação no Japão muda tamanho e quantidade de produtos nos supermercados

2026/03/06 11:01
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Tóquio – O consumidor, quando vai ao supermercado, já deve ter reparado que alguns produtos estão com uma quantidade menor, com menos peso ou volume, mas com o preço de sempre ou já com aumento. Essa prática se chama reduflação, uma estratégia comum nos tempos difíceis.

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, o mundo sofreu um choque na distribuição de energia e alimentos. No Japão, graças ao iene desvalorizado, os fabricantes começaram a rever as porções vendidas de seus produtos. Esse movimento ganhou força no setor de alimentos industrializados, doces, bebidas, produtos instantâneos e itens de conveniência vendidos em supermercados e konbini.

A empresa de consultoria de crédito Teikoku Databank, que publica relatórios frequentes sobre aumentos de preços e as condições do mercado, tem registrado não apenas reajustes diretos, mas também reduções de conteúdo nas embalagens como estratégia para conter impactos ao consumidor. A Teikoku Databank classifica essa prática como parte do cenário inflacionário prolongado que o Japão atravessa.

Quando o Ministério de Assuntos Internos e Comunicações divulga o índice oficial de preços ao consumidor, não utiliza o termo reduflação em seus relatórios. Mas analistas observam que a prática influencia indiretamente a percepção de inflação, já que o consumidor paga por menos produto, mesmo que o preço nominal não se altere.

Os economistas e as mídias japonesas começaram a usar o termo equivalente em japonês, associado à ideia de uma redução silenciosa do conteúdo dos produtos. Vários jornais já noticiaram a prática como comum no ambiente inflacionário.

Os especialistas não tratam o ambiente econômico como tomado pela prática da reduflação. Mas quando o consumidor for ao supermercado, pode notar que alguns produtos são expostos com menor quantidade ou tamanho, mas com o mesmo preço ou até mais caros. Há casos em que a empresa prefere manter o produto íntegro, mas colocá-lo em uma embalagem mais barata.

Os mesmos especialistas apontam que o Japão vive algo diferente da deflação crônica que marcou décadas atrás. O que o Japão enfrenta hoje é uma inflação moderada, que insiste em se manter acima de 2%, que é a meta do Banco do Japão.

Nesse contexto, a reduflação tornou-se uma estratégia para evitar aumentos bruscos de preço que poderiam afastar consumidores, tradicionalmente sensíveis a reajustes. Mesmo assim, quem levará a pior será o consumidor, que pagará o mesmo preço por menos.

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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