Reduflação no Japão muda tamanho e quantidade de produtos nos supermercados

Tóquio – O consumidor, quando vai ao supermercado, já deve ter reparado que alguns produtos estão com uma quantidade menor, com menos peso ou volume, mas com o preço de sempre ou já com aumento. Essa prática se chama reduflação, uma estratégia comum nos tempos difíceis.
Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, o mundo sofreu um choque na distribuição de energia e alimentos. No Japão, graças ao iene desvalorizado, os fabricantes começaram a rever as porções vendidas de seus produtos. Esse movimento ganhou força no setor de alimentos industrializados, doces, bebidas, produtos instantâneos e itens de conveniência vendidos em supermercados e konbini.
A empresa de consultoria de crédito Teikoku Databank, que publica relatórios frequentes sobre aumentos de preços e as condições do mercado, tem registrado não apenas reajustes diretos, mas também reduções de conteúdo nas embalagens como estratégia para conter impactos ao consumidor. A Teikoku Databank classifica essa prática como parte do cenário inflacionário prolongado que o Japão atravessa.
Quando o Ministério de Assuntos Internos e Comunicações divulga o índice oficial de preços ao consumidor, não utiliza o termo reduflação em seus relatórios. Mas analistas observam que a prática influencia indiretamente a percepção de inflação, já que o consumidor paga por menos produto, mesmo que o preço nominal não se altere.
Os economistas e as mídias japonesas começaram a usar o termo equivalente em japonês, associado à ideia de uma redução silenciosa do conteúdo dos produtos. Vários jornais já noticiaram a prática como comum no ambiente inflacionário.
Os especialistas não tratam o ambiente econômico como tomado pela prática da reduflação. Mas quando o consumidor for ao supermercado, pode notar que alguns produtos são expostos com menor quantidade ou tamanho, mas com o mesmo preço ou até mais caros. Há casos em que a empresa prefere manter o produto íntegro, mas colocá-lo em uma embalagem mais barata.
Os mesmos especialistas apontam que o Japão vive algo diferente da deflação crônica que marcou décadas atrás. O que o Japão enfrenta hoje é uma inflação moderada, que insiste em se manter acima de 2%, que é a meta do Banco do Japão.
Nesse contexto, a reduflação tornou-se uma estratégia para evitar aumentos bruscos de preço que poderiam afastar consumidores, tradicionalmente sensíveis a reajustes. Mesmo assim, quem levará a pior será o consumidor, que pagará o mesmo preço por menos.







































