Japão bate recorde de gestações múltiplas com subsídio à fertilidade

Tóquio – Os últimos dados divulgados pelo governo japonês mostram pequenas recuperações tanto no número de gestações múltiplas quanto de províncias que têm registrado um aumento na taxa de fertilidade.
Segundo a Sociedade Japonesa de Obstetrícia e Ginecologia (SJOG), o total de gestações múltiplas resultantes de tratamentos de reprodução assistida chegou ao recorde de 4.354 em 2023, isto é, um ano depois que esse recurso passou a ser coberto pelo seguro público de saúde, noticiou a Kyodo.
O aumento foi de 36% em comparação ao ano de 2022. Os cientistas acreditam que o dado pode ser o reflexo do crescimento no número de pacientes que optam pela transferência de vários embriões, para concluírem o tratamento com base no número limitado de ciclos cobertos pelo seguro.
Na fertilização in vitro, as chances de gravidez aumentam com a transferência de uma só vez de vários embriões. No ano de 2007 a taxa resultante destes tratamentos superou os 10%.
A SJOG, porém, recomendou a transferência de um embrião por vez, pois nas gestações múltiplas, de gêmeos e trigêmeos, há riscos para as gestantes. Como consequência, as gestações múltiplas caíram para 3% em 2014, voltando a subir para 3,8% em 2023, após o tratamento ser coberto pelo seguro.
Segundo a SJOG, a maior parte das gestações envolveu 64 casos de trigêmeos e seis de quadrigêmeos. Os pesquisadores constataram que as transferências de dois ou mais embriões cresceram especialmente entre pessoas com 41 anos ou mais.
Aumenta taxa de fertilidade
Os dados demográficos do Japão têm sido preocupantes há uma década, quando a cada ano o total de nascimentos cai a um ritmo desconcertante. Mas nas estatísticas do ano passado, 13 das 47 províncias do país apresentaram uma pequena recuperação, segundo dados preliminares das Estatísticas Vitais de 2025.
Tóquio, por exemplo, teve um total de 85.064 nascimentos em 2025, ou 857 mais que em 2024. Pode parecer pouco, mas é o primeiro aumento em uma década. Até a governadora Yuriko Koike celebrou a marca, dizendo que o aumento no número de nascimentos é notável e representa uma conquista significativa, noticiou o The Yomiuri.
O governo de Koike vem investindo em programas de apoio à criação de filhos e também para que ocorram mais matrimônios. E ainda está usando até inteligência artificial para fazer combinações de pessoas que desejam se casar, já com resultados surpreendentes: 675 casais iniciaram namoro por meio desse sistema até o final de abril deste ano.
Com isso, Tóquio aumentou em 3.040 casamentos, para o total de 79.481, em relação ao ano anterior, com o governo metropolitano creditando o crescimento aos esforços feitos até agora.
Outra província que mostrou reação foi Kagawa, onde a taxa de fertilidade e o número de nascimentos superaram os do ano anterior pela primeira vez em quatro anos.
No caso de Kagawa, o governo de Toyohito Ikeda é citado como tendo trabalhado desde 2023 para criar um ambiente favorável à criação de filhos. A província instalou 200 centros onde os pais podem consultar profissionais sobre cuidados infantis, entre outros especialistas.
Assim como fez Koike, em Tóquio, Ikeda também comemorou, dizendo que as políticas locais deram frutos e espera que a tendência de bons resultados seja duradoura.
O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar citou a recuperação no número de casamentos como um dos fatores que contribuíram para a redução do ritmo da queda. Em 2024, o número de matrimônios aumentou cerca de 10 mil em relação ao ano anterior. Em 2025, houve novo aumento, de 4.027 casamentos em comparação com 2024.
Ainda que Tóquio, Osaka e outras áreas tenham apresentado aumento, houve queda em outras regiões. Foi o caso de Nagano, que registrou uma taxa de fertilidade de 1,25 em 2025, e da província de Tottori, com 1,38. Ambas tiveram queda de 0,05 em relação ao ano anterior, empatando na maior retração entre as demais áreas do país.
Em Nagano, foram registrados 6.708 casamentos, uma queda de mais de 20% em comparação com os níveis anteriores à pandemia. Um dos motivos para isso foi a saída de jovens para a região metropolitana de Tóquio.
Foto: Canva
Fertilização in vitro







































