Influenza volta a avançar no Japão e preocupa autoridades de saúde

2026/11/04 08:24
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Tóquio – O número de casos de influenza voltou a aumentar no Japão, com 35.440 notificações registradas pelas unidades médicas participantes do sistema nacional de monitoramento entre 19 e 25 de outubro. Segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, a média alcançou 9,49 pacientes por estabelecimento, contra 9,08 na semana anterior.

O resultado representa uma retomada do crescimento depois da redução observada no levantamento anterior. Na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram notificados 24.276 casos, o aumento chega a aproximadamente 46%.

Os dados foram divulgados na sexta-feira (30) e mostram que a circulação do vírus continua elevada em diferentes regiões japonesas. Entre as 47 províncias, 27 registraram aumento das notificações em relação à semana anterior.

A situação também preocupa as autoridades devido ao número de instituições educacionais que precisaram suspender atividades em consequência de surtos de doenças semelhantes à influenza.

Aichi e Shizuoka registram crescimento

Nas duas províncias de maior concentração de brasileiros, os casos de influenza também aumentaram.

Em Aichi, as unidades médicas participantes do monitoramento registraram 1.412 pacientes durante a semana analisada. A média chegou a 8,66 pacientes por estabelecimento, contra 7,83 no período anterior. Isso representa crescimento de aproximadamente 10,6%.

Em Shizuoka, foram notificados 1.031 casos, com média de 9,55 pacientes por unidade médica monitorada. Na semana anterior, o indicador estava em 9,09, representando aumento de aproximadamente 5,1%.

Os resultados mostram que as duas províncias acompanharam a tendência nacional de crescimento.

Entretanto, existem diferenças importantes entre as cidades e regiões de cada província, de modo que as médias não representam necessariamente a situação de todos os municípios.

Shizuoka mantém alerta para influenza

O governo de Shizuoka informou que a província continua em situação de atenção devido à circulação da influenza.

O indicador estadual havia alcançado 11,69 pacientes por unidade médica monitorada entre 28 de setembro e 4 de outubro. Na semana seguinte, caiu para 10,40, chegando a 9,09 no período de 12 a 18 de outubro.

Apesar dessa redução, as autoridades decidiram manter o alerta porque continuavam sendo registrados fechamentos de turmas e outras interrupções de atividades escolares.

No levantamento mais recente, a média voltou a aumentar, chegando a 9,55.

Segundo o governo provincial, a situação exige atenção porque existe possibilidade de um novo crescimento durante as próximas semanas.

As autoridades também lembram que a temporada tradicional de influenza no Japão costuma apresentar maior intensidade durante os meses de inverno.

Por isso, a circulação antecipada do vírus não elimina a possibilidade de novos surtos em dezembro e janeiro.

Aichi também enfrenta circulação elevada

O governo de Aichi havia anunciado um alerta para influenza em 28 de setembro, depois que o indicador provincial alcançou 15,12 pacientes por unidade médica monitorada durante a semana de 14 a 20 daquele mês.

Posteriormente, a média apresentou redução, embora tenha permanecido relativamente elevada.

Entre 12 e 18 de outubro, foram registrados 7,83 pacientes por unidade médica. Na semana seguinte, o número voltou a subir, chegando a 8,66.

A evolução demonstra que a circulação da doença pode apresentar oscilações durante a temporada.

Uma redução temporária no número de notificações não significa necessariamente que a transmissão foi interrompida.

Nagoya apresenta situação diferente da média provincial

Na cidade de Nagoya, os dados locais mostram uma evolução ligeiramente diferente da observada no conjunto de Aichi.

Segundo a prefeitura, entre 19 e 25 de outubro foram notificados 367 casos nas 50 unidades médicas participantes do monitoramento.

A média municipal foi de 7,34 pacientes por estabelecimento. Na semana anterior, o indicador estava em 7,74.

Portanto, enquanto a média provincial de Aichi voltou a aumentar, Nagoya apresentou uma pequena redução.

Essa diferença mostra a importância de acompanhar os dados municipais, principalmente em províncias com grandes concentrações populacionais.

As condições de circulação do vírus podem variar de uma cidade para outra.

Ehime apresenta o maior índice nacional

Entre as 47 províncias, Ehime registrou a maior média de pacientes por unidade médica monitorada.

O indicador chegou a 22,82, depois de ficar em 8,31 na semana anterior. O aumento foi expressivo e colocou a província na primeira posição do levantamento nacional.

Okinawa apareceu em segundo lugar, com média de 17,39. Entretanto, nessa província houve redução em relação à semana anterior, quando o indicador estava em 19,68.

Hyogo ocupou a terceira posição, com 15,02 pacientes por unidade médica. Outros resultados elevados foram registrados em Hokkaido, com 14,60, e Saitama, com 13,65.

Os dados demonstram que a influenza apresenta comportamentos diferentes nas várias regiões do Japão.

Mais de 1.200 instituições educacionais foram afetadas

O aumento da circulação da influenza também provocou consequências nas atividades escolares.

Segundo as informações divulgadas pelas autoridades de saúde, 1.293 instituições educacionais adotaram medidas como suspensão de aulas, fechamento de turmas ou interrupção temporária de atividades durante o período analisado.

O levantamento inclui creches, jardins de infância e instituições de ensino fundamental e médio.

Essas medidas são utilizadas para reduzir a transmissão quando existe concentração de estudantes com sintomas semelhantes aos da influenza.

O fechamento de uma turma não significa necessariamente que todos os alunos estejam doentes.

A decisão depende das condições observadas pela instituição e das orientações das autoridades locais.

Para as famílias, essas interrupções podem representar dificuldades adicionais, principalmente quando os responsáveis precisam trabalhar e não possuem alternativas para cuidar das crianças.

Temporada começou mais cedo em algumas regiões

A circulação da influenza durante o outono chamou a atenção das autoridades japonesas.

Em várias regiões, os indicadores ultrapassaram os níveis de referência para início da temporada de transmissão antes do período em que tradicionalmente se observa a maior quantidade de casos.

Em Shizuoka, por exemplo, a média provincial ultrapassou dez pacientes por unidade médica monitorada já na semana de 28 de setembro a 4 de outubro.

Segundo o governo provincial, esse foi um dos registros mais precoces de alcance do nível de atenção desde o início da série histórica utilizada pela administração.

O avanço antecipado não permite prever com precisão a intensidade que a temporada apresentará durante o inverno.

A evolução dependerá da circulação dos diferentes tipos de vírus, das condições de transmissão e de outros fatores.

O que significa a média por unidade médica?

O sistema japonês de monitoramento utiliza estabelecimentos de saúde selecionados para acompanhar a circulação de determinadas doenças infecciosas.

Essas instituições informam semanalmente quantos pacientes foram diagnosticados com influenza. O total é dividido pelo número de estabelecimentos participantes, produzindo a média de pacientes por unidade médica.

Esse indicador permite comparar a evolução da doença ao longo do tempo e entre diferentes regiões.

É importante esclarecer que os 35.440 casos notificados não representam todas as pessoas que contraíram influenza no Japão durante a semana.

O país possui outros estabelecimentos médicos e pessoas que podem apresentar sintomas sem procurar atendimento.

Portanto, os números representam a vigilância realizada pela rede de monitoramento, não uma contagem completa de todas as infecções existentes no território japonês.

Quais são os sintomas mais comuns?

A influenza é uma infecção respiratória provocada por vírus que podem causar febre, tosse, dor de garganta, dores musculares, dor de cabeça e cansaço intenso.

Em alguns casos, os sintomas aparecem rapidamente, com febre elevada e indisposição significativa. Mas nem todos os pacientes apresentam exatamente o mesmo quadro.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com determinadas condições de saúde podem apresentar maior risco de complicações.

Entre as consequências possíveis estão pneumonia, desidratação e agravamento de doenças preexistentes.

Por isso, pacientes com sintomas intensos, dificuldade para respirar, sinais de desidratação ou piora importante do estado geral precisam procurar avaliação médica.

Vacinação é uma das medidas de prevenção

O Ministério da Saúde recomenda considerar a vacinação contra a influenza como parte das medidas de prevenção.

A vacina pode reduzir o risco de adoecimento e, especialmente, de complicações graves em determinados grupos. Porém, a sua proteção não é absoluta, e a eficácia pode variar conforme as condições individuais e os vírus circulantes.

No Japão, a vacinação contra influenza costuma ser disponibilizada durante o outono, antes do período de maior transmissão no inverno.

Determinados grupos, como idosos que cumprem os requisitos dos programas municipais, podem receber subsídios para a vacinação. As condições e os valores dependem da cidade e das regras locais.

Para as famílias brasileiras, é recomendável consultar as informações da prefeitura onde residem e os serviços médicos disponíveis.

Medidas simples ajudam a reduzir a transmissão

Além da vacinação, as autoridades japonesas recomendam medidas de higiene e prevenção. A lavagem frequente das mãos ajuda a reduzir a transmissão de agentes infecciosos.

A ventilação dos ambientes fechados também é importante, especialmente em locais onde muitas pessoas permanecem juntas.

Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, evitar contato próximo quando houver sintomas e utilizar máscara quando apropriado são outras medidas que podem contribuir para reduzir a disseminação.

As pessoas que apresentam febre ou sintomas respiratórios devem evitar comparecer a escolas e locais de trabalho enquanto estiverem doentes, seguindo orientações médicas e as regras aplicáveis.

Atenção especial nas escolas

O aumento dos casos possui consequências importantes para famílias com crianças em idade escolar.

Nas escolas japonesas, a influenza pode provocar afastamento temporário dos alunos.

A legislação estabelece critérios específicos para o retorno às atividades escolares depois da doença.

Em regra, o afastamento deve continuar até que tenham transcorrido cinco dias desde o início dos sintomas e dois dias após o desaparecimento da febre.

Para crianças pequenas em determinadas instituições de educação infantil, o período após o desaparecimento da febre pode ser maior. A aplicação dessas regras deve observar as orientações da instituição e dos profissionais de saúde.

Por isso, os responsáveis precisam comunicar a escola quando houver diagnóstico e confirmar as condições para o retorno.

Próximo levantamento será divulgado em 6 de novembro

O Ministério da Saúde informou que o próximo boletim nacional, referente à semana de 26 de outubro a 1º de novembro, está previsto para sexta-feira (6).

O resultado permitirá verificar se o crescimento observado em Aichi, Shizuoka e outras províncias continuou durante a última semana de outubro.

Até a divulgação dos novos dados, o levantamento de 19 a 25 de outubro permanece como a referência nacional mais recente.

As autoridades recomendam manter as medidas de prevenção, acompanhar as orientações locais e procurar atendimento médico quando houver sintomas que justifiquem avaliação profissional.

Fontes: Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, Governos de Aichi e de Shizuoka, Prefeitura de Nagoya.

Foto: Canva

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