Febre maculosa em Shizuoka: sintomas, riscos e quando procurar atendimento

Shizuoka — Mais um caso de febre maculosa japonesa (日本紅斑熱 — Nihon kōhannetsu) foi confirmado neste mês de agosto na cidade de Shizuoka, na província de mesmo nome, sendo o quinto apenas neste ano. A doença é transmitida por carrapatos e pode se tornar grave quando o diagnóstico e o tratamento atrasam.
O paciente é um homem na faixa dos 40 anos, da cidade de Shizuoka, e seu caso foi anunciado oficialmente pela Prefeitura de Shizuoka em 24 de agosto.
O homem começou a ter febre em 7 de agosto, buscou atendimento médico dois dias depois e foi internado em 12 de agosto. Em 19 de agosto, exames detectaram no sangue o material genético do agente causador da doença.
Segundo o município, ele apresentou febre, erupção cutânea, alteração da função do fígado e coagulação intravascular disseminada (DIC), mas estava em recuperação.
A investigação indica que a infecção provavelmente ocorreu quando o homem realizou atividades em uma área de mato no leste da província de Shizuoka e foi picado por um carrapato. Com esse diagnóstico, o número de casos confirmados em Shizuoka chegou a cinco em 2026, até 24 de agosto. Em 2025, a província havia registrado 28 casos, o maior número anual até então.
O que é a febre maculosa japonesa?
A febre maculosa japonesa — 日本紅斑熱 — Nihon kōhannetsu — é uma doença infecciosa causada pela bactéria Rickettsia japonica.
A transmissão ocorre principalmente quando uma pessoa é picada por um carrapato (マダニ — madani) infectado com a bactéria.
Depois da picada, o período de incubação costuma ser de aproximadamente 2 a 8 dias. No Japão, os casos são observados principalmente durante os meses em que os carrapatos estão mais ativos, especialmente entre a primavera e o outono.
Não existe vacina aprovada no Japão contra a doença. A principal forma de prevenção é evitar a picada do carrapato.
Quais são os principais sintomas?
Três sinais são considerados particularmente importantes:
- febre;
- erupção cutânea ou manchas avermelhadas na pele;
- marca ou lesão no local da picada do carrapato.
Também podem ocorrer:
- dor de cabeça;
- cansaço ou mal-estar intenso;
- alterações em exames do fígado;
- redução das plaquetas.
As manchas podem aparecer nas extremidades dos braços e pernas e se espalhar pelo corpo. Em alguns pacientes, também podem atingir as palmas das mãos e as plantas dos pés.
Um problema que ocorre é que nem sempre a pessoa percebe que foi picada. Carrapatos podem permanecer presos à pele por bastante tempo, e a picada pode passar despercebida. Portanto, não ter visto um carrapato não é motivo suficiente para descartar a possibilidade de uma doença transmitida por ele.
Por que a doença pode ser perigosa?
A febre maculosa japonesa possui tratamento com antibióticos, mas a identificação precoce da doença é importante.
Em casos graves, pode ocorrer coagulação intravascular disseminada (DIC), uma alteração grave do sistema de coagulação do sangue. Também já foram registrados casos com falência de múltiplos órgãos e morte.
O caso anunciado em agosto de 2026 em Shizuoka mostra concretamente esse risco: o paciente apresentou DIC e alteração da função hepática e precisou ser internado.
O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão informa que o início rápido do tratamento adequado com antibióticos é importante para a evolução do paciente.
Quando procurar atendimento médico?
Não espere pelos sintomas. Procure ajuda médica se você esteve recentemente em locais como:
- área de mato ou vegetação alta;
- montanha ou trilha;
- terreno rural;
- plantação ou horta;
- margem de estrada com vegetação;
- área onde há presença de animais silvestres;
e, nos dias seguintes, apresentar febre, manchas na pele, dor de cabeça, cansaço forte ou mal-estar.
A Prefeitura de Shizuoka recomenda que pessoas que tenham sido picadas por carrapatos, ou que apresentem febre, erupção cutânea ou mal-estar depois de uma possível exposição, procurem rapidamente uma instituição médica, como clínica médica ou dermatologia.
Ao conversar com o médico, não informe apenas os sintomas. Diga também:
"Estive em uma área de mato e existe a possibilidade de eu ter sido picado por um carrapato."
Também ajuda informar quando e onde ocorreu a atividade ao ar livre. Esse histórico pode ser importante para que o médico considere doenças transmitidas por carrapatos durante a avaliação.
E se o carrapato ainda estiver preso à pele?
Não tente arrancá-lo à força. Os carrapatos podem fixar profundamente a estrutura bucal na pele. A retirada inadequada pode deixar partes do carrapato presas ou causar outros problemas no local.
O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar recomenda procurar uma instituição médica, especialmente um serviço de dermatologia, para que o carrapato seja retirado adequadamente.
Depois de uma picada, observe seu estado de saúde nos dias e semanas seguintes. Caso apareçam febre ou outros sintomas, procure atendimento e informe ao médico sobre a picada.
Como reduzir o risco de picadas
A presença de carrapatos não está limitada a montanhas remotas. Eles também podem estar em áreas rurais, terrenos com vegetação, hortas, campos e locais próximos de residências.
Ao entrar em áreas de vegetação, as autoridades japonesas recomendam:
- usar calça comprida e camisa de manga longa;
- reduzir ao máximo as áreas de pele exposta;
- usar calçados que cubram completamente os pés;
- utilizar repelentes indicados para carrapatos;
- preferir roupas claras, que facilitam visualizar um carrapato;
- verificar o corpo após atividades ao ar livre;
- tomar banho e examinar cuidadosamente a pele.
Locais como pescoço, atrás das orelhas, axilas, virilha, punhos e parte posterior dos joelhos merecem atenção especial durante a inspeção.
A Prefeitura de Shizuoka ressalta que o repelente deve ser usado como parte de um conjunto de medidas e que ele, sozinho, não impede todas as picadas.
Febre maculosa japonesa é a mesma doença conhecida no Brasil?
Não exatamente.
As duas pertencem a um grupo de infecções causadas por bactérias do gênero Rickettsia e podem ser transmitidas por carrapatos, mas os agentes envolvidos não são necessariamente os mesmos.
No Japão, a febre maculosa japonesa é causada pela Rickettsia japonica.
No Brasil, o Ministério da Saúde informa que a forma grave conhecida como Febre Maculosa Brasileira está associada principalmente à Rickettsia rickettsii, enquanto casos associados à Rickettsia parkeri também são registrados no país.
Para brasileiros que vivem no Japão, portanto, não é recomendável interpretar sintomas ou riscos apenas com base no que se conhece da doença no Brasil.
O que o caso de agosto ensina para quem mora em Shizuoka
O comunicado de agosto não significa que toda pessoa que frequente áreas verdes vá contrair a doença. O que ele mostra é que o agente infeccioso e os carrapatos transmissores estão presentes na região e que a exposição pode acontecer durante atividades comuns em áreas de vegetação.
O caso também deixa três orientações práticas:
- Proteja-se antes de entrar em mato ou vegetação alta.
- Depois da atividade, verifique o corpo e fique atento ao aparecimento de sintomas.
- Se surgir febre ou erupção cutânea após uma possível exposição, procure atendimento e mencione explicitamente a possibilidade de picada de carrapato.
Não espere necessariamente encontrar a marca da picada nem lembrar de ter visto um carrapato para informar ao médico sobre uma possível exposição.
Termos que podem aparecer no Japão
- febre maculosa japonesa — 日本紅斑熱 — Nihon kōhannetsu
- carrapato — マダニ — madani
- febre — 発熱 — hatsunetsu
- erupção cutânea — 発疹 — hasshin
- local da picada — 刺し口 — sashiguchi
- doença infecciosa de categoria IV — 四類感染症 — yonrui kansenshō
A febre maculosa japonesa é classificada no Japão como uma doença infecciosa de categoria IV, e os médicos devem comunicar os casos confirmados às autoridades sanitárias.
Foto: Canva







































