Febre maculosa em Shizuoka: sintomas, riscos e quando procurar atendimento

2026/08/26 15:21
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Shizuoka — Mais um caso de febre maculosa japonesa (日本紅斑熱 — Nihon kōhannetsu) foi confirmado neste mês de agosto na cidade de Shizuoka, na província de mesmo nome, sendo o quinto apenas neste ano. A doença é transmitida por carrapatos e pode se tornar grave quando o diagnóstico e o tratamento atrasam.

O paciente é um homem na faixa dos 40 anos, da cidade de Shizuoka, e seu caso foi anunciado oficialmente pela Prefeitura de Shizuoka em 24 de agosto.

O homem começou a ter febre em 7 de agosto, buscou atendimento médico dois dias depois e foi internado em 12 de agosto. Em 19 de agosto, exames detectaram no sangue o material genético do agente causador da doença.

Segundo o município, ele apresentou febre, erupção cutânea, alteração da função do fígado e coagulação intravascular disseminada (DIC), mas estava em recuperação.

A investigação indica que a infecção provavelmente ocorreu quando o homem realizou atividades em uma área de mato no leste da província de Shizuoka e foi picado por um carrapato. Com esse diagnóstico, o número de casos confirmados em Shizuoka chegou a cinco em 2026, até 24 de agosto. Em 2025, a província havia registrado 28 casos, o maior número anual até então.

O que é a febre maculosa japonesa?

A febre maculosa japonesa — 日本紅斑熱 — Nihon kōhannetsu — é uma doença infecciosa causada pela bactéria Rickettsia japonica.

A transmissão ocorre principalmente quando uma pessoa é picada por um carrapato (マダニ — madani) infectado com a bactéria.

Depois da picada, o período de incubação costuma ser de aproximadamente 2 a 8 dias. No Japão, os casos são observados principalmente durante os meses em que os carrapatos estão mais ativos, especialmente entre a primavera e o outono.

Não existe vacina aprovada no Japão contra a doença. A principal forma de prevenção é evitar a picada do carrapato.

Quais são os principais sintomas?

Três sinais são considerados particularmente importantes:

  • febre;
  • erupção cutânea ou manchas avermelhadas na pele;
  • marca ou lesão no local da picada do carrapato.

Também podem ocorrer:

  • dor de cabeça;
  • cansaço ou mal-estar intenso;
  • alterações em exames do fígado;
  • redução das plaquetas.

As manchas podem aparecer nas extremidades dos braços e pernas e se espalhar pelo corpo. Em alguns pacientes, também podem atingir as palmas das mãos e as plantas dos pés.

Um problema que ocorre é que nem sempre a pessoa percebe que foi picada. Carrapatos podem permanecer presos à pele por bastante tempo, e a picada pode passar despercebida. Portanto, não ter visto um carrapato não é motivo suficiente para descartar a possibilidade de uma doença transmitida por ele.

Por que a doença pode ser perigosa?

A febre maculosa japonesa possui tratamento com antibióticos, mas a identificação precoce da doença é importante.

Em casos graves, pode ocorrer coagulação intravascular disseminada (DIC), uma alteração grave do sistema de coagulação do sangue. Também já foram registrados casos com falência de múltiplos órgãos e morte.

O caso anunciado em agosto de 2026 em Shizuoka mostra concretamente esse risco: o paciente apresentou DIC e alteração da função hepática e precisou ser internado.

O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão informa que o início rápido do tratamento adequado com antibióticos é importante para a evolução do paciente.

Quando procurar atendimento médico?

Não espere pelos sintomas. Procure ajuda médica se você esteve recentemente em locais como:

  • área de mato ou vegetação alta;
  • montanha ou trilha;
  • terreno rural;
  • plantação ou horta;
  • margem de estrada com vegetação;
  • área onde há presença de animais silvestres;

e, nos dias seguintes, apresentar febre, manchas na pele, dor de cabeça, cansaço forte ou mal-estar.

A Prefeitura de Shizuoka recomenda que pessoas que tenham sido picadas por carrapatos, ou que apresentem febre, erupção cutânea ou mal-estar depois de uma possível exposição, procurem rapidamente uma instituição médica, como clínica médica ou dermatologia.

Ao conversar com o médico, não informe apenas os sintomas. Diga também:

"Estive em uma área de mato e existe a possibilidade de eu ter sido picado por um carrapato."

Também ajuda informar quando e onde ocorreu a atividade ao ar livre. Esse histórico pode ser importante para que o médico considere doenças transmitidas por carrapatos durante a avaliação.

E se o carrapato ainda estiver preso à pele?

Não tente arrancá-lo à força. Os carrapatos podem fixar profundamente a estrutura bucal na pele. A retirada inadequada pode deixar partes do carrapato presas ou causar outros problemas no local.

O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar recomenda procurar uma instituição médica, especialmente um serviço de dermatologia, para que o carrapato seja retirado adequadamente.

Depois de uma picada, observe seu estado de saúde nos dias e semanas seguintes. Caso apareçam febre ou outros sintomas, procure atendimento e informe ao médico sobre a picada.

Como reduzir o risco de picadas

A presença de carrapatos não está limitada a montanhas remotas. Eles também podem estar em áreas rurais, terrenos com vegetação, hortas, campos e locais próximos de residências.

Ao entrar em áreas de vegetação, as autoridades japonesas recomendam:

  • usar calça comprida e camisa de manga longa;
  • reduzir ao máximo as áreas de pele exposta;
  • usar calçados que cubram completamente os pés;
  • utilizar repelentes indicados para carrapatos;
  • preferir roupas claras, que facilitam visualizar um carrapato;
  • verificar o corpo após atividades ao ar livre;
  • tomar banho e examinar cuidadosamente a pele.

Locais como pescoço, atrás das orelhas, axilas, virilha, punhos e parte posterior dos joelhos merecem atenção especial durante a inspeção.

A Prefeitura de Shizuoka ressalta que o repelente deve ser usado como parte de um conjunto de medidas e que ele, sozinho, não impede todas as picadas.

Febre maculosa japonesa é a mesma doença conhecida no Brasil?

Não exatamente.

As duas pertencem a um grupo de infecções causadas por bactérias do gênero Rickettsia e podem ser transmitidas por carrapatos, mas os agentes envolvidos não são necessariamente os mesmos.

No Japão, a febre maculosa japonesa é causada pela Rickettsia japonica.

No Brasil, o Ministério da Saúde informa que a forma grave conhecida como Febre Maculosa Brasileira está associada principalmente à Rickettsia rickettsii, enquanto casos associados à Rickettsia parkeri também são registrados no país.

Para brasileiros que vivem no Japão, portanto, não é recomendável interpretar sintomas ou riscos apenas com base no que se conhece da doença no Brasil.

O que o caso de agosto ensina para quem mora em Shizuoka

O comunicado de agosto não significa que toda pessoa que frequente áreas verdes vá contrair a doença. O que ele mostra é que o agente infeccioso e os carrapatos transmissores estão presentes na região e que a exposição pode acontecer durante atividades comuns em áreas de vegetação.

O caso também deixa três orientações práticas:

  1. Proteja-se antes de entrar em mato ou vegetação alta.
  2. Depois da atividade, verifique o corpo e fique atento ao aparecimento de sintomas.
  3. Se surgir febre ou erupção cutânea após uma possível exposição, procure atendimento e mencione explicitamente a possibilidade de picada de carrapato.

Não espere necessariamente encontrar a marca da picada nem lembrar de ter visto um carrapato para informar ao médico sobre uma possível exposição.

Termos que podem aparecer no Japão

  • febre maculosa japonesa — 日本紅斑熱 — Nihon kōhannetsu
  • carrapato — マダニ — madani
  • febre — 発熱 — hatsunetsu
  • erupção cutânea — 発疹 — hasshin
  • local da picada — 刺し口 — sashiguchi
  • doença infecciosa de categoria IV — 四類感染症 — yonrui kansenshō

A febre maculosa japonesa é classificada no Japão como uma doença infecciosa de categoria IV, e os médicos devem comunicar os casos confirmados às autoridades sanitárias.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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