Entenda o poder do consumidor no sustento da economia do Japão

Tóquio – Quando uma pessoa vai às compras, seja em lojas físicas ou virtuais, ela pode não ter noção do alcance de seu ato. Mas no conjunto, os consumidores representam um poder considerável na economia do Japão. Tanto é que na economia local, o consumo tem participação fundamental no Produto Interno Bruto (国内総生産, Kokunai Sōseisan).
Para orientar melhor os que sustentam a economia, o Japão criou o Mês do Consumidor, celebrado em maio devido à Lei Básica de Proteção ao Consumidor (消費者保護基本法, Shōhisha Hogo Kihonhō), de 1968. Mas que 20 anos depois o governo instituiu que o quinto mês do ano voltado à orientação aos consumidores, sob os cuidados da Agência de Assuntos do Consumidor (消費者庁, Shōhisha-chō), que realiza campanha de conscientização, ações de prevenção a golpes, cuidados em compras on-line e também divulgação sobre prevenção de customer harassment (カスタマーハラスメント, kasutamā harasumento).
Dados internacionais apontam que o consumo final ficou em 74,7% do PIB japonês em 2024. Já o Banco do Japão publicou em seu site que o consumo privado representa cerca de 60% do total do PIB. Quer dizer, a produção das empresas é voltada grandemente para a demanda doméstica (内jou, Naiju), não apenas para exportação (輸出, Yushutsu), sendo que estas correspondem a 22,8% do PIB.
O consumidor, como objetivo principal da indústria e de outros setores, precisa de proteção, a qual vem dos artigos da Lei Básica de Política do Consumidor (消費者基本法, Shōhisha Kihonhō), que estabelece seus direitos, com várias instituições nas quais ele pode recorrer caso se sinta enganado em alguma compra.
Essa proteção é necessária pois, mesmo com o rigor da lei, ainda existem tentativas de golpes digitais, na compra de suplementos, cosméticos, em serviços de internet e na construção civil.
Gasto médio
Em 2024, o gasto médio mensal de consumo no Japão foi de 300.243 ienes por domicílio entre famílias de duas ou mais pessoas. Entre as famílias assalariadas de duas ou mais pessoas, o consumo médio mensal foi de 325.137 ienes, com renda disponível média de 522.569 ienes e propensão média a consumir de 62,2%. Isso mostra que a inflação em itens cotidianos pesa muito, porque uma parte grande da renda já está comprometida com consumo corrente.
Na ponta do lápis, a maior despesa mensal média de famílias de duas ou mais pessoas foi de alimentação (食費, Shokuhī) em 2024, consumindo cerca de 88 mil ienes, seguida por transporte e comunicação (交通・通信, Kōtsū Tsūshin), somando perto de 50 mil ienes. Quer dizer, cada vez que há um comunicado de aumento nos preços dos alimentos, energia, transporte e de serviços básicos, o orçamento doméstico sofre um abalo.
E para quem sabe o valor do dinheiro que recebeu por seu trabalho, é preciso sempre lembrar de evitar compras por impulso em campanhas agressivas. Deve-se desconfiar de promoções boas demais para serem verdadeiras. Além disso, um bom consumidor pode comparar preços entre lojas físicas e as virtuais, verificar política de devolução, evitar clicar em links recebidos por e-mails não solicitados, para não cair em golpes.
Formas de pagamento
Apesar da difusão de novas formas de pagamento, como por meio digital (デジタル決済, Dejitaru Kessai), o dinheiro em espécie (現金, Genkin) ainda é o meio pelo qual os consumidores quitam suas compras, segundo um levantamento feito em 2024. Os pagamentos sem dinheiro (キャッシュレス決済, Kyasshuresu Kessai) somaram 42,8% do total de gastos em 2024.
No universo dos pagamentos sem dinheiro, o cartão de crédito (クレジットカード, Kurejitto Kādo) continua predominante, com 82,9% do valor das transações feitas. Em seguida vêm os code payments (コード決済, Kōdo Kessai), com 9,6%; dinheiro eletrônico (電子マネー, Denshi Manē), com 4,4%; e cartões de débito (デビットカード, Debitto Kādo), com 3,1%.
Foto: Canva






































