Dia Mundial da Síndrome de Down foca no combate à solidão

2026/03/13 14:35
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Tóquio – Você sabia que em 21 de março é celebrado o Dia Mundial da Síndrome de Down? A data foi criada para celebrar a vida das pessoas com síndrome de Down e garantir que elas tenham as mesmas liberdades e oportunidades que todas as outras. E neste ano tem um tema que merece atenção.

Segundo o site World Down Syndrome Day, o 21 de março (21) foi escolhido porque corresponde às três cópias do cromossomo 21, uma característica única das pessoas com síndrome de Down.

A data faz parte oficial do calendário das Nações Unidas desde 2012. E assim, todos os anos, a Down Syndrome International convoca as pessoas do mundo à ação com um tema voltado a garantir os direitos humanos das pessoas com síndrome de Down.

O tema deste ano é “Juntos contra a solidão” (#TogetherAgainstLoneliness). As pessoas em geral já se sentiram ou se sentem solitárias às vezes. Mas para quem tem síndrome de Down e outras deficiências intelectuais, a solidão é uma experiência mais comum e ao mesmo tempo dolorosa.

A solidão pode ser sentida quando eles não têm um grupo de amigos ou uma comunidade à qual possam pertencer, ou ao não ter uma pessoa próxima e especial com quem compartilhar os seus sentimentos.

Não precisa ir muito longe para saber que a solidão faz mal à saúde de qualquer pessoa, podendo gerar ansiedade ou depressão e até afetar a saúde física.

Um estudo constatou que a solidão pode ser tão prejudicial à saúde quanto fumar 15 cigarros por dia. E a solidão em um mundo de 8 bilhões de pessoas surge quando quem precisa não recebe apoio para construir e manter conexões com outras pessoas.

A solidão pode continuar existindo mesmo quando uma pessoa com síndrome de Down estiver em uma sala com outras. E a conclusão mais triste é que a solidão é causada por estigma e discriminação.

Para se ter uma base, pelo menos 1 em cada 800 bebês nasce com síndrome de Down, uma alteração cromossômica. Mesmo assim, são pessoas que são privadas de educação de qualidade, de bons cuidados de saúde, de oportunidades de trabalhar e ganhar o próprio dinheiro, ou até são impedidas de tomar decisões sobre a própria vida.

Mas o que fazer?

A Down Syndrome International pede para as pessoas criarem espaços acolhedores, como para participar de uma conversa, uma brincadeira.

A organização convida comunidades, escolas e entidades a realizar eventos para criar conexões, promover clubes, grupos inclusivos.

O Japão possui políticas de incentivo ao emprego de pessoas com deficiência e estabelece cotas para empresas, embora muitas companhias ainda tenham dificuldades em atingir as metas ou em oferecer funções realmente integradas ao ambiente de trabalho.

Bons exemplos no Japão

No Japão existem algumas iniciativas que promovem a inclusão de pessoas com síndrome de Down e outras deficiências no trabalho e em atividades sociais. Veja algumas delas:

Social Good Roasters, em Chiyoda (Tóquio)
É um café e torrefadora de café criado com foco em inclusão social. Parte da equipe é formada por pessoas com deficiência intelectual, incluindo síndrome de Down e autismo. Os funcionários participam de diversas tarefas do negócio, como preparar bebidas, atender clientes e trabalhar no processo de torra dos grãos. O projeto também oferece treinamento profissional e incentiva a interação com a comunidade local.

DAWN Avatar Robot Café, Nihonbashi (Tóquio)
Esse café usa robôs chamados OriHime como “garçons”. Eles são controlados remotamente por pessoas com deficiência que não conseguem sair de casa ou trabalhar presencialmente. Os funcionários conversam com clientes, recebem pedidos e interagem por meio dos robôs, permitindo que pessoas com limitações físicas participem do mercado de trabalho e da vida social.

Diverse Village NAGOYA, em Nagoya (Aichi)
É um centro de emprego inclusivo criado pela empresa Start Line. O espaço funciona como um ambiente de trabalho adaptado para pessoas com diferentes tipos de deficiência, oferecendo treinamento, suporte profissional e oportunidades de trabalho em empresas parceiras. O objetivo é ampliar a participação dessas pessoas no mercado de trabalho e promover independência econômica.

Cafés e negócios sociais criados por famílias
Em várias partes do país, alguns cafés inclusivos foram criados por familiares de pessoas com deficiência para oferecer oportunidades de trabalho e convivência. Um exemplo envolve uma empresária japonesa que abriu um café e contratou pessoas com deficiência, inspirada pela própria sobrinha com síndrome de Down. A iniciativa busca dar emprego, treinamento e visibilidade para esse grupo.

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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