Corte no imposto japonês gera alerta do FMI e dúvida no comércio

Tóquio – Uma pesquisa realizada pela Teikoku Databank revelou que poucas empresas esperam um impulso em suas vendas com a redução do imposto sobre consumo, como planeja o governo. Apenas um quarto dos empresários entrevistados disse que os efeitos serão positivos. O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu que o governo evite reduzir o imposto.
O levantamento foi feito via online com um total de 1.546 empresas, pouco antes e depois da eleição para a Câmara dos Representantes, no Parlamento, realizada no dia 8 de fevereiro (8), noticiou a NHK.
A pesquisa revelou que apenas 25,7% das empresas acreditam que a redução do imposto terá um desenvolvimento positivo. No caso de varejistas, quase 37% disseram que a redução do imposto terá um efeito positivo em suas contas. Alguns comerciantes disseram que a mudança poderá incentivar os consumidores a comprar mais.
Mas no geral, mais de 48% das empresas não preveem nenhum impacto específico se o governo decidir reduzir o imposto. Para 9% dos entrevistados, a mudança na política terá efeitos negativos. O restante não soube avaliar a situação.
O imposto sobre consumo (shouhizei) é cobrado em um sistema de múltiplas alíquotas. A padrão é de 10% e a reduzida é de 8%, sendo esta aplicada na compra de alimentos e bebidas, com exceção das alcoólicas e consumo em restaurantes. Outra pesquisa feita pela Teikoku Databank avalia os efeitos da redução do imposto nos preços e nos gastos com alimentação fora do lar.
Restaurantes se opõem
O setor de restaurantes se opõe ao imposto sobre consumo sobre alimentos zerado, segundo a Associação Japonesa de Serviços de Alimentação, entidade que representa os restaurantes, publicou o The Asahi.
A presidente da entidade, Kyoko Kushimoto, disse que ainda existem dúvidas quanto à eficácia imediata da medida como forma de enfrentar a alta dos preços. A Associação alega que a decisão do governo afastará os clientes dos restaurantes enquanto a taxa do imposto para refeições consumidas em restaurantes permanecer fixada em 10%.
Kushimoto disse que é contra a redução e que pedirá às autoridades que analisem a questão com cautela. Mas disse que se a proposta de “alimentos com imposto zero” for levada adiante, que também sejam incluídas as refeições consumidas fora de casa, como ocorre em restaurantes.
FMI pede para evitar redução do imposto
A promessa feita pela primeira-ministra Sanae Takaichi, durante a campanha eleitoral que garantiu à coalizão governista a maioria na Câmara dos Representantes, no Parlamento, também mobilizou o Fundo Monetário Internacional (FMI), publicou a Kyodo.
A organização instou o Japão a evitar a redução do imposto sobre o consumo, alertando que tal "medida não direcionada" para lidar com o aumento do custo de vida poderia deteriorar ainda mais a saúde fiscal do país. Em nota, o FMI divulgou que "o apoio às famílias e empresas vulneráveis mais afetadas pelo aumento do custo de vida ou por grandes choques externos deve ser neutro em termos orçamentários, temporário e direcionado a esses grupos".
O Japão detém a mais alta dívida pública entre as principais economias do mundo, com o FMI alertando que ela crescerá a longo prazo, apesar de as restrições de gastos e a maior arrecadação de impostos terem tido efeitos positivos em seus esforços de consolidação fiscal pós-pandemia.
Para o FMI, o "sistema de créditos fiscais reembolsáveis", que o governo japonês considera introduzir após a suspensão de dois anos do imposto sobre consumo, "se bem projetado, poderia fornecer um apoio mais direcionado às famílias mais vulneráveis".
A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, disse que embora tenha levado em consideração as recomendações do FMI, a "política do governo para alcançar uma economia forte e a sustentabilidade fiscal permanece inalterada".
Foto: Canva







































