Consumo das famílias cai no Japão e reforça sensação de aperto no custo de vida

Tóquio – Dados do governo mostram que o consumo das famílias voltou a cair em março. A informação chama atenção porque mostra o que muita gente já sente na prática: a renda pode até subir, mas o custo de vida continua travando as decisões dentro de casa. Segundo a pesquisa oficial do governo japonês, a despesa de consumo das famílias com dois ou mais integrantes caiu 2,9% em termos reais na comparação com o mesmo mês do ano anterior, marcando o quarto mês seguido de retração.
O levantamento do governo mostrou que o gasto médio mensal dessas famílias ficou em 334.701 ienes, isto é, as pessoas estão consumindo menos em volume real, já descontado o efeito da inflação. Isso explica o motivo de tantos moradores do Japão, inclusive brasileiros, seguirem com sensação de aperto no fim do mês mesmo quando há notícia de melhora em renda e emprego.
A pesquisa governamental mostrou que houve queda real em despesas importantes do cotidiano, como alimentação, contas de água, luz e gás, vestuário, transporte e comunicação. Mas indicou que outros itens importantes subiram, como gasto com moradia, saúde, educação e lazer. Em resumo, as famílias estão selecionando melhor onde gastar e segurando parte do consumo.
Outro ponto revelado na pesquisa é que nas famílias de trabalhadores, a renda real subiu. A renda mensal média desse grupo chegou a 557.663 ienes, e a renda disponível também avançou em termos reais. Mesmo assim, o consumo caiu. O dado mostra que as pessoas ainda se sentem inseguras em gastar diante do atual quadro econômico no país.
Analistas do Daiwa Institute of Research disseram que o resultado de março indica fraqueza principalmente no consumo de bens, enquanto os serviços se mantiveram mais firmes. Quer dizer, a família continua saindo, usando serviços e mantendo gastos inevitáveis, mas pensa duas vezes antes de comprar certos produtos ou renovar despesas maiores.
Foto: Canva







































