Conheça os 10 tipos de cyberbullying e como identificar cada agressão online

Tóquio – A prática de maus-tratos deixou de acontecer apenas no ambiente físico e passou também para o universo online. As agressões que chegam à vítima por e-mail ou redes sociais são diversas, mas produzem efeitos semelhantes ao bullying tradicional. Veja quais são as formas mais comuns utilizadas pelos agressores e também como agir para se proteger desses ataques no ambiente digital.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou que um em cada seis jovens em idade escolar sofre cyberbullying, em levantamento realizado em 44 países e regiões. O dado mostra que o mundo digital, apesar das oportunidades de aprendizado, tornou-se também espaço para agressões online.
O cyberbullying pode ocorrer de várias maneiras, por meio da disseminação de mentiras ou da ridicularização de alguém em plataformas digitais. Caracteriza-se pela repetição das ações, com o objetivo de assustar, irritar ou envergonhar as vítimas.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) publicou que todos os amigos brincam de vez em quando. “Mas se um se sentir magoado ou achar que os outros estão rindo dele em vez de rirem com ele, então a brincadeira passou dos limites.”
Os efeitos emocionais e físicos são os mesmos das agressões presenciais. No campo mental, podem surgir tristeza, constrangimento, medo ou raiva. No emocional, há vergonha ou perda de interesse por atividades importantes. No físico, sintomas como cansaço e dores de estômago ou de cabeça são comuns.
Veja quais são os 10 tipos de cyberbullying
1. Exclusão social
Ocorre quando alguém do grupo ou do convívio é deixado de fora de uma atividade de maneira intencional. Uma criança pode ser excluída de um grupo ou festa sobre a qual todos estão falando ou para a qual todos foram convidados, ou pode ser retirada de conversas e mensagens em grupo envolvendo amigos em comum.
2. Assédio
O National Bullying Prevention Center, nos Estados Unidos, esclarece que existe diferença entre bullying e assédio. O bullying envolve ações que machucam alguém física ou emocionalmente. Quando a vítima pertence a uma classe protegida, como raça, religião, sexo, deficiência ou outras características, o comportamento pode ser caracterizado como assédio.
3. Outing ou doxing
Outing, ou doxing, ocorre quando alguém divulga informações sensíveis ou pessoais de outra pessoa sem consentimento, com intenção de causar dano ou humilhação. Em casos de cyberbullying, pode incluir a exposição de fotos sensíveis sem permissão ou o compartilhamento de mensagens privadas em público.
4. Enganação
Semelhante ao outing, mas com a inclusão da mentira. O agressor finge ser amigo da vítima e cria sensação de segurança. Quando conquista a confiança da pessoa, passa a abusar dessa confiança e compartilha informações privadas ou segredos com intenção maliciosa.
5. Cyberstalking
É a perseguição online repetida e persistente, utilizando redes sociais, e-mails e aplicativos de mensagens. Pode envolver envio constante de mensagens, criação de perfis falsos, vazamento de informações pessoais (doxing) e até acesso indevido a dispositivos para monitorar a vítima. No Brasil, no Japão e nos Estados Unidos, a prática é considerada crime.
6. Fraping
O termo combina as palavras Facebook e rape. Hoje, não se limita à rede social Facebook. Ocorre quando o agressor assume o controle da conta de alguém e publica conteúdo com intenção de humilhar ou constranger. Pode ocorrer entre amigos, quando a pessoa deixa o dispositivo aberto. Mas, quando feito com intenção maliciosa, pode causar danos graves à identidade, à reputação e à vida social da vítima.
7. Mascaramento
Semelhante ao fraping, mas o agressor cria um perfil ou identidade falsa e se passa pela vítima. Geralmente envolve criação de e-mail ou conta social falsos para divulgar conteúdo prejudicial ou humilhante.
8. Dissing
Ato de espalhar informações cruéis sobre uma pessoa em postagens públicas ou mensagens privadas, com o objetivo de prejudicar sua reputação ou suas relações com outras pessoas. Geralmente ocorre quando o agressor tem algum tipo de relação com a vítima.
9. Trolling
Ocorre quando alguém tenta provocar reações negativas ao postar comentários ofensivos ou inflamatórios online, como em tópicos de redes sociais. Trolling se torna cyberbullying quando existe intenção maliciosa. Na maioria das vezes, o agressor não tem relação pessoal com a vítima.
10. Flaming ou roasting
Semelhante ao trolling, mas com ataques mais diretos e pessoais, geralmente em ambientes públicos. Inclui linguagem ofensiva e insultos com o objetivo de intimidar a vítima.
Consequências graves
O cyberbullying pode resultar em histórias trágicas, incluindo casos de suicídio. Compreender os diferentes tipos ajuda a reconhecer e combater esse tipo de agressão.
Se você ou alguém que conhece é vítima de cyberbullying, existe ajuda disponível. Veja como denunciar:
• Denúncia Online de Crimes Cibernéticos: A Agência Nacional de Polícia (NPA) mantém um departamento especializado e algumas delegacias oferecem formulários de denúncia online.
• Linhas diretas de direitos humanos do Ministério da Justiça: atendimento voltado para casos de bullying e assédio online.
• Linha Direta de Direitos Humanos (Geral): 0570-003-110
• Linha Direta dos Direitos da Criança: 0120-007-110
• Aconselhamento para Estrangeiros: 0570-090-911
• Aconselhamento Online: disponível aqui
• TELL Lifeline: apoio emocional em inglês ou japonês, telefone 03-5774-0992
• Japan Legal Support Center (Hou Terasu): assistência jurídica. Informações aqui
Dicas importantes
Caso seja vítima de cyberbullying, algumas atitudes são essenciais:
• Documente tudo: guarde capturas de tela, e-mails e mensagens.
• Não apague as provas: registros são fundamentais em qualquer processo.
• Em casos de difamação: a lei japonesa endureceu penas para difamação online, com possibilidade de prisão de até um ano ou multa.








































