Ciência revela que imaginar exercícios ativa o cérebro como treino real

2026/04/03 10:11
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Estados Unidos – Parece brincadeira, mas a ciência já demonstrou que imaginar um movimento físico ativa o cérebro de forma semelhante à execução real. Esse processo é conhecido como imagética motora e envolve a simulação mental de ações sem que haja movimento corporal. Ao imaginar um exercício de academia, como levantar pesos ou fazer um agachamento, o cérebro recria internamente os padrões neurais associados àquela ação. A descoberta sem dúvida é muito boa, mas tem um limite.

Estudos em neurociência mostram que áreas como o córtex motor, o cerebelo e regiões ligadas ao planejamento e controle do movimento são ativadas durante esse tipo de imaginação. Essas são as mesmas regiões envolvidas quando o movimento é realmente executado, o que indica uma sobreposição funcional entre a prática mental e a física.

Os pesquisadores usaram técnicas de neuroimagem, como ressonância magnética funcional, para confirmar que essa ativação cerebral ocorre de forma consistente. Embora a intensidade da ativação seja menor do que durante o movimento real, o padrão observado é suficientemente semelhante para sugerir que o cérebro está, de fato, ensaiando a ação.

Além disso, meta-análises em psicologia e ciência do esporte indicam que a prática mental pode contribuir para o aprendizado motor, melhorar a coordenação e até otimizar o desempenho quando combinada com treino físico. Por isso, a imagética motora é amplamente utilizada por atletas e também em contextos de reabilitação, como na recuperação de pacientes após lesões neurológicas.

É boa, mas tem limites

Apesar desses benefícios, imaginar um treino não substitui o exercício físico. A prática mental não gera os mesmos efeitos fisiológicos, como ganho de força, hipertrofia muscular ou melhora do condicionamento cardiovascular, já que esses dependem de estímulos mecânicos e metabólicos reais no corpo.

A principal conclusão dos pesquisadores é que a imaginação do movimento pode ser uma ferramenta complementar valiosa, especialmente para aprimorar técnica, foco e aprendizagem. No entanto, seus efeitos são predominantemente neurológicos e cognitivos, não físicos.

Os estudos foram conduzidos por instituições como a University College London, a Universidade de Oxford, a Harvard Medical School, o Instituto Karolinska, na Suécia, e universidades associadas a publicações em periódicos como Nature, PLOS ONE e Springer.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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