BOJ prevê crescimento econômico moderado e alerta para tarifas dos EUA

Tóquio – Um relatório do Banco do Japão (BOJ) indica que a economia do país deve crescer moderadamente este ano, impulsionada por um ciclo virtuoso entre renda e gastos, que se intensificam gradualmente. O crescimento é apoiado por medidas econômicas do governo e pelas condições financeiras acomodatícias, embora as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos estejam afetando fortemente a economia do país.
Segundo o relatório "Perspectiva para Atividade Econômica e Preços" do banco central japonês, publicado em 23 de janeiro, as previsões de crescimento real para os anos fiscais de 2025 e 2026 foram revisadas para cima em comparação ao documento anterior, refletindo principalmente os efeitos positivos das medidas governamentais. Por outro lado, projeta-se uma taxa de crescimento ligeiramente menor para o ano fiscal de 2027, à medida que os efeitos desses estímulos econômicos diminuem.
A expectativa do banco central é que desacelere o aumento do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), excluindo alimentos frescos, para um nível abaixo de 2% no primeiro semestre deste ano. Isso se deve à diminuição dos efeitos da alta nos preços de alimentos e às medidas do governo para conter a inflação. Contudo, projeta-se que a inflação subjacente continue subindo moderadamente, sustentada pela interação entre aumentos salariais e preços.
No mercado de trabalho, a estimativa é de que a escassez de trabalhadores aumente à medida que a economia aquece, levando a uma elevação das expectativas de inflação a médio e longo prazo. Uma mudança notável é o aumento do investimento fixo das empresas focado em economia de mão de obra e digitalização (incluindo IA) para lidar com a falta de pessoal. Isso é visto pelos técnicos do banco central como um fator que pode aumentar a produtividade e o potencial de crescimento da economia a médio e longo prazo.
Com relação aos salários, o governo japonês espera que as empresas continuem concedendo aumentos, o que deve levar a inflação a atingir gradualmente um nível compatível com a meta de estabilidade de preços na segunda metade do período de projeção.
Quanto aos riscos à economia japonesa, o BOJ aponta os desenvolvimentos nas economias estrangeiras sob o impacto de políticas comerciais (incluindo tarifas), flutuações nos preços de commodities e o comportamento das empresas na fixação de salários e preços. Apesar dessas incertezas, o Banco do Japão avalia que os riscos para a atividade econômica e para os preços estão, de modo geral, equilibrados.
A maior preocupação reside no impacto tarifas dos EUA como um fator que já afetou as exportações e a produção industrial japonesa. Há um risco de que elas deteriorem os lucros corporativos, o que poderia afetar negativamente o emprego e a renda.
Outro ponto que preocupa é a possibilidade de que políticas comerciais levem à reestruturação das cadeias de suprimentos ou interrupções logísticas, gerando custos consideráveis e pressionando os preços de importação. Se o impacto das tarifas sobre os lucros for prolongado, há o risco de as empresas mudarem seu foco para corte de custos em vez de aumentos salariais, enfraquecendo o ciclo de crescimento salarial.
Com relação à política monetária, o Banco do Japão deve seguir elevando a taxa de juros básica e ajustando o grau de acomodação monetária. Essa postura baseia-se na premissa de que, se as perspectivas econômicas e de preços se concretizarem conforme o esperado, tais ajustes serão necessários para alcançar a meta de estabilidade de preços de 2% de forma sustentável e estável.
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