Takaichi diz que ‘o maior problema’ do Japão é o declínio populacional

2025/11/28 06:57
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Tóquio – A primeira-ministra Sanae Takaichi disse recentemente que “o maior problema” do Japão é a diminuição da população. Ela prometeu ações decisivas para reverter esse quadro.

O Partido Liberal Democrático (PLD), de Takaichi, e seu parceiro de coalizão, Partido da Inovação do Japão, concordaram em outubro em formar uma força-tarefa para lidar com o declínio populacional, segundo Mena FM e Newsweek.

O dado demográfico mais recente indica que a população do Japão em 2025 é estimada em cerca de 123,1 milhões de pessoas, segundo o Worldmeter. A população continua em queda, com taxa de crescimento anual de aproximadamente –0,52 %.

Quanto à estrutura etária, cerca de 29,9 % da população tem 65 anos ou mais, o que representa quase 30%.

Sobre a taxa de fecundidade, estimativas recentes apontam para cerca de 1,23 filhos por mulher em 2025, ligeiramente acima dos valores extremos registrados anteriormente, mas ainda bem abaixo da taxa de reposição (~2,1).

Em 2024, o Parlamento aprovou legislação para combater a queda nas taxas de natalidade, com aumento dos abonos para famílias e dos benefícios de licença parental.

Em reunião recente, Takaichi comentou que, para permitir que as pessoas continuem vivendo nas regiões onde escolheram residir, o governo vai promover de forma ampla medidas contra o declínio populacional. Ela incumbiu o ministro responsável pelas políticas para crianças, Hitoshi Kikawada, e Kimi Onoda, responsável pelas políticas voltadas a estrangeiros residentes, de liderar essas ações.

Em muitas cidades japonesas há incentivos financeiros para atrair novos moradores, em especial para manter a existência dessas cidades no mapa.

Com taxas de natalidade muito baixas, o país enfrenta dificuldade para manter a parcela da população em idade ativa — essencial para sustentar a economia. Ao mesmo tempo, o número de idosos cresce, o que pressiona a rede de proteção social.

A Nações Unidas considera uma sociedade superenvelhecida aquela em que pelo menos 20 % da população tem mais de 65 anos. No Japão esse índice está próximo de 30 %.

Planos do governo

Takaichi anunciou a criação da Sede de Estratégia Populacional, com a participação de Kikawada e Onoda, para implementar medidas estruturadas de reversão da queda populacional. Entre as iniciativas estão manter serviços essenciais de seguridade social em áreas locais, tornar regiões rurais mais atrativas para jovens e mulheres viverem e trabalharem, estimular economias regionais, gerar valor agregado local e promover a convivência com trabalhadores estrangeiros.

Ela solicitou que sua equipe apresente propostas para revitalizar economias locais em áreas que enfrentam despovoamento, e orientou Onoda a definir uma estrutura adequada para pesquisas e políticas de aceitação de imigrantes residentes.

Alguns especialistas manifestam ceticismo em relação a resultados rápidos. O ex-primeiro-ministro Fumio Kishida afirmou em 2023 que a população jovem começará a cair drasticamente na década de 2030, alertando que o Japão se aproxima de um período crítico — embora ainda haja possibilidade de reverter a tendência.

Tendências

As projeções mais recentes indicam que o país continuará perdendo população em ritmo acelerado nos próximos anos. Para 2026, analistas demográficos estimam que o total populacional deve ficar na faixa de 122,6 milhões de habitantes.

Em 2027, a população pode cair para cerca de 122,0 milhões, mantendo a trajetória de declínio anual entre 500.000 e 600.000 pessoas. A taxa de fecundidade tende a permanecer abaixo de 1,25, patamar considerado crítico por especialistas.

O índice de envelhecimento também deve avançar. A parcela de moradores com 65 anos ou mais, que hoje se aproxima de 30%, pode ultrapassar esse limite antes de 2027, ampliando a pressão sobre o sistema de seguridade social, o mercado de trabalho e as economias locais.

Essas estimativas reforçam a urgência das políticas anunciadas pela primeira-ministra Sanae Takaichi, que tenta evitar que o país entre em uma fase demográfica ainda mais severa na década de 2030.

Foto: Banco de Imagens

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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