Takaichi diz que ‘o maior problema’ do Japão é o declínio populacional

Tóquio – A primeira-ministra Sanae Takaichi disse recentemente que “o maior problema” do Japão é a diminuição da população. Ela prometeu ações decisivas para reverter esse quadro.
O Partido Liberal Democrático (PLD), de Takaichi, e seu parceiro de coalizão, Partido da Inovação do Japão, concordaram em outubro em formar uma força-tarefa para lidar com o declínio populacional, segundo Mena FM e Newsweek.
O dado demográfico mais recente indica que a população do Japão em 2025 é estimada em cerca de 123,1 milhões de pessoas, segundo o Worldmeter. A população continua em queda, com taxa de crescimento anual de aproximadamente –0,52 %.
Quanto à estrutura etária, cerca de 29,9 % da população tem 65 anos ou mais, o que representa quase 30%.
Sobre a taxa de fecundidade, estimativas recentes apontam para cerca de 1,23 filhos por mulher em 2025, ligeiramente acima dos valores extremos registrados anteriormente, mas ainda bem abaixo da taxa de reposição (~2,1).
Em 2024, o Parlamento aprovou legislação para combater a queda nas taxas de natalidade, com aumento dos abonos para famílias e dos benefícios de licença parental.
Em reunião recente, Takaichi comentou que, para permitir que as pessoas continuem vivendo nas regiões onde escolheram residir, o governo vai promover de forma ampla medidas contra o declínio populacional. Ela incumbiu o ministro responsável pelas políticas para crianças, Hitoshi Kikawada, e Kimi Onoda, responsável pelas políticas voltadas a estrangeiros residentes, de liderar essas ações.
Em muitas cidades japonesas há incentivos financeiros para atrair novos moradores, em especial para manter a existência dessas cidades no mapa.
Com taxas de natalidade muito baixas, o país enfrenta dificuldade para manter a parcela da população em idade ativa — essencial para sustentar a economia. Ao mesmo tempo, o número de idosos cresce, o que pressiona a rede de proteção social.
A Nações Unidas considera uma sociedade superenvelhecida aquela em que pelo menos 20 % da população tem mais de 65 anos. No Japão esse índice está próximo de 30 %.
Planos do governo
Takaichi anunciou a criação da Sede de Estratégia Populacional, com a participação de Kikawada e Onoda, para implementar medidas estruturadas de reversão da queda populacional. Entre as iniciativas estão manter serviços essenciais de seguridade social em áreas locais, tornar regiões rurais mais atrativas para jovens e mulheres viverem e trabalharem, estimular economias regionais, gerar valor agregado local e promover a convivência com trabalhadores estrangeiros.
Ela solicitou que sua equipe apresente propostas para revitalizar economias locais em áreas que enfrentam despovoamento, e orientou Onoda a definir uma estrutura adequada para pesquisas e políticas de aceitação de imigrantes residentes.
Alguns especialistas manifestam ceticismo em relação a resultados rápidos. O ex-primeiro-ministro Fumio Kishida afirmou em 2023 que a população jovem começará a cair drasticamente na década de 2030, alertando que o Japão se aproxima de um período crítico — embora ainda haja possibilidade de reverter a tendência.
Tendências
As projeções mais recentes indicam que o país continuará perdendo população em ritmo acelerado nos próximos anos. Para 2026, analistas demográficos estimam que o total populacional deve ficar na faixa de 122,6 milhões de habitantes.
Em 2027, a população pode cair para cerca de 122,0 milhões, mantendo a trajetória de declínio anual entre 500.000 e 600.000 pessoas. A taxa de fecundidade tende a permanecer abaixo de 1,25, patamar considerado crítico por especialistas.
O índice de envelhecimento também deve avançar. A parcela de moradores com 65 anos ou mais, que hoje se aproxima de 30%, pode ultrapassar esse limite antes de 2027, ampliando a pressão sobre o sistema de seguridade social, o mercado de trabalho e as economias locais.
Essas estimativas reforçam a urgência das políticas anunciadas pela primeira-ministra Sanae Takaichi, que tenta evitar que o país entre em uma fase demográfica ainda mais severa na década de 2030.
Foto: Banco de Imagens







































