Japão: as inovações tecnológicas que surgiram após o grande terremoto de 2011

2026/03/16 09:05
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Tóquio – A ocorrência do terremoto e tsunami em março de 2011 forçou o Japão a buscar várias soluções para tentar reduzir os danos materiais e o número de vítimas. O país revisou as políticas de prevenção de desastres. Governo, universidades e empresas privadas investiram em novas tecnologias, sistemas de alerta, arquitetura resistente e soluções para abrigos emergenciais. Veja a seguir um panorama com exemplos concretos de medidas e invenções implementadas ou aceleradas depois do desastre.

Sistemas de alerta e de comunicação

Earthquake Early Warning
Depois do desastre de 2011, a Agência Meteorológica do Japão aprimorou o sistema nacional de alerta de terremotos, que foi profundamente atualizado com novos algoritmos capazes de estimar a intensidade do tremor com mais rapidez e precisão. Entre as melhorias estão os métodos Integrated Particle Filter (IPF) e Propagation of Local Undamped Motion (PLUM), que permitem calcular a intensidade das ondas sísmicas quase em tempo real. O alerta chega a celulares, televisão, rádio e alto-falantes públicos segundos antes da chegada das ondas mais destrutivas do terremoto. Esse intervalo pode permitir que pessoas se protejam, trens sejam interrompidos e equipamentos industriais sejam desligados automaticamente.

J-Alert modernizado
O sistema nacional de alerta via satélite passou por expansão e modernização após 2011. Ele transmite avisos de terremotos, tsunamis e outros perigos diretamente a municípios, emissoras e sistemas de comunicação pública. Em versões mais recentes, o processamento de alertas passou a levar apenas cerca de dois segundos. Ele permite alertar rapidamente milhões de pessoas por alto-falantes comunitários, celulares e mídia eletrônica.

Aplicativos e serviços digitais

Yurekuru Call
Aplicativo que usa dados do sistema nacional de alerta para avisar usuários segundos antes de um terremoto atingir sua região. A iniciativa da RC Solution é de 2011 e permite configurar intensidade mínima do tremor, receber contagem regressiva antes do impacto e avisar familiares automaticamente. Informações aqui.

Safety Tips
O aplicativo foi desenvolvido em 2014 pela Agência de Turismo do Japão voltado a estrangeiros, que envia alertas de terremotos, tsunamis e tufões em vários idiomas. Ele ajuda a reduzir os riscos para turistas e residentes estrangeiros que não entendem japonês. Informações aqui.

Yahoo Disaster Prevention App
Aplicativo do Yahoo Japan que envia alertas personalizados de terremoto, chuva extrema, tsunami e deslizamentos. Ele foi atualizado depois de 2011 e pode monitorar riscos específicos de acordo com a localização do usuário. Mais informações aqui.

Arquitetura e engenharia

Ampliação do uso de isolamento sísmico
Os sistemas chamados base isolation foram amplamente adotados em edificações após 2011, como prédios públicos, hospitais, condomínios e escritórios. Eles usam amortecedores e rolamentos que permitem que o prédio se mova independentemente do solo durante o terremoto. O recurso reduz drasticamente a vibração dentro do prédio e evita colapso estrutural.

Torres de evacuação contra tsunami
São estruturas de concreto elevadas projetadas para que moradores possam subir rapidamente em caso de tsunami quando não há tempo para fugir para áreas altas. São encontradas a partir de 2012 em Miyagi, Iwate e Fukushima. Elas podem salvar centenas de pessoas em áreas planas próximas ao mar.

Muros e barreiras contra tsunami reforçados
Após o desastre de 2011, diversas cidades reconstruíram ou ampliaram paredões marítimos de proteção, num processo que levou de 2012 a 2021. A existência dessas barreiras reduz a energia das ondas e dá mais tempo para evacuação.

Amortecedores sísmicos de óleo
Funcionam como os amortecedores de carro, dissipando a energia do tremor, permitindo que prédios balancem suavemente sem sofrer danos estruturais graves.

Tecnologia e sensores

Earthquake Guard (EQG-III)
A empresa Challenge Co. Ltd lançou o dispositivo que deve ser instalado em edifícios e fábricas, pois recebe sinais antecipados de terremotos. No caso, ele pode desligar automaticamente elevadores, linhas de produção e equipamentos perigosos antes do tremor forte.

Sensores sísmicos e redes IoT
Novos sensores conectados à internet foram instalados em redes densas de monitoramento para detectar terremotos com maior precisão na década de 2010. Assim, os alertas chegam mais rápidos, permitindo análises mais detalhadas da atividade sísmica.

Robôs e drones de resgate
Após 2011, o Japão passou a contar com o auxílio de robôs terrestres e drones para buscar sobreviventes, avaliar estruturas danificadas e mapear áreas perigosas. O seu uso reduz riscos para equipes de resgate e permite acesso a áreas inacessíveis.

Monitoramento ambiental cidadão

Safecast
Voluntários e pesquisadores criaram após o acidente nuclear de Fukushima a rede global de sensores, que mede níveis de radiação e qualidade do ar. Qualquer pessoa pode consultar mapas de radiação atualizados ou contribuir com medições usando sensores portáteis como o bGeigie. Mais informações aqui.

Abrigos e soluções para desabrigados

Tendas modulares para evacuação
Um problema ficou evidente após terremotos de grande proporção, que é abrigar as pessoas que perderam tudo. Então empresas e organizações não governamentais lançaram após 2011 diversos modelos de tendas com materiais leves, isolamento térmico e montagem rápida para abrigos emergenciais em ginásios e escolas. Eles oferecem privacidade, melhor ventilação e proteção contra frio e calor em centros de evacuação.

Abrigos de papel reciclado
Estruturas feitas com tubos de papelão reciclado que podem ser montadas rapidamente em abrigos de emergência. Criadas pelo arquiteto Shigeru Ban, elas têm baixo custo, fácil transporte e conforto mínimo para famílias desalojadas. Informações aqui.

Infraestrutura de pesquisa

Centros avançados de testes sísmicos
No Japão existem instalações de simulação de terremotos como mesas sísmicas gigantes usadas para testar prédios e pontes em escala real. Seu uso permite estudar como estruturas se comportam durante terremotos intensos e desenvolver projetos mais seguros.

Treinamento e preparação

Simuladores de terremoto e centros de experiência
Espaços onde visitantes experimentam simulações de terremotos e aprendem como agir. Oferecem orientação sobre como agir e treinamento para reduzir pânico durante desastres.

Foto: Reprodução/Cortesia da Universidade de Tohoku
Robô usado após a ocorrência de desastres

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