Japão propõe fechar 40% das universidades privadas por falta de alunos

Tóquio – A forte queda populacional está levando o governo do Japão a tomar algumas atitudes drásticas. As autoridades estão propondo fechar ou fundir 40% das universidades privadas e reduzir suas cotas de matrículas ante o baixo número de calouros. Além disso, o Ministério das Finanças propôs a redução nas vagas das faculdades de Medicina, diante da expectativa de excesso de médicos devido à queda populacional do país.
Em razão disso, o Ministério propôs reduzir o número delas em pelo menos 250 instituições, do total de 624, e que as cotas de admissão na graduação sejam cortadas em cerca de 140 mil estudantes até o ano de 2040, publicou a Jiji Press.
É a primeira vez que o Ministério das Finanças apresenta metas para resolver a situação, com o Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia defendendo que uma reestruturação é inevitável. As universidades em questão recebem subsídios do governo, sendo que cerca de ¥300 bilhões foram destinados para essa assistência no orçamento deste ano fiscal.
Em 2024 a população de jovens com 18 anos de idade, público visado pelas universidades, caiu para 1,09 milhão. Em 1992, havia 2,05 milhões de pessoas nessa faixa etária. Enquanto o número de japoneses na faixa dos 18 anos caía, uma decisão do governo favoreceu o aumento das instituições de ensino superior privadas.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisa sobre População e Seguridade Social mostram que o número de jovens de 18 anos no Japão cairá abaixo de 1 milhão em 2035 e chegará a cerca de 740 mil em 2040.
Precisou o tempo mostrar que os dados não batiam. Pesquisa da Corporação de Promoção e Assistência Mútua para Escolas Privadas do Japão em 2025 mostrou que 53% das universidades privadas não conseguiram preencher suas cotas de calouros.
O mais grave é que algumas delas operavam abaixo da capacidade, oferecendo ensinamentos que são dados durante os anos da educação obrigatória, como aritmética básica e aulas de inglês usando o verbo "to be", o que levou o Ministério a questionar a qualidade do ensino que justifique o fornecimento de subsídios governamentais.
O ministério ainda definirá caminhos para incentivar universidades que se tornarem financeiramente insustentáveis a encerrarem suas atividades.
Menos médicos
O Ministério das Finanças também busca reduzir a quantidade de médicos formados nas faculdades do país. O órgão destacou que ainda haverá equilíbrio entre pacientes para os médicos atenderem entre 2029 e 2031, mas que depois a tendência será de excesso de profissionais para poucas pessoas a serem atendidas.
Segundo o Ministério, o total de vagas nas faculdades de medicina no Japão gira em torno de 9 mil estudantes. Enquanto isso, o número de médicos por 100 mil habitantes deverá subir de 274 em 2022 para 340 em 2040 caso o total de vagas permaneça inalterado.
A preocupação do órgão é que o excesso de médicos parece inevitável, já que a oferta desses profissionais dificilmente diminuirá de forma significativa antes do ano fiscal de 2032, quando os estudantes que ingressaram nas faculdades de medicina em abril deste ano poderão atuar profissionalmente pela primeira vez.
Foto: Canva






































