Crise no Irã: Toyota corta produção e preço da gasolina sobe no Japão

Tóquio – A Toyota Motor Kyushu, na província de Fukuoka, informou que a produção de veículos para exportação sofrerá reduções. A extensão dos cortes não foi divulgada, mas a empresa afirma que eles não afetarão o horário normal de trabalho, sendo as horas extras ajustadas, segundo o FBS News. Já a NHK publicou que os cortes totalizarão cerca de 20.000 veículos, ou a maior parte dos despachos mensais regulares para a região.
A situação no Irã está levantando preocupações de que outros fabricantes japoneses também tenham que cortar as exportações para a região.
Preço da gasolina
Sites japoneses que monitoram o mercado de combustíveis indicam aumento gradual do preço da gasolina em várias regiões do país no início de março. Em Hokkaido, por exemplo, dados mostram que o preço médio da gasolina regular passou de 153,4 ienes por litro em 19 de janeiro para 156,5 ienes em 24 de fevereiro e chegou a cerca de 159,5 ienes por litro no começo de março.
A alta acumulada foi de aproximadamente 6 ienes por litro. Os dados também apontam elevação no valor médio nacional. O preço médio da gasolina no país gira atualmente em torno de 156 a 158 ienes por litro, registrando aumento nas últimas semanas.
A variação está relacionada a fatores como os preços internacionais do petróleo e ajustes nos subsídios do governo destinados a conter o custo do combustível. Em algumas províncias, o valor chega a níveis ainda mais altos. Na província de Ishikawa, por exemplo, levantamentos baseados em dados oficiais apontam preço médio de cerca de 168,3 ienes por litro para a gasolina regular.
Enquanto isso, o governo japonês já instruiu um local de armazenamento da reserva nacional de petróleo a se preparar para uma possível liberação de petróleo bruto em meio à crise envolvendo o Irã, afirmou no domingo (8) Akira Nagatsuma, do partido de oposição Aliança de Reforma Centrista.
Ele disse à agência Reuters que um funcionário da Organização Japonesa para Segurança de Metais e Energia (JOGMEC), na base nacional de armazenamento de petróleo de Shibushi, informou ter recebido a diretriz da Agência de Recursos Naturais e Energia (ANRE) na sexta-feira (6). Shibushi, no sul do Japão, é um dos pontos onde são armazenadas as reservas estratégicas de petróleo do país.
O país mantém reservas suficientes para 254 dias de consumo doméstico. Os estoques são do governo e do setor privado.
A agência de notícias Kyodo informou na sexta-feira (6) que o governo japonês está considerando utilizar parte de suas reservas nacionais de petróleo em meio à atual crise envolvendo o Irã, que interrompeu o fornecimento global de energia, podendo fazê-lo em coordenação com outros países ou até mesmo de forma independente.
Na segunda-feira (9), a primeira-ministra Sanae Takaichi prometeu que o governo implementará prontamente medidas para lidar com a alta no mercado de petróleo bruto, publicou o Nippon.
"Desde o início da semana passada, estamos considerando medidas que precisam ser tomadas imediatamente, incluindo aquelas relacionadas à gasolina e ao diesel, bem como às tarifas de eletricidade e gás", disse Takaichi em uma reunião do Comitê de Orçamento da Câmara dos Deputados.
Guerra chegou ao fim?
O índice Nikkei subiu mais de 1.900 ienes durante as negociações desta terça-feira (10) na Bolsa de Valores de Tóquio, após a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a "guerra está quase completamente encerrada", alegando que o Irã não tem marinha, força aérea nem comunicações. O problema é que o Irã não vê a situação assim, publicou a Jovem Pan.
Após as declarações do presidente Trump, o preço de referência dos futuros do petróleo bruto WTI despencou. Tendo se aproximado de US$ 120 por barril nas negociações do domingo (8), o preço caiu temporariamente para a faixa baixa de US$ 81, caindo quase US$ 40 em um único dia, segundo a TBS News.
Havia a preocupação quanto ao prolongamento do conflito e do bloqueio do Estreito de Ormuz, que poderiam travar a atividade econômica em outras partes do mundo, como no Japão, em razão da alta dos preços do petróleo. Por enquanto, parece que estas preocupações diminuíram.
Mas para a Guarda Revolucionária do Irã, não é Trump quem decide se a guerra chegou ao fim. "Seremos nós que decidiremos o fim da guerra", declarou um porta-voz da Guarda em um comunicado publicado nos meios de comunicação iranianos.
Foto: Canva






































