Temporada de gripe começa mais cedo no Japão: saiba os sintomas e quando procurar atendimento

2026/08/31 16:50
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Tóquio – O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar informou que o Japão entrou mais cedo neste ano na temporada de circulação da influenza.

Na semana de 17 a 23 de agosto, cerca de 3.000 unidades médicas sentinelas em todo o país notificaram 4.094 pacientes com influenza. O número corresponde a uma média de 1,11 paciente por unidade sentinela, indicador chamado em japonês de 定点当たり報告数 (teiten atari hōkokusū).

O Ministério considera 1,00 como referência para o início da circulação. Como a média nacional chegou a 1,11, o governo considera que o Japão entrou na temporada de influenza.

A entrada ocorreu cinco semanas mais cedo que no ano passado, quando o indicador nacional superou 1,00 na semana de 22 a 28 de setembro. Desconsiderando 2023, quando a circulação já vinha de forma contínua do ano anterior, este foi o segundo início mais precoce desde a entrada em vigor da Lei de Doenças Infecciosas, em 1999, atrás apenas de 2009.

Embora a média nacional tenha ultrapassado 1,00, a situação varia bastante entre as províncias. Na semana de 17 a 23 de agosto, 15 das 47 províncias registraram índice superior a 1,00, enquanto Toyama ficou exatamente nesse nível. Veja:

ProvínciaPacientes notificadosPor unidade sentinela
Okinawa1954,43
Iwate882,10
Aomori1082,08
Kanagawa4711,99
Saitama3071,83
Chiba3231,80
Ibaraki1201,76
Niigata911,65
Kagoshima901,58
Tóquio5741,49
Tochigi631,34
Miyazaki351,25
Miyagi661,20
Hokkaido1831,12
Nagasaki541,08
Toyama481,00

As maiores taxas foram registradas em Okinawa, com 4,43 pacientes por unidade sentinela, Iwate, com 2,10, e Aomori, com 2,08. Ao todo, 15 províncias ultrapassaram a referência de 1,00 e Toyama atingiu exatamente esse nível.

Entre algumas províncias com forte presença de brasileiros que ainda estavam abaixo da referência, os índices eram os seguintes:

ProvínciaPacientes notificadosPor unidade sentinela
Nagano480,96
Shizuoka980,91
Aichi1210,74
Gunma310,72
Shiga240,62
Mie340,52
Gifu220,49

Nagano e Shizuoka estavam muito próximas da referência de 1,00. Em Shizuoka, o indicador subiu de 0,56 para 0,91 em apenas uma semana. Em Aichi, passou de 0,51 para 0,74.

Em Shizuoka

Na semana de 17 a 23 de agosto, Shizuoka registrou 98 pacientes nas unidades sentinelas, com índice de 0,91, ainda abaixo da referência de 1,00.

Apesar do aumento em relação aos 0,56 da semana anterior, o governo provincial ainda informava que a circulação de influenza estava encerrada. Portanto, Shizuoka ainda não havia voltado a atingir a referência usada para indicar o início de uma nova circulação, mas apresentava uma tendência de alta.

Em Aichi

Aichi registrou 121 pacientes e índice de 0,74 na mesma semana, também abaixo da referência nacional. O indicador havia passado de 0,41 na semana de 3 a 9 de agosto para 0,51 na semana seguinte e, posteriormente, para 0,74.

Em Nagoya, a alta também vinha sendo observada:

SemanaÍndice
270,08
280,04
290,18
300,10
310,14
320,38
330,50
340,60

Na semana 34, Nagoya teve 30 pacientes notificados pelas 50 unidades médicas sentinelas, resultando em média de 0,60 por unidade. A cidade informa que o índice acima de 1,00 é a referência para a entrada na fase de circulação.

Quais são os sintomas?

Segundo o Ministério da Saúde, a influenza é caracterizada pelo aparecimento relativamente rápido de sintomas sistêmicos. Entre os principais estão:

• febre de 38°C ou mais;
• dor de cabeça;
• dores musculares;
• dores nas articulações;
• mal-estar e cansaço generalizado;
• dor de garganta;
• coriza;
• tosse.

Crianças podem, raramente, desenvolver 急性脳症 (kyūsei nōshō), encefalopatia aguda. Idosos e pessoas com baixa imunidade apresentam maior risco de desenvolver complicações, como pneumonia bacteriana.

Como os sintomas da influenza podem ser semelhantes aos de outras infecções respiratórias, como Covid-19, a avaliação médica pode ser necessária para determinar a causa.

Como ocorre a transmissão?

O vírus da influenza pode ser transmitido principalmente por duas formas.

飛沫感染 (himatsu kansen), transmissão por gotículas expelidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra.

接触感染 (sesshoku kansen), transmissão por contato, como ao tocar superfícies ou objetos contaminados e depois levar as mãos à boca ou ao nariz.

Segundo o Ministério da Saúde, uma pessoa com influenza pode eliminar o vírus pelo nariz e pela garganta desde aproximadamente um dia antes do aparecimento dos sintomas até três a sete dias depois. A duração varia de pessoa para pessoa.

O que o governo recomenda para prevenção?

O Ministério da Saúde recomenda medidas básicas como lavagem das mãos e 咳エチケット (seki echiketto), a chamada etiqueta da tosse. Pessoas com tosse ou espirros devem evitar direcioná-los a outras pessoas e utilizar máscara, lenço ou a parte interna do braço para cobrir a boca e o nariz.

O governo também recomenda o uso de máscara ao procurar atendimento médico ou visitar hospitais, instituições para idosos e outros locais onde estejam pessoas com maior risco de desenvolver formas graves. Para pessoas com maior risco, o uso de máscara também pode ser uma medida de proteção em locais muito movimentados.

No verão, porém, existe uma orientação adicional. Por causa do risco de insolação, o Ministério da Saúde recomenda retirar a máscara ao ar livre nas situações em que ela não seja necessária.

Quando procurar atendimento médico?

O Ministério da Saúde recomenda procurar uma instituição médica o quanto antes quando a febre alta persistir, houver dificuldade para respirar, alteração do estado de consciência ou outros sinais de piora do estado geral.

Idosos, pessoas com baixa imunidade, crianças e outros pacientes com maior risco de desenvolver formas graves exigem atenção especial.

No caso de crianças e adolescentes com influenza, o Ministério também alerta para a possibilidade de comportamentos anormais, como sair correndo repentinamente, tentar sair do quarto ou caminhar de maneira incomum. Depois do diagnóstico e do início do tratamento, o governo recomenda que crianças e adolescentes não sejam deixados sozinhos por pelo menos dois dias.

Por que procurar atendimento cedo?

Há também uma questão relacionada ao tratamento. Quando o médico considera necessário o uso de um antiviral contra influenza e o medicamento é iniciado nas primeiras 48 horas após o aparecimento dos sintomas, a duração da febre pode ser reduzida normalmente em um a dois dias, além de ocorrer redução da eliminação do vírus.

Quando o tratamento começa depois de 48 horas, o Ministério informa que não se pode esperar o mesmo nível de eficácia.

Isso não significa que todas as pessoas com influenza devam tomar antivirais. A necessidade depende do tempo de evolução dos sintomas, do estado do paciente e da avaliação do médico.

Vacinação

A vacina não garante que uma pessoa não seja infectada pelo vírus da influenza. No entanto, o Ministério da Saúde informa que existe efeito na redução do risco de desenvolver a doença e, principalmente, na prevenção da evolução para formas graves.

O Ministério também reconhece efeito na prevenção de mortes, especialmente entre pessoas com maior risco. Idosos e pessoas com doenças preexistentes estão entre os grupos que apresentam maior possibilidade de desenvolver complicações graves.

Foto: Canva

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