Número de municípios com mais de 5% de estrangeiros aumenta 2,5 vezes no Japão

Tóquio – O número de municípios japoneses em que os estrangeiros representam mais de 5% da população aumentou 2,5 vezes em apenas cinco anos, revelam dados definitivos do Censo de 2025 divulgados pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações.
Em 2020, 53 municípios estavam nessa situação. No levantamento mais recente, passaram para 132, mostrando que a concentração de estrangeiros deixou de ser uma característica apenas das grandes cidades e das regiões industriais e está avançando também por áreas rurais, agrícolas e turísticas.
A população estrangeira contabilizada pelo Censo chegou ao recorde de 3.840.039 pessoas, equivalente a 3,1% da população do Japão. O crescimento foi de 39,8% em relação aos 2,74 milhões registrados em 2020. Enquanto isso, o número de japoneses diminuiu em mais de 4,26 milhões no mesmo período.
O número de províncias com pelo menos um município onde os estrangeiros representam mais de 5% da população também aumentou, passando de 17 para 27.
Outra mudança significativa ocorreu entre os municípios com concentrações ainda maiores. Em 21 cidades, distritos ou vilarejos, mais de 10% dos moradores eram estrangeiros. Em quatro deles, a proporção ultrapassou 20%, algo que não havia sido registrado anteriormente pelo Censo japonês.
Polos industriais continuam concentrando estrangeiros
Embora o crescimento esteja alcançando novas regiões, os tradicionais polos industriais continuam entre as áreas com forte concentração estrangeira.
Esse cenário é particularmente visível em Aichi, Shizuoka, Gunma, Shiga e Fukui, províncias que também abrigam algumas das maiores comunidades brasileiras do Japão.
Aichi tem várias cidades acima de 5%
Aichi é um dos principais exemplos. Em junho de 2025, a província tinha 345.900 moradores estrangeiros, correspondentes a 4,64% da população. Os brasileiros formavam a segunda maior comunidade, com 61.003 pessoas, atrás apenas dos vietnamitas. No fim daquele ano, o número de estrangeiros em Aichi já havia aumentado para 357.800.
Apesar de a média provincial ainda estar abaixo de 5%, diversos municípios superavam com folga esse percentual.
Entre os principais estavam:
| Município | Província | Estrangeiros | Percentual da população |
| Tobishima | Aichi | 521 | 11,69% |
| Takahama | Aichi | 4.967 | 10,84% |
| Hekinan | Aichi | 6.932 | 9,69% |
| Chiryu | Aichi | 6.094 | 8,38% |
| Komaki | Aichi | 11.809 | 8,16% |
| Iwakura | Aichi | 3.893 | 8,14% |
| Nishio | Aichi | 12.989 | 7,79% |
| Yatomi | Aichi | 2.968 | 7,07% |
| Toyoake | Aichi | 4.684 | 6,88% |
| Toyohashi | Aichi | 22.957 | 6,36% |
| Kanie | Aichi | 2.188 | 5,99% |
| Toyota | Aichi | 23.402 | 5,65% |
Fonte: governo da província de Aichi, dados de junho de 2025.
Os números mostram uma particularidade de Aichi. Nagoya possui a maior quantidade absoluta de estrangeiros da província, mas sua enorme população faz com que o percentual fique abaixo dos registrados em vários municípios industriais menores.
Entre essas cidades estão alguns dos principais centros da comunidade brasileira.
Toyota, Hekinan, Chiryu, Nishio e Takahama possuem milhares de moradores brasileiros, muitos deles ligados direta ou indiretamente ao setor industrial e às cadeias de fornecedores da indústria automobilística.
No conjunto de Aichi, os brasileiros continuavam sendo a segunda maior nacionalidade estrangeira no fim de 2025. Eram 60.406, atrás dos 70.820 vietnamitas.
Oeste de Shizuoka também se destaca
Situação semelhante ocorre em Shizuoka, principalmente na região oeste da província, onde estão cidades com longa história de imigração brasileira.
Dados provinciais mostravam que Hamamatsu concentrava 26.352 estrangeiros, mais de um quarto do total de residentes estrangeiros da província. Em seguida apareciam Shizuoka, com 11.144, e Iwata, com 8.761.
Quando considerada a proporção em relação à população municipal, seis municípios superavam 5%:
| Município | Província | Estrangeiros | Percentual da população |
| Kikugawa | Shizuoka | cerca de 3.700 | 7,90% |
| Kosai | Shizuoka | cerca de 3.500 | 6,22% |
| Yoshida | Shizuoka | cerca de 1.800 | 6,08% |
| Fukuroi | Shizuoka | cerca de 4.800 | 5,55% |
| Iwata | Shizuoka | 8.761 | 5,29% |
| Makinohara | Shizuoka | cerca de 2.200 | 5,22% |
Fonte: governo da província de Shizuoka. Os números absolutos indicados como “cerca de” foram arredondados, enquanto os percentuais são os divulgados pela província.
Hamamatsu não aparece nessa tabela porque, apesar de ter muito mais estrangeiros em números absolutos, o percentual em relação à população total da cidade fica abaixo de 5%.
Isso não reduz sua importância para a comunidade brasileira. Hamamatsu continua sendo um dos maiores polos de brasileiros no Japão e a nacionalidade brasileira está historicamente entre as mais numerosas entre os estrangeiros da cidade.
Gunma tem um caso acima de 20%
Na região de Kanto, Gunma apresenta outro importante conjunto de cidades com grande presença estrangeira e brasileira.
No fim de dezembro de 2025, Isesaki tinha 17.320 residentes estrangeiros, Ota tinha 16.695 e Oizumi, apesar de ser um município muito menor, chegava a 9.011.
| Município | Província | Estrangeiros | Percentual aproximado da população |
| Oizumi | Gunma | 9.011 | 21,8% |
| Isesaki | Gunma | 17.320 | cerca de 8% |
| Ota | Gunma | 16.695 | 7,5% |
Fontes: governo de Gunma e governos municipais.
Oizumi merece atenção especial. O município tinha uma população total de 41.267 pessoas no fim de 2025, das quais 9.011 eram estrangeiras. Isso significa que aproximadamente um em cada cinco moradores era estrangeiro, uma proporção próxima de 22%.
A cidade é um dos mais conhecidos centros da comunidade brasileira no Japão e possui há décadas serviços públicos, informações e estruturas voltadas ao atendimento de moradores de outras nacionalidades.
Ota também apresenta forte concentração estrangeira. Em dezembro de 2025, os 16.695 estrangeiros correspondiam a cerca de 7,5% dos 222.402 moradores da cidade.
Shiga possui três municípios acima de 5%
Outro importante polo de brasileiros está em Shiga.
No fim de 2025, a província tinha 44.735 moradores estrangeiros, número recorde pelo quarto ano consecutivo. Eles representavam 3,19% da população provincial.
Três municípios superavam 5%:
| Município | Província | Estrangeiros | Percentual da população |
| Konan | Shiga | mais de 4.200 | 8,07% |
| Aisho | Shiga | cerca de 1.300 | 6,17% |
| Koka | Shiga | mais de 4.600 | 5,71% |
Fonte: governo de Shiga. Os percentuais correspondem ao levantamento do Registro Básico de Residentes no fim de 2025. O Censo de 2025 contabilizou 4.208 estrangeiros em Konan e 4.602 em Koka.
Além dessas cidades, Higashiomi também se destaca pelo número absoluto de estrangeiros. O Censo de 2025 contabilizou 5.064 moradores estrangeiros na cidade, o segundo maior total de Shiga, atrás apenas de Otsu, que tinha 6.477.
Shiga possui uma importante comunidade brasileira distribuída principalmente por cidades industriais. Levantamentos provinciais anteriores já apontavam brasileiros como o maior ou um dos maiores grupos estrangeiros em Konan, Koka, Higashiomi e Aisho.
Echizen tem forte concentração brasileira
Na região de Hokuriku, Echizen, na província de Fukui, também se destaca.
No início de 2025, a cidade tinha 80.418 habitantes, dos quais 5.622 eram estrangeiros. Somente os brasileiros eram 3.983, correspondendo a aproximadamente 71% da população estrangeira da cidade naquele momento.
| Município | Província | Estrangeiros | Percentual aproximado da população |
| Echizen | Fukui | 5.622 | 7,0% |
Fonte: Prefeitura de Echizen, dados de 1º de janeiro de 2025.
O caso de Echizen chama atenção não apenas pela proporção de estrangeiros, mas principalmente pela participação brasileira. Dos 5.622 moradores estrangeiros registrados no início de 2025, quase quatro mil eram brasileiros.
Novos polos aparecem longe das regiões industriais
O aspecto mais novo revelado pelo Censo de 2025, no entanto, aparece fora dos tradicionais polos industriais.
O município com maior proporção de estrangeiros de todo o Japão foi Kawakami, na província de Nagano. Os estrangeiros representavam 26,5% da população, contra 19% em 2020.
A economia local é fortemente ligada à agricultura, especialmente ao cultivo de alface, atividade que emprega trabalhadores estrangeiros.
Outro exemplo é Shimukappu, em Hokkaido, onde a proporção de estrangeiros praticamente dobrou e alcançou 21,7%. O crescimento foi relacionado principalmente aos resorts e ao turismo, que passaram a contratar mais trabalhadores estrangeiros.
| Município | Província | Percentual de estrangeiros |
| Kawakami | Nagano | 26,5% |
| Shimukappu | Hokkaido | 21,7% |
| Oizumi | Gunma | cerca de 22% |
Os dados de Kawakami e Shimukappu são do Censo de 2025. O percentual de Oizumi é do Registro Básico de Residentes de dezembro de 2025 e, por isso, não deve ser comparado diretamente como posição em um ranking do Censo.
Hokkaido passa de 5 para 22 municípios
Hokkaido é talvez o melhor exemplo dessa nova distribuição da população estrangeira.
Em 2020, apenas cinco municípios da província tinham estrangeiros representando mais de 5% de seus habitantes. No Censo de 2025, esse número saltou para 22.
Segundo a Jiji Press, o avanço está relacionado à crescente contratação de estrangeiros diante da falta de trabalhadores, principalmente em áreas de turismo, agricultura, silvicultura e pesca.
Dois movimentos acontecem ao mesmo tempo
Os números mostram que o Japão passa atualmente por dois movimentos simultâneos.
De um lado, continuam crescendo os tradicionais polos estrangeiros ligados à indústria, principalmente em Aichi, Shizuoka, Gunma, Shiga e Fukui. Muitas dessas cidades também concentram algumas das maiores comunidades brasileiras do país.
Toyota, Toyohashi, Hekinan, Chiryu, Nishio, Hamamatsu, Iwata, Ota, Isesaki, Oizumi, Konan, Koka, Higashiomi e Echizen são exemplos de municípios onde a presença estrangeira está diretamente relacionada à história da mão de obra imigrante e, em muitos casos, à comunidade brasileira.
Do outro lado, estrangeiros estão chegando em proporções cada vez maiores a pequenas cidades e vilarejos que anteriormente tinham pouca imigração, principalmente em regiões dependentes de agricultura, turismo e outros setores que enfrentam falta de trabalhadores.
Esse avanço fez com que o número de municípios com mais de 5% de estrangeiros saltasse de 53 para 132 entre 2020 e 2025.
Ao mesmo tempo em que a população japonesa diminui, a população estrangeira cresce e se espalha por uma parcela cada vez maior do território. O Censo de 2025 contabilizou 1,09 milhão de estrangeiros a mais do que cinco anos antes, deixando mais evidente o papel dessa população não apenas nas grandes áreas urbanas e industriais, mas também na manutenção de atividades econômicas em pequenas comunidades do interior do Japão.
Foto: Canva








































