Lealdade dos japoneses às empresas atinge menor nível histórico

Tóquio – Uma pesquisa revelou que a tradicional lealdade dos trabalhadores japoneses às empresas onde estão empregados está perdendo força. O levantamento mais recente mostrou que apenas 24,6% dos entrevistados que trabalham afirmaram ter lealdade à empresa, segundo o Instituto de Pesquisa sobre a Vida da Hakuhodo. O resultado foi o menor já registrado na série histórica desse indicador.
A pesquisa Seikatsu Teiten 1992-2026 é realizada a cada dois anos pelo instituto para acompanhar mudanças de comportamento e de valores da população ao longo do tempo.
No levantamento mais recente, foram obtidas 2.240 respostas válidas de pessoas com idades entre 20 e 69 anos, entre os dias 7 de maio e 25 de junho deste ano.
Porém, os resultados não devem ser interpretados como um retrato estatístico de todas as regiões do Japão, já que a pesquisa foi realizada na região metropolitana de Tóquio e na região de Hanshin, que engloba áreas de Osaka, Kyoto, Hyogo e Nara.
Durante décadas, o emprego vitalício, acompanhado de progressão salarial baseada na idade e no tempo de serviço, foi considerado um modelo de estabilidade profissional no Japão. Entretanto, esse tipo de pensamento vem perdendo força desde o colapso da bolha econômica, no início dos anos 1990.
Em vez de depender exclusivamente das empresas para garantir o próprio sustento e a estabilidade financeira, os trabalhadores passaram a demonstrar maior interesse em buscar outras formas de assegurar seu futuro. Essa mudança também aparece nos resultados da pesquisa.
O levantamento mostrou que 32,8% dos entrevistados afirmaram querer destinar dinheiro futuramente à compra de ações e outros investimentos. Para o instituto, enquanto esse interesse vem aumentando, a lealdade às empresas apresenta tendência de queda no longo prazo, o que indica uma mudança na forma como as pessoas procuram garantir sua segurança financeira.
Outro dado que chama a atenção é que 70,8% dos entrevistados afirmaram estar satisfeitos com a vida atual. Esse foi o maior percentual da série histórica e a primeira vez que o indicador atingiu a faixa de 70%.
O contraste aparece justamente na relação dos japoneses com instituições tradicionais e costumes sociais. Embora demonstrem menor vínculo com as empresas e determinados padrões coletivos, isso não significa que estejam insatisfeitos com a própria vida.
Segundo o instituto, os resultados apontam para uma tendência de valorização das escolhas individuais, com mais pessoas construindo seu próprio modo de vida de acordo com suas preferências, em vez de seguir necessariamente os padrões tradicionais da sociedade.
A pesquisa também revelou outras mudanças de comportamento. Entre os homens entrevistados, 53% afirmaram acreditar que os homens também devem tirar licença para cuidar dos filhos. Além disso, 68,3% dos participantes disseram querer aumentar o tempo dedicado ao sono, enquanto 36,1% afirmaram gastar dinheiro com hobbies.
Outra mudança aparece nos costumes tradicionais: apenas 17,1% dos entrevistados afirmaram manter o hábito de enviar oseibo todos os anos. O oseibo é um presente tradicional oferecido no fim do ano como forma de agradecimento a pessoas com quem se mantém uma relação pessoal ou profissional.
Fonte: Instituto de Pesquisa sobre a Vida da Hakuhodo
Foto: Canva







































