Jovens nikkeis se reúnem em Mie para fortalecer laços entre Japão e Brasil

2026/10/22 09:05
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Mie – A província de Mie recebeu, no dia 18 de outubro, o Workshop para Jovens Nikkeis Brasileiros 2026, realizado no UST Hall, com o tema “Network da próxima geração conectando Japão e Brasil: uma ponte para o futuro idealizada por jovens brasileiros no Japão”.

O encontro reuniu mais de 70 participantes de diversas províncias japonesas, especialmente estudantes do ensino médio, universitários e jovens recém-formados. A iniciativa promoveu o diálogo entre gerações, a reflexão sobre a história da comunidade nikkei e a construção de perspectivas para o futuro.

A programação contou com a participação de representantes de organizações nipo-brasileiras, entre eles Renato Ishikawa, presidente de honra da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo); Oston Hirano, vice-presidente da entidade; Hugo Teruya, diretor do Bunkyo; a presidente da NPO Aidensha, Sakamoto; e Takao Omae, presidente da Associação Central Nipo-Brasileira, instituição com mais de 90 anos de história.

Ser nikkei: valorizar a herança cultural e compartilhar valores

Renato Ishikawa, presidente de honra da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo)

Durante as apresentações, Renato Ishikawa, Oston Hirano e Hugo Teruya abordaram a história da imigração japonesa no Brasil, a atuação das associações nikkeis e a contribuição das gerações anteriores para o fortalecimento dos laços entre os dois países.

Para Renato Ishikawa, ser nikkei significa valorizar a herança cultural japonesa, preservar os ensinamentos dos antepassados e transmitir seus valores às novas gerações. Respeito, responsabilidade, gratidão, integridade e espírito coletivo são princípios fundamentais dessa trajetória.

A reflexão também abriu espaço para pensar a identidade nikkei para além da ascendência familiar, considerando a importância dos vínculos culturais, afetivos e comunitários na aproximação entre as pessoas e na construção de uma identidade compartilhada.

Preservar a história e fortalecer as organizações comunitárias

Um dos momentos centrais do encontro foi a palestra seguida de um diálogo entre o professor Miguel Kamiunten e os jovens participantes.

Educador e pesquisador da participação e representação política dos brasileiros emigrados, Kamiunten abordou os quase 40 anos da presença brasileira no Japão e ressaltou a importância de preservar tanto a história da imigração japonesa no Brasil quanto a trajetória dos brasileiros que construíram suas vidas em território japonês.

O professor destacou o papel do associativismo na organização comunitária, na transmissão de experiências entre gerações e no incentivo à participação coletiva.

Ressaltou também que registrar a história dos brasileiros no Japão significa reconhecer suas contribuições sociais, culturais e econômicas, além de oferecer às novas gerações referências para compreender sua própria trajetória.

Uma rede de jovens que ultrapassa fronteiras regionais

Em sua mensagem, Takao Omae destacou a importância do encontro, que reuniu jovens de diferentes regiões do Japão, incluindo integrantes da primeira e da segunda turmas de bolsistas da Mitsui & Co. Ltd.

O presidente da Associação Central Nipo-Brasileira incentivou os participantes a preservar os vínculos construídos durante o workshop, apoiar-se mutuamente e ampliar a rede de jovens nipo-brasileiros por todo o Japão.

Para Omae, a conexão entre jovens de diferentes regiões e gerações representa uma força para o futuro da comunidade e para o fortalecimento das relações entre Japão e Brasil.

Jovens assumem a organização e planejam os próximos passos

O protagonismo juvenil foi uma das principais características do evento. A organização ficou a cargo de cinco jovens: Aline Lie Yukihara de Figueiredo, Kauanne Hara Tanno, Juliana Miyuki Siomi, Natasha Kaori Sato Yamauti e Carolina Namie Fukunaga.

Com diferentes experiências educacionais, profissionais e comunitárias, elas participaram da preparação e da condução das atividades, além de integrarem o diálogo com o professor Miguel Kamiunten e as reflexões sobre o futuro da comunidade nikkei.

Durante a tarde, os participantes realizaram dinâmicas de integração, trabalhos em grupo e apresentações sobre as questões discutidas pela manhã.

O encontro também contou com uma apresentação de música brasileira pelo casal Casanova, valorizando a cultura e a convivência entre os participantes.

Ao final, as organizadoras reafirmaram o compromisso de dar continuidade às atividades e convidaram os presentes a participar dos próximos encontros.

Cinco jovens, diferentes trajetórias e um objetivo comum

As cinco organizadoras representam a diversidade de experiências da nova geração nipo-brasileira. Com idades entre 20 e 25 anos, suas trajetórias incluem diferentes percursos escolares no Japão e no Brasil, experiências profissionais, formação universitária e participação em atividades comunitárias.

Aline Lie Yukihara de Figueiredo, 22 anos, nasceu em São Paulo e chegou ao Japão aos quatro anos. Estudou inicialmente em escolas japonesas e, posteriormente, concluiu o ensino médio na escola brasileira Alegria de Saber, em Toyota, na província de Aichi.

Antes de ingressar na universidade, trabalhou em uma fábrica de autopeças e como cuidadora de idosos, enquanto se preparava para continuar os estudos. Atualmente, cursa o segundo ano de Psicologia na Universidade Aichi Toho e é bolsista da Mitsui Bussan.

Kauanne Hara Tanno, 25 anos, nasceu em Londrina, no Paraná, e veio para o Japão aos quatro anos. Estudou em escolas brasileiras e japonesas e, posteriormente, realizou estudos preparatórios para Medicina na Hungria.

Em 2024, decidiu seguir um novo caminho acadêmico e ingressou na Universidade Keio, onde cursa o terceiro ano de Ambiente e Informação, com foco nas áreas de cérebro e cognição. Também é bolsista da Mitsui Bussan.

Juliana Miyuki Siomi, 21 anos, estudou em instituições brasileiras e japonesas, tendo realizado a maior parte de sua formação escolar em uma escola brasileira no Japão.

Atualmente, cursa Estudos Turísticos na Universidade de Estudos Estrangeiros de Kyoto. Interessada na cultura tradicional japonesa, especialmente nos festivais populares, deseja contribuir para a preservação das tradições e sua transmissão às futuras gerações.

Também participou do Projeto Ponte, iniciativa de apoio a jovens estrangeiros organizada pela NPO Immi Lab.

Natasha Kaori Sato Yamauti, 20 anos, nasceu no Japão e estudou em escolas japonesas. Como não dominava o idioma japonês no início do ensino fundamental, recebeu aulas ministradas por voluntários no Centro Cultural Libra.

Atualmente, cursa o segundo ano de Economia na Universidade Meijo, é bolsista da Mitsui Bussan e também realiza trabalho voluntário no Centro Cultural Libra, desenvolvendo atividades voltadas a crianças estrangeiras.

Carolina Namie Fukunaga, 24 anos, nasceu no Japão, foi para o Brasil ainda bebê e retornou ao país por volta dos seis anos.

Após estudar inicialmente em uma escola brasileira, passou a frequentar instituições japonesas. Formou-se em Língua Inglesa e Cultura pela Universidade de Chubu, em março de 2024, e atualmente trabalha na área administrativa da Mitsubishi Chemical Engineering.

Também ministra aulas particulares de japonês para brasileiros e realiza traduções de documentos e serviços de interpretação presencial.

Apesar das diferenças de idade, formação e experiências, as cinco jovens compartilham o interesse em fortalecer os vínculos entre as comunidades brasileira e japonesa.

Ao assumirem a organização do workshop, demonstraram que a nova geração não pretende apenas preservar o legado recebido, mas também participar ativamente da construção dos próximos capítulos da história nipo-brasileira.

Uma ponte para o futuro

Mais do que um evento pontual, o workshop demonstrou o potencial de iniciativas que aproximam gerações, estimulam o diálogo e criam oportunidades para que os jovens assumam um papel ativo na construção de seu futuro.

Em uma comunidade que se aproxima de quatro décadas de presença brasileira no Japão, a preservação da memória, o fortalecimento do associativismo e a formação de novas lideranças são fundamentais para manter viva essa história e ampliar as possibilidades de cooperação entre os dois países.

A principal mensagem do encontro realizado em Mie foi a importância de conhecer a própria história, valorizar as conexões humanas e construir redes de solidariedade para que a próxima geração continue fortalecendo os laços entre Japão e Brasil.

Texto: enviado por Miguel Kamiunten

Fotos: Cedidas

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