Fábrica aposta em videogame para engajar trabalhadores em tarefas repetitivas 

2025/09/22 14:05
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Wakayama – Como você se sentiria se tivesse um emprego em que cada tarefa fosse repetitiva? Provavelmente acabaria desmotivado. Mas uma empresa da província de Wakayama encontrou uma forma diferente de manter seus funcionários engajados.

A empresa é a Maruwa, especializada em limpeza e distribuição de lençóis e toalhas para hotéis, hospitais e outras instalações. Ela instalou em sua unidade telas de alta definição onde rodam o “Real Focus Synergy”, um software que permite que os trabalhadores tenham uma experiência mais divertida, para superar o trabalho repetitivo e até aumentar a produtividade, publicou o “Automaton Media”. 

Entenda a ideia 

Funciona assim: um personagem do jogo vive em um local, como uma fazenda, onde pode praticar mineração, plantar alimentos, entre outras atividades, podendo até expandir a vila. No caso da Maruwa, em especial, a cada lençol que um funcionário coloca em uma máquina da linha de produção, é iniciada uma contagem regressiva no jogo. 

O personagem do game só pode se mover e realizar suas atividades até o fim da contagem regressiva, o que significa dizer que, para manter o jogo rodando — gerando até o desenvolvimento da vila — o funcionário precisa continuar colocando os lençóis na máquina. 

Conforme o jogo avança, eles podem descobrir itens raros e erguer construções mais grandiosas, com todos os personagens dos funcionários unindo recursos para desenvolver a comunidade virtual. No caso do Real Focus, consta que o jogo já recebeu várias atualizações. 

Desenvolvimento

O Real Focus Synergy foi desenvolvido pela Nissho Denki Seigyo, que buscou criar o jogo para ajudar os trabalhadores da fábrica a passarem suas jornadas diárias de maneira mais divertida, especialmente entre aqueles que realizam tarefas repetitivas. 

Curiosamente, a especialidade da Nissho Denki Seigyo não é desenvolver jogos, mas fornecer equipamentos para linhas de produção de fábricas, e esta foi a primeira vez que desenvolveram um videogame de verdade. 

Como a empresa não tem experiência na área, ela procurou a Epic Games, desenvolvedora do famoso Fortnite, para alguns conselhos. A Epic compartilhou conhecimento suficiente para que a equipe da Nissho estabelecesse as bases para o desenvolvimento do jogo. 

Resultados

De acordo com a Nissho, na primeira semana em que o jogo foi implantado houve um aumento médio na produtividade de 8%. Mas alguns funcionários atingiram a média de 18%. 

Do ponto de vista da gestão, o sistema no qual o jogo está inserido pode calcular níveis médios e de pico de produtividade dos trabalhadores, ajudando os gerentes a identificar gargalos ou funcionários que possam precisar de suporte adicional. 

Segundo a Maruwa, os funcionários disseram em entrevistas que acharam interessante e divertida a ideia de poder ver a vila no jogo crescer à medida que o trabalho avança. 

Representantes da Maruwa acreditam que, como está se tornando socialmente aceitável que funcionários “se divirtam” trabalhando na linha de produção, os videogames destinados ao uso na manufatura podem avançar ainda mais. 

Foto: Reprodução

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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