El Niño recorde deve provocar inverno mais quente no Japão

Tóquio – O inverno deste ano deverá ser mais quente do que o normal, de acordo com estimativas da Agência Meteorológica do Japão (JMA). O fenômeno El Niño, que atualmente afeta o Oceano Pacífico, atingiu a maior intensidade já registrada. Com isso, as temperaturas excepcionalmente elevadas da superfície do mar deverão persistir durante a estação fria.
Os meteorologistas japoneses informaram que, em setembro, a temperatura da superfície do mar na região de monitoramento do El Niño no Pacífico equatorial ficou 4°C acima do valor de referência. Esse valor corresponde à média da temperatura da água para cada mês durante os 30 anos anteriores ao ano analisado.
O desvio de +4°C foi o maior registrado desde o início das observações, em 1949, superando o recorde anterior de +3,6°C, observado em dezembro de 1997.
O fenômeno meteorológico El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais nas regiões central e oriental do Pacífico equatorial e influencia as temperaturas, as precipitações e a formação de tempestades em várias partes do mundo.
O diretor do Departamento de Atmosfera e Oceanos da Agência Meteorológica do Japão, Masayuki Kyoda, explicou que o Japão tende a enfrentar invernos mais quentes durante os episódios de El Niño.
As previsões da Agência indicam que as condições atuais deverão permanecer durante o inverno. No norte do Japão, as temperaturas devem ficar próximas ou acima das médias sazonais, enquanto as regiões leste e oeste do país, Okinawa e as ilhas Amami deverão registrar temperaturas acima do normal.
A previsão para o período de outubro a dezembro também indica que condições atmosféricas relativamente quentes deverão persistir em grande parte do país.
Durante o inverno, as precipitações deverão ficar próximas ou levemente acima da média, em parte porque perturbações atmosféricas ao longo da faixa dos ventos predominantes de oeste poderão provocar períodos de instabilidade. Isso poderá resultar em alternâncias frequentes entre vários dias de céu aberto e períodos de chuva.
Embora a tendência aponte para temperaturas mais elevadas, os meteorologistas alertam que incursões de massas de ar frio entre o final de novembro e dezembro ainda poderão provocar períodos de neve intensa, especialmente ao longo da costa do Mar do Japão.
Portanto, a previsão de um inverno mais quente não significa necessariamente que episódios isolados de frio intenso ou fortes nevascas deixarão de ocorrer.
Número de tufões
Os meteorologistas acreditam que o El Niño pode ter relação com o grande número de tufões formados em agosto, quando foram registrados dez desses fenômenos.
Para a Agência, a intensidade do El Niño pode ter alterado indiretamente as condições atmosféricas, favorecendo a formação de ciclones tropicais nas proximidades do Japão e no Pacífico ocidental.
A influência do El Niño sobre os ciclones tropicais, no entanto, é complexa, pois as alterações na circulação atmosférica podem afetar tanto os locais onde esses fenômenos se formam quanto a maneira como se desenvolvem.
Em resumo, o Japão poderá enfrentar um inverno com temperaturas acima da média e variações nos padrões de precipitação, sem que isso descarte a ocorrência ocasional de massas de ar frio capazes de provocar condições típicas de inverno e fortes nevascas em algumas regiões do país.
Foto: Canva







































