Acidentes de trabalho em Shizuoka deixam 26 mortos e mais de 3 mil feridos

Shizuoka – Entre janeiro e setembro deste ano, os acidentes de trabalho provocaram 26 mortes na província de Shizuoka, de acordo com o Departamento do Trabalho da província. O número já supera amplamente o total registrado em 2025, quando 17 trabalhadores morreram ao longo dos 12 meses.
Nos nove primeiros meses do ano passado, haviam ocorrido 16 mortes. Portanto, o número deste ano representa um aumento de dez vítimas, ou 62,5%, na comparação com o mesmo período.
Diante da situação, o Departamento do Trabalho de Shizuoka classificou 2026 como um período de forte aumento dos acidentes fatais.
O órgão já havia emitido anteriormente um alerta devido à sucessão de mortes e continua pedindo às empresas que reforcem as medidas de segurança.
Indústria e construção lideram mortes
Entre as 26 vítimas registradas até setembro, sete trabalhavam na indústria de transformação e outras sete na construção civil. O setor de transporte contabilizou cinco mortes, enquanto a agricultura registrou duas. Os demais setores responderam pelas cinco mortes restantes.
Os dados mostram que os acidentes fatais não estão concentrados em uma única atividade.
Entretanto, indústria, construção e transporte, juntos, representam 19 das 26 mortes registradas, aproximadamente 73% do total.
São setores que frequentemente envolvem a utilização de máquinas, veículos, equipamentos pesados, trabalho em altura e movimentação de cargas.
Quedas não são a única causa
Quando os acidentes fatais são analisados pelo tipo de ocorrência, seis mortes envolveram trabalhadores prensados por máquinas e equipamentos. Cinco ocorreram em quedas de altura ou de um nível para outro.
Outras quatro foram provocadas por desabamentos ou tombamentos de materiais e estruturas, enquanto quatro envolveram acidentes de trânsito durante o trabalho.
Também houve duas mortes provocadas por objetos que caíram sobre trabalhadores e outras duas envolvendo pessoas atingidas por equipamentos ou outros elementos em movimento.
Essas categorias somam 23 das 26 mortes registradas. As três vítimas restantes estão incluídas em outros tipos de ocorrência não detalhados neste levantamento.
Os números mostram que a prevenção precisa ir muito além do uso de capacetes e outros equipamentos de proteção individual.
Manutenção de máquinas, dispositivos de segurança, organização da circulação de veículos, proteção contra quedas e treinamento adequado são igualmente importantes.
Mais de 3 mil trabalhadores sofreram acidentes
Entre janeiro e setembro, foram registrados 3.149 casos de acidentes de trabalho que resultaram em morte ou ferimentos com afastamento de pelo menos quatro dias.
No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizados 2.863 casos. Isso representa um aumento de 286 ocorrências, ou aproximadamente 10%.
A indústria de transformação apresentou o maior número, com 924 vítimas. Em seguida aparecem o comércio, com 503; transporte e atividades relacionadas, com 411; serviços de saúde e assistência social, com 329; construção civil, com 256; e hospedagem, alimentação e entretenimento, com 244.
Quedas no mesmo nível lideram acidentes
Um dos dados que mais chamam a atenção é que o tipo de acidente mais frequente não envolve necessariamente máquinas industriais.
Foram registradas 943 quedas no mesmo nível, conhecidas no Japão como tentō (転倒). Esse número representa quase 30% de todas as ocorrências com morte ou afastamento de quatro dias ou mais.
No mesmo período do ano passado, haviam sido registrados 785 casos.
Também foram contabilizados:
• 457 casos de queda de altura ou de outro nível;
• 397 envolvendo reação corporal ou movimento excessivo;
• 364 casos de trabalhadores prensados;
• 198 acidentes com cortes ou abrasões;
• 171 acidentes de trânsito durante o trabalho;
• 133 casos envolvendo objetos que caíram;
• 124 casos de trabalhadores atingidos por equipamentos ou outros objetos em movimento.
O elevado número de quedas mostra que situações aparentemente simples também podem provocar acidentes graves.
Um trabalhador pode escorregar em um piso molhado, tropeçar em materiais deixados no chão ou perder o equilíbrio durante uma atividade rotineira e acabar afastado por vários dias ou até semanas.
Estrangeiros são preocupação específica
O Departamento do Trabalho de Shizuoka inclui a redução dos acidentes envolvendo trabalhadores estrangeiros entre os objetivos de seu plano de prevenção de acidentes de trabalho.
A preocupação é especialmente relevante em uma província onde muitos brasileiros trabalham em fábricas, na construção civil, em empresas de logística, no setor alimentício e em outras atividades.
Dificuldades na compreensão de instruções, treinamento insuficiente em outros idiomas e desconhecimento dos procedimentos de segurança podem aumentar os riscos quando as empresas não adaptam adequadamente a comunicação às necessidades dos trabalhadores estrangeiros.
Entretanto, os dados divulgados não informam quantos dos mortos ou feridos eram estrangeiros, nem quantos eram brasileiros.
O que fazer em caso de acidente
Quando um empregado sofre um acidente durante o trabalho ou em determinadas situações relacionadas ao deslocamento entre sua residência e o emprego, pode ter direito à cobertura do rōsai hoken (労災保険), o Seguro contra Acidentes de Trabalho.
Esse seguro é diferente do seguro de saúde comum. Nos acidentes reconhecidos como relacionados ao trabalho, o sistema pode cobrir despesas médicas e, dependendo das circunstâncias, oferecer compensação financeira durante o período em que o trabalhador fica impossibilitado de exercer suas atividades.
Também existem benefícios em casos de incapacidade permanente ou morte.
Um exemplo simples: um trabalhador sofre um acidente com uma máquina durante o expediente, fratura a mão e precisa ficar afastado por várias semanas.
Nesse caso, o acidente não deve ser tratado automaticamente como uma doença comum. É importante comunicar a ocorrência à empresa e verificar os procedimentos para solicitar a cobertura do rōsai.
Entretanto, o reconhecimento do acidente e o acesso ao sistema não dependem exclusivamente da concordância da empresa. Em caso de dúvida, dificuldade no encaminhamento ou recusa do empregador em colaborar, o trabalhador pode procurar diretamente o Escritório de Inspeção das Normas Trabalhistas responsável pela região onde trabalha para receber orientação e verificar como apresentar o pedido.
Empresas precisam comunicar acidentes
Acidentes que provocam mortes ou afastamento do trabalho também geram obrigações administrativas para os empregadores.
O total de 3.149 casos utilizado na estatística corresponde aos acidentes comunicados por meio do relatório obrigatório de mortes e ferimentos de trabalhadores, considerando as ocorrências fatais e aquelas que provocaram afastamento mínimo de quatro dias.
Isso significa que acidentes menos graves, sem afastamento ou com afastamento inferior a quatro dias, não aparecem nessa mesma contagem.
Portanto, o número total de acidentes de trabalho, incluindo os casos de menor gravidade, é superior às 3.149 ocorrências apresentadas na estatística.
Fonte: Departamento do Trabalho de Shizuoka, dados referentes ao período de janeiro a setembro de 2026.
Foto: Canva








































